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Um grande medico na prisão!

Drauzio inicia seu livro com uma foto da Casa de Detenção, mostrando suas dependências. Ele nos conta que quando menino assistia eletrizado filmes de cadeia em branco e preto e quando em 1989, vinte anos depois de formado médico cancerologista, foi gravar um vídeo sobre Aids na enfermaria da penitenciária do Estado. Quando entrou e a porta fechou-se atrás de si, sentiu a mesma emoção de quando assistia às matinês no cine Rialto no Brás. Algumas semanas depois, ofereceu seu trabalho ao Dr. Manoel Schechtman, responsável pelo departamento médico prisional, para fazer um trabalho voluntário de prevenção à Aids, iniciando-o em 1989.

Em seu livro nos fala o horror daquele espaço “minúsculo” para tanta gente, como vivem, como aliciam os que querem ser seus parceiros (homossexuais), o problema das drogas, a destilaria de pinga de milho, etc. “A perda da liberdade e a restrição do espaço físico não conduzem à barbárie, ao contrário dos que muitos pensam”, homens quando presos criam sua próprias regras de comportamento com o objetivo de preservar o seu grupo seja ele dominante ou dominado.

No meio onde tudo transcorre a palavra de um homem seja ele cozinheiro,enfermeiro, varredor ou….. a lei, é “lei” é respeitada, quando não respeitada é punido com o desprezo social, castigo físico ou pena de morte.

Drauzio descreve os lugares, estados emocionais, a vida que eles levam no dia a dia. Também nos mostra cada personagem, Mario Cachorro, seu Jeremias, Alfinete, Deusdete, seu Luis, Claudiomiro, sua convivência com os colegas, com familiares e visitantes.

A casa de Detenção é um Casarão dividido em pavilhões, onde a entrada é como uma gaiola, que se fecha e abre conforme as pessoas passam. A Divineia é a entrada, que fica em frente para o pavilhão Seis central. Da entrada para o fundo à esquerda, vêm os pavilhões Dois, Cinco e Oito. À direita, em posição simétrica, o Quatro e depois o Sete e o Nove.

Para mim, o livro todo, ao contar a história vivida por aqueles homens, tem momentos que causaram náuseas e desejo de largá-lo e não ler mais, mas a leitura é tão envolvente que não desisti e cheguei ao final. É uma realidade dura, mas “real”, vivida e sofrida por muitos. Gostei de ler, de conhecer aquele mundo, há também fotos que comprovam a realidade lá existente.

O que mais chamou minha atenção foi exatamente a condição humana vivida por aqueles homens, condição sub humana e sua resistência a todas as incertezas da vida.

Quanto ao autor, além de médico cancerologista formado em 1967, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, escreve sobre ciência na Gazeta Mercantil e é o articulista da Folha de São Paulo. Publicou Macacos(Publifolha 2000), Rua do Brás (2000). Em 1999, foi lançada a obra Estação Carandiru,  que recebeu o prêmio Jabuti do livro do ano e não ficção.

O livro Estação Carandiru, publicado em 1999, é resultado da experiência do próprio autor, Dr. Draúzio Varella, no maior presídio do país. A convivência com os presidiários e funcionários do presídio teve início quando foi desenvolvido o seu trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Esta convivência proporcionou o conteúdo do livro, onde o autor descreve desde a divisão física da Casa de Detenção, os pavilhões, até a sociedade carcerária e relatos de detentos e funcionários.

Dráuzio Varella, num movimento simples e “clínico”, escreve um livro onde a simplicidade de suas habilidades literárias funcionam para realçar um aspecto central em sua escrita: o assumir-se testemunha estranha, o aceitar-se como contador de histórias alheias, aberto às suas narrativas, mas não íntimo. E embora a obra tenha sido escrita por um médico, e não por um detento, os personagens ali retratados falam com sua própria voz, ou, pelo menos, estão a ponto de apropriar-se da narração.

O nome do livro, Estação Carandiru, é uma referência à estação em que Dráuzio desembarcava para ir ao presídio, ressaltando a visão particular do autor. Apesar de ser definido como obra de ficção pelo autor, o livro permanece na lista dos mais vendidos, desde seu lançamento, na categoria “não-ficção”.

Dráuzio Varella reuniu cerca de sessenta pequenas histórias sobre a vida daqueles que cumpriam pena no Carandiru. Talvez sem ter noção exata da importância do que estava fazendo, Drauzio escreveu um livro fundamental, leitura obrigatória para quem quer conhecer o exato significado da marginalização social.

Varella usa recursos literários para descrever o ambiente da cadeia. A ênfase não é na violência, mas sim no cotidiano – como os presos arrumam suas celas, como se alimentam e se divertem, as relações amorosas que se formam dentro da cadeia, os dias de visita, o comportamento dos funcionários e dos policiais… Frases dos detentos, são espalhadas ao longo do livro, uma linguagem rica em gírias e malandragem que funciona como contraponto à prosa culta do médico.

O encarte de fotos, muitas feitas pelo próprio Varella, mostra um paralelo surpreendente com o autor João do Rio que utilizava técnicas narrativas da ficção em reportagens. O jornalista e o médico se concentram em temas como as tatuagens dos presos, que não mudaram tanto assim nos quase cem anos que separam as duas reportagens.

Enredo

O complexo penitenciário do Carandiru foi o maior da América Latina. Nos tempos de maior lotação, chegou a ter mais de sete mil pessoas encarceradas dentro de seus muros.

Mas o Carandiru não podia ser considerado apenas um presídio, era uma sociedade à parte, um microcosmo auto-sustentável sem precedentes no sistema carcerário do Brasil.

Foi com a intenção de desvendar esse mundo que o médico Dráuzio Varella escreveu o livro Estação Carandiru. Usando como base histórias dos próprios presos, Varella reconstrói a história e a vida deste local tão marcante da cidade de São Paulo.

O doutor Dráuzio Varella foi o médico responsável do presídio por mais de 10 anos, ou seja, quase ninguém lá dentro tinha experiência o suficiente para contar o que ele sabia. Sua idéia era realmente explicitar o funcionamento do local, mas acabou contando a história de vida de muitos presos, permeada com sua própria vida na cadeia.

Dizer que o presídio era auto-sustentável, significa que ninguém precisava intervir para o seu bom funcionamento. Cada um tinha sua função, o respeito hierárquico era grande, existia uma política de compra de local para dormir, ninguém mexia com a mulher dos outros em dia de visita. Tudo isso e muito mais foi organizado sem a ajuda do governo. Foi feito pelos próprios presos durante muitas décadas.

Escrito em forma de memórias, mas em ordem não cronológica e com muitas digressões, a vida de Varella se mistura com a vida dos presidiários. Em sua função com médico, ele se torna amigo dos presos. Ele começa fazer parte da vida deles, muitas vezes como ouvinte de suas confidências, tanto de dentro e como de fora da cadeia.

A história começa quando Dráuzio resolve fazer um trabalho de prevenção a Aids na Casa de Detenção de São Paulo. Ele iniciou sua vida lá dentro com muito medo, por estar no meio dos maiores bandidos do Brasil. Foi enganado algumas vezes, mas com o tempo ele foi ganhando a confiança dos detentos.

O livro termina com a passagem mais marcante da história do Carandiru: o massacre de 1992. Ele deixa claro em seu relato que não procurou nenhuma fonte oficial, como a Policia Militar de São Paulo. O que ele escreveu é inteiramente baseado em relatos de presidiários que sobreviveram ao massacre, podendo deixar um certo ar de parcialidade, de defesa dos presos.

Com uma história humana e humanitária, Estação Carandiru surpreende por mostrar um lado antes não conhecido de um lugar tão escondido de nossa sociedade. É um balde de água fria em todos aqueles que acham que só tem bandido na cadeia, ou que todo bandido não presta.

Por: Mara Lucia de Abreu

outros links:

http://www.leituracritica.com.br/apoioprof/aprecia/002varela_carandiru.asp

http://paulodays-paulodias.blogspot.fr/2007/10/carandiru.html

http://stravaganzastravaganza.blogspot.fr/2011/10/estacao-carandiru-o-livro-estacao.html


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7 dias para que Vinicius de Moraes ressuscite no Morro da Babilônia

Você que mora no Rio de Janeiro: já foi ao Morro da Babilônia? Ainda não? Esta é sua chance de conhecer uma das mais belas vistas da cidade!

São prémios como este que esperam pelas almas (sensíveis à poesia nossa de cada dia), que contribuírem para este projeto! Uma poesia com a  cara do Vinicius de Moraes, que gostava tanto de encontrar poesia nas pequenas coisas do dia a dia.

Com alguns minutos de seu tempo e mais alguns cliques, você pode ajudar a levar os nome de Vinicius de Moraes, do Morro da Babilônia, e do realizador Rafael Gomez! São poucos cliques, mas mudam a vida de muitas pessoas. O projeto leva cultura ao morro e paralelamente, leva a cultura brasileira ao mundo! Mas para que tudo isso possa acontecer, precisamos de sua ajuda já!

Faltam somente 7 dias e o projeto pode atingir em poucas horas o valor necessário, mas para isso precisamos que todos os amantes de Vinicius, todas as almas poéticas, todos os apreciadores de cultura, companhias ou empresas (interessadas por marketing cultural a um preço acessível), todos os amigos, familiares, etc, participem de forma ativa dessa reta final! Clique aqui e faça sua parte! Contamos com cada um de vocês e agradecemos antecipadamente aos que já participaram e aos que irão se mobilizar!

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Repensando o crowdfunding

Se você é daqueles que acredita que o objetivo principal de toda campanha de crowdfunding, seja captar fundos, está na hora de rever seus conceitos:

Vivemos uma revolução onde multidões “auto-organizadas” acendem a chama das mudanças sociais no mundo, por meio da  deslocalização dos poderes estabelecidos. A novidade é que as pessoas tem, graças à internet e às ferramentas de redes sociais, muito mais facilidade para encontrar outras pessoas que defendam a mesma causa, e comunicar. Dessa forma a palavra colaborar ganha novas dimensões.

 

O crowdfunding atrai cada vez mais artistas e criativos em busca de uma interação direta com seus próprios fãs, para que possam convidá-los a participar, de seus projetos, e juntos, tornando-os bem sucedidos. O elemento mais visível nesse processo, é o dinheiro, que sob forma de contribuição, troca de mãos. No entanto, é preciso prestar atenção em alguns elementos bem mais interessantes e potencialmente transformadores, em torno de uma campanha de crowdfunding.

O que é crowdfunding?

crowdfunding

O crowdfunding é um processo de comunicação e interação entre uma pessoa física ou jurídica que precise de fundos para criar algo novo, e uma massa de fãs que estejam prontos a participar de maneira ativa e construtiva. Trata-se principalmente de uma forma de colaboração aberta entre os participantes sob forma de:

  1. Um convite para fazer parte de um projeto bem sucedido; seguido de,
  2. Uma campanha para criar uma comunidade de pessoas que se mobilize em um esforço coletivo; culminando em,
  3. Um evento ou alguma forma de celebrar o que TODOS CRIARAM JUNTOS.

Agora mais detalhadamente:

Um convite para fazer parte de um projeto bem sucedido

Ao doar fundos para uma ONG, ou algum projeto caritativo, o doador permanece relativamente passivo. No crowdfunding, não basta contribuir: é necessário participar do esforço de divulgação, para que o projeto possa se espalhar pela rede. Quanto mais os fãs compartilharem e publicarem seu projeto, mais chances vocês terão, de juntos, atingirem a meta do projeto. Nesse sentido o crowdfunding se assemelha a campanhas e movimentos políticos que se organizam para encontrar cada vez mais pessoas dispostas a se esforçar pela causa. Não se trata apenas de contribuir financeiramente para uma causa, mas principalmente, de encontrar o máximo de pessoas que queira se engajar por sua causa.

Convide todos seus amigos, e peça para que eles convidem todos os amigos deles e peçam aos amigos que convidem todos os amigos, etc…

 

Uma campanha para criar uma comunidade de pessoas que se mobilize

Quanto mais pessoas contribuírem para seu projeto, mais visibilidade ele irá obter. Faça com que todas as pessoas que você conhece participem ao menos com um valor simbólico, e se realmente, algumas pessoas sequer puderem fazer isso, convide-as a espalhar a noticia e convocar pessoas a participarem, seja pela net, ou seja offline. Quanto maior for a comunidade de pessoas divulgando seu projeto, mais chances ele terá de atingir a meta financeira estabelecida.

 

Compartilhe recompensas:

Comemorar uma campanha bem sucedida com as pessoas que apoiaram seu projeto é uma ótima oportunidade para realmente criar um laço a mais com seus fãs. Celebrem o que vocês realizaram juntos! Esse é também o momento de entregar as recompensas prometidas para cada pessoa que contribuiu. Mantenha as pessoas que contribuíram para seu projeto constantemente atualizadas. É muito importante que cada pessoa que contribuiu para seu projeto, saiba da evolução do processo criativo, e que tanto as recompensas prometidas, quanto o próprio resultado final (objetivo do projto) sejam entregues nos prazos pré-definidos. Dessa forma, os fãs sentirão que fazem realmente parte do projeto e de seu resultado final, porque foram eles que fizeram que o projeto se tornasse possível por meio de suas contribuições..

Perceba que nenhuma das etapas do processo é realmente em torno do dinheiro. Claro, é necessário que os fãs contribuam monetariamente, e o total de fundos captado precisa ser suficiente para atingir as metas estabelecidas. Mas é necessário focalizar na busca de pessoas engajadas que se juntam e aumentam a massa mobilizada em torno de seu projeto para criar algo novo. É por isso que o crowdfunding tem tanto potencial para quem quer mudar a realidade social na qual vivemos. É um processo de deslocalização do poder, que leva pessoas a se engajarem em ações construtivas.

Em outros termos, o crowdfunding serve principalmente para aumentar a sua rede social, e sua base de fãs engajados (aqueles que comprariam um CD ou quadro seu mesmo que estivesse todo estragado e viajariam quilômetros sob chuva para ver uma apresentação sua).

Nada mal se considerarmos que o mesmo processo serve para captar fundos que permitirão a realização de projetos criativos e inovadores! Não acha?

O crowdfunding pode abrir a porta para um real engajamento

Quem trabalha na área das mudanças sociais pode utilizar o crowdfunding como uma ferramenta de organização, já que reúne engajamento e resultados concretos. Muitas pessoas estão insatisfeitas com  as organizações tradicionais porque seus métodos de financiar, baseados  em uma comunicação unilateral, são cada vez mais irresponsáveis, além de não propiciarem interação. As mídias sociais e suas ferramentas, facilitam a formação orgânica de redes conectadas diretamente entre si e capazes de determinar agendas e compartilhar conhecimentos, somando forças para atingir objetivos comuns.

Se o crowdfunding tem atraído cada vez mais adeptos, é porque vem provando ser uma maneira eficaz de democratizar o financiamento, tornando-o mais transparente e por consequência dando mais poder às ações e aos movimentos sociais. Tudo começou como uma simples maneira de ajudar uma banda local a gravar seu primeiro CD graças aos seus fãs (o que já era genial), e evoluiu até chegar a ser uma ferramenta reconhecida para contornar a burocracia das instituições e levar a ação diretamente à massa.

“Power to the people” como diriam alguns…

Para saber mais sobre crowdfunding ,ou lançar seu próprio projeto, visite nosso site: clique aqui.

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4 dias para ter uma Ideia de Origem Portuguesa

Estamos sempre falando dos falantes da língua portuguesa e de como estão espalhados pelo mundo! Por isso mesmo, é simplesmente fantástico para Zarpante, encontrar portugueses que pensam como nós!

O que é?

“É uma iniciativa sua e da Fundação Calouste Gulbenkian na área do empreendedorismo social.

É um desafio a todos os Portugueses na diáspora que têm ideias, talento e vontade de fazer mais e melhor . É uma convocatória a todos os que, apesar da distância, desejam participar na construção de Portugal, através de uma cidadania ativa, envolvente e participativa. Ideias de Origem Portuguesa é um concurso para encontrar e promover projetos nas áreas do Ambiente e Sustentabilidade, Inclusão Social, Diálogo Cultural e Envelhecimento.”

Como funciona?

O Ideias de Origem Portuguesa é um concurso com uma mecânica simples.

Para participar, basta ter vontade de implementar um bom projeto de inovação social e já agora ler o regulamento.
Juntar uma equipa de 3 pessoas que inclua pelo menos um português ou lusodescendente residente no estrangeiro.
Ter um discurso poderoso e convincente, fazer um vídeo com o mesmo.
Depois passar a palavra e manter as pessoas atualizadas e envolvidas e promover o debate. A sua ideia irá ganhar com a contribuição de todos.

Mande já sua ideia!

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