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E por falar em manifestações…

4-0 Documentário sobre as manifestações ocorridas em Junho de 2013, em São Paulo, que culminaram com a revogação do aumento de vinte centavos da tarifa de ônibus.

Documentary about the protest movements that took place in June of 2013, in São Paulo, which ultimately culminated in the cancelation of the twenty cents raise in public transportation fare prices.

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A capital francesa acolhe o cinema lusófono

Do 8 ao 10 de novembro de 2013, Paris acolhe o Festival FESTAFILM e seus filmes lusófonos!

Quem não estiver em Paris poderá conhecer alguns dos filmes pelo nosso blog, mas quem estiver em Paris não pode perder este evento que além de filmes ainda conta com uma palestra, muita música ao vivo e inclusive exposições de artes plásticas!

Conheçam abaixo alguns dos filmes que estarão em cartaz

– O Documentário
MORNA BLUES – Cesária Évora – Anaïs PROSAïC et Eric MULET – 50ʼ – France

Screen shot 2013-11-06 at 4.41.48 PMO sucesso internacional de Cesária Évora colocou no panorama musical do mundo as melodias dilacerantes da morna. Este filme feito de ritmos que requebrantes, é a própria imagem de Cesária : generosa e secreta. Por muito tempo “a diva de pés nus” cantou para os freqüentadores dos bares de Mindelo, em troca de uma bebida ou de dinheiro. Neste documentário a personalidade misteriosa de Cesária    é mostrada em seu quotidiano. Cesária Évora parece levar o destino trágico de seu país, onde por trás das danças e melodias, escutamos textos de séculos de sofrimento e luta …

– E os Curtas:
LANDAU 66 – Fernando SANCHES – 12min -Brasil

“O que o diabo faz quando está de saco cheio?” Dois jovens tentam achar uma resposta para essa e outras perguntas em uma noite chuvosa dentro de um Landau 1966, com a incômoda presença de um carona no banco de trás.

BLACKOUT – Daniel REZENDE – 10min- Brasil

Um assessor e um suplente parlamentar resolvem fumar um baseado numa sala em reforma da Assembléia Legislativa. O que era pra ser um momento de relax , vira uma constante sucessão de revelações e surpresas que pioram a cada segundo.

ILUMINADOS Daniel de ALEMAR, 17′, São Paulo – Brasil

Screen shot 2013-11-06 at 4.51.19 PMUm blecaute quebra a rotina noturna de um casal.

DINA de Mickey FONSECA, 23 min, Maputo – Moçambique.

Quando Dina, a sua filha de 14 anos engravida, Fauzia compreende que a violência de Remane, seu esposo, atingiu novos limites. Com a mãe hospitalizada depois de uma terrível cena de violência física, Dina convence-a a denunciar Remane à Polícia.

E o melhor de tudo é que nós sequer desvendamos todos os filmes que serão apresentados durante o Festival!

Zarpante acompanha de perto a Lusofonia e suas viagens por terras estrangeiras. Os brasileiros, angolanos, moçambicanos, e lusófonos, de maneira geral, deveriam prestigiar esse evento que vai “matar algumas saudades de casa”!

Clique aqui para Infos completas em francês

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Mostra dos novos talentos da fotografia paulistana

Zarpante apoia e divulga a 2ª edição da mostra “Fotoarte – Os olhos de quem vê”.

A primeira edição da mostra dos novos talentos da fotografia “Fotoarte – Os Olhos de quem vê!”, realizada em julho/2013 foi um êxito de realizações para a produtora Infinity Events e os fotógrafos participantes.

Porém, há muito à ser mostrado na arte de clicar, ainda mais em uma cidade multicultural como São Paulo, onde há expressões artísticas distintas, espalhadas por todos os pontos da cidade.
flyer
Por isso, a Infinity Events reuniu mais um grupo de fotógrafos e seus olhares sobre arte paulistana, em uma exposição de artistas e amigos que apresentam a arte da cidade para o mundo.
O evento acontecerá no dia 27 de Outubro, no Hostel Alice, na Vila Madalena. Além da exposição, as fotos serão vendidas em um bazar por valores bastante acessíveis.
De bônus, ainda haverá apresentação da banda de pop-rock nacional, PrásKbças Music, apresentando um pouco de seu novo projeto e mostrando sua essência na música popular brasileira.
PrásKbça Music
Jovens ex-alunos da ETEC de Artes que se juntaram e para fazer música popular brasileira, com uma pitada de rock, soul, funk e os estilos regionais do país. Levando música, festa e alegria por onde quer que eles passam, contagiam à todos apenas pelo seu som.

Conheçam os Fotógrafos participantes e seus trabalhos:

Ana de Oliveira
Cursou Fotografia Luz Marginal na instituição de ensino MAM, e foi sócio-proprietária do DUO FotoClube – Escola de Fotografia. Atualmente leciona aulas particulares de fotografia.
Fabio Astaire
Fotógrafo das luzes e cores, que servem de incentivo para continuar o registro dos pequenos fragmentos da vida. Um adorador de música e cinema, qual transmite essa energia para sua arte fotográfica.
Fernando Siqueira
Aventureiro por natureza, antes de ser fotógrafo, viveu alguns anos viajando pelo Brasil e pelo mundo, trabalhando com consultoria no seguimento de automação de topografia e navegação por satélites, uma area cheia de equipamentos e técnicas. Sua bússola acabou apontando para um novo mundo, o da fotografia. Hoje apaixonado pela fotografia, vive imerso ao mundo das imagens.
Recebido uma premiação em 2012, quando expôs uma de suas obras na IX Bienal Internacional de Arte de Roma.
Da teoria à pratica, é dono de um estilo próprio de fotografias comerciais para revistas de moda, eventos e acontecimentos corporativos, ações sociais ou casamentos. Sua fotografia autoral se caracteriza pela proximidade com o objeto e é sempre carregada de sentimentos e energias.
Priscila Visconti
Jornalista, produtora e uma curadora nata em organiar eventos culturais. Trabalha como repórter e fotógrafa no boletim sobre cultura pop “O Barquinho Cultural” e faz alguns outros ‘frilas’ sobre música, cultura e entretenimento.
Raquel Luzia
Trabalhou como designer e ilustradora em um estúdio de um amigo, e foi o próprio quem disse para comprar uma máquina fotográfica, pois uma vez que você compreender bem seus trabalhos, tanto na ilustração quanto design ficarão melhores, era o que ele dizia. E foi assim que tudo começou, ela comprou a câmera e foi amor a primeira vista.
Relembrando:
 “FotoArte – Os olhos de quem vê”
Data: 27/Outubro/2013
Horário: 14h
Local: Hostel Alice
End.: Rua Harmonia, 1275 – SP/SP

Entrada Franca

Facebook do evento: facebook.com/expofotoarte

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Grafiteiros lusófonos 01

Conheçam abaixo alguns grafiteiros lusófonos!

1- VHILS ou Alexandre Farto (Portugal)

VHILS é um artista  Português conhecido pelos seus “Rostos” esculpidos em paredes. Ele inova constantemente utilizando novas técnicas e maneiras de abordar seu trabalho. Boa parte de seu trabalho é criado ao vivo no local e focaliza-se na natureza transitória, suas histórias e as de seus moradores. Representa também uma nova geração de grafiteiros que não somente grafita paredes como também pinta telas e expõem em galerias.

” Nasceu em Lisboa em 1987. Terminou os seus estudos em 2008 na University of the Arts em Londres.  Iniciou-se em pintura em 1998 com apenas treze anos. Pintava muros de ruas e comboios da margem sul do rio Tejo.  Este artista de Lisboa, a partir das suas raízes do graffiti/street art tem vindo a explorar novos caminhos dentro da ilustração, animação e design gráfico, misturando o estilo vectorial com o desenho à mão livre, aliado a formas contrastadas e sujas, que nos remetem para momentos épicos. A destacar também a abertura recente da sua exibição de interior/ar livre, “building 3 steps“, com Miguel Maurício. Em 2011, desenvolveu uma técnica usando explosivos, grafite, restos de cartazes e até retratos feitos com metal enferrujado para criar retratos e frases. Existem trabalhos seus espalhados por vários locais do mundo como as cidades portuguesas de Lisboa, Porto e Aveiro, além de capitais como Berlin, Londres, Moscovo, Bogotá, e cidades como Medellín, Cali (na Colômbia), Nova York, Los Angeles, Grottaglie (sul da Itália).” Fonte: Wikipédia

2- Alexandre Orion (Brasil)

Para quem diz que grafite é somente sujeira, e que os grafiteiros não fazem nada além de adicionar poluição visual ao nosso cotidiano, chegou a hora de conhecer o grafite invertido (Reverse graffiti). A ideia é simples: para criar os desenhos, o grafiteiro paulista, Orion, limpa as paredes em vez de desenhar sobre elas! Basta encontrar um muro bem sujo e em seguida começar a limpar para dar as formas desejadas!

Vejam também:

– O grafite brasileiro está literalmente invadindo o mundo!

– GRAFITEIROS LUSÓFONOS 02

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O Trio virou duo mas ainda tem muita musicalidade na cachaça

Caros amigos, de quinta a domingo desta semana, haverá três shows do Duo Cachaça em São Paulo – esperamos vê-los lá!

O Duo reúne dois membros do Trio Cachaça, conjunto formado em Paris em 2005 – ano do Brasil na França, em que ganharam destaque apresentações de música brasileira na cidade.

Interpretado por Tekokatu Enitan no violão e voz, e Niels Lindholm na percussão, o repertório inclui clássicos e lados B do samba, da bossa nova, da MPB, bem como da soul music e da música latino-americana.

Tekokatu Enitan é multi-instrumentista (violão, piano, voz) e compositor. Chegou a tocar em diversas bandas autorais de rock, e bandas cover de MPB e jazz, e suas composições são influenciadas por estas e outras tradições musicais. Atualmente vive em Brasília.PENTAX Image

Niels Lindholm toca percussão há 15 anos, com foco em ritmos latino-americanos e africanos. Nativo do sul da França, mora atualmente em São Paulo.

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Apresentações:

Quinta – 05/09 – 20h – O Bom da Villa é – Rua Mourato Coelho, 615

Sexta – 06/09 – 20h30 – Umbabarauma – Rua Rodésia, 128

Domingo – 08/09 – 20h – O Bom da Villa é – Rua Mourato Coelho, 615

O Duo reúne dois membros do Trio Cachaça, conjunto formado em Paris em 2005 – ano do Brasil na França, em que ganharam destaque apresentações de música brasileira na cidade.

Interpretado por Tekokatu Enitan no violão e voz, e Niels Lindholm na percussão, o repertório inclui clássicos e lados B do samba, da bossa nova, da MPB, bem como da soul music e da música latino-americana.

Tekokatu Enitan é multi-instrumentista (violão, piano, voz) e compositor. Chegou a tocar em diversas bandas autorais de rock, e bandas cover de MPB e jazz, e suas composições são influenciadas por estas e outras tradições musicais. Atualmente vive em Brasília.

Niels Lindholm toca percussão há 15 anos, com foco em ritmos latino-americanos e africanos. Nativo do sul da França, mora atualmente em São Paulo.

http://www.facebook.com/TekokatuEnitan

http://www.reverbnation.com/TekokatuEnitan

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Respeite seus vizinhos!

Screen shot 2013-09-01 at 8.04.52 PM

Que tal assistir um belo filme brasileiro nessa quarta?

” Válter (Marat Descartes) e Iara (Ana Carbatti) moram com os dois filhos, na periferia da cidade de São Paulo. Eles levam a vida normalmente, até a chegada de três rapazes que se tornam seus novos vizinhos. Iara passa a achar que, como eles não trabalham, devem ser bandidos. Pouco se sabe sobre a história do trio, apenas que eles costumam levar mulheres para casa e falam palavrões constantemente. Valter, que trabalha de dia e estuda à noite, pouco se importa com o que eles fazem e quer apenas dormir. Só que a tensão do dia a dia e o barulho que os vizinhos fazem de madrugada atrapalham seu sono.”

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Máquina do tempo

Hoje sugerimos uma viagem no tempo: descubra São Paulo em 1904!

Quem podia imaginar que um dia seria assim?

São Paulo 2013!
Quem poderia imaginar que um dia seria assim?

São Paulo foi fundada pelos Jesuítas em 1554, 760 metros acima do nível do mar, mas a 72 quilômetros da costa, como um centro missionário com o objetivo de atender os primeiros desbravadores e catequizar os indígenas que habitavam na região. Por muito tempo manteve as características de pequena vila. Por volta de 1850 começou a crescer e tornar-se rica graças às produtivas fazendas de café que existiam no estado. Com a receita da exportação do café, o crescimento da população, e a chegada de imigrantes europeus, criou-se o cenário perfeito para o estabelecimento de um parque industrial. São Paulo é hoje em dia o maior centro financeiro e industrial do país, gerando mais de 30% do PIB.

Fonte: Embaixada do Brasil em Washington

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A Unesco oferece

Unesco

Unesco (Photo credit: girolame)

Alguns estudos interessantes disponibilizados pela UNESCO!

– Coleção História Geral da África em português

– Debates e perspectivas para a institucionalização da lei 10.639/2003

“Os eventos contaram com a presença de expositores nacionais e internacionais, que potencializaram trocas de experiências e discutiram, de forma profunda, temas de história e cultura africana e afro-brasileira e da educação das relações étnicoraciais. Essas discussões possibilitaram um mapeamento de necessidades e perspectivas para a implementação das diretrizes curriculares nacionais para a educação sobre relações étnico-raciais, história e cultura africana e afro-brasileira no sistema da educação básica do país e, ainda, foram apresentadas possibilidades de uso da Coleção HGA como um subsídio para a sua efetivação.” Fonte: UNESCO

  1. Brasil-África: importância, reconhecimento e ressignificação; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Cachoeira, Bahia, 2 de abril de 2011.
  2. Brasil-África: herança cultural e interculturalidade; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Salvador, Bahia, 4 de abril de 2011.
  3. Brasil-África: história, historiografia e a produção de saberes na África e na Diáspora; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em São Paulo (SP), 6 de abril de 2011.
  4. Brasil-África: heranças históricas e perspectivas contemporâneas; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Belo Horizonte, Minas Gerais, 13 de abril de 2011.

– Educação preventiva para DST/HIV/Aids e hepatites virais entre os povos indígenas do Vale do Javari

© UNESCO

“A “Série Educação preventiva para DST/HIV/Aids e hepatites virais entre os povos indígenas do Vale do Javari” constitui-se em material didático-pedagógico multilíngue e intercultural, que tem como finalidade subsidiar os professores Marubo, Matis e Mayoruna (Matsés) em ações de prevenção às doenças nas escolas indígenas e nos contextos comunitários em que estão situadas. O material disponibiliza aos professores conteúdos para trabalharem com as diferentes faixas etárias, gêneros e escolaridade dos alunos.”

  • Marubo – is tëai vana Maruvo
  • Mayoruna (Matsés) –  nënaid dedenda quequin chiaid nec DST/Aids e hepatites virais
  • Matis – tximu bekte sinanek onkekin darawakid

– Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas:

Download gratuito: clique aqui

Mais educação, menos violência: caminhos inovadores do programa de abertura das escolas públicas nos fins de semana:

Download gratuito: clique aqui

– Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos em português:

O Programa Mundial, de autoria da UNESCO e do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), visa apresentar a gestores públicos e militantes de direitos humanos subsídios e orientações para a construção de programas educacionais baseados no respeito aos direitos humanos.

“O PMEDH é composto por duas “fases” de um “Plano de Ação”, assim chamadas como forma de melhor encadear e articular esforços governamentais e não governamentais ao redor de uma cultura de promoção e defesa dos direitos humanos. A chamada “Primeira Fase” do Programa Mundial (2005-2009) reúne recomendações, referências e metas concretas voltadas ao ensino primário e secundário. A “Segunda Fase” do Programa Mundial (2010-2014), por sua vez, confere prioridade ao ensino superior e à formação em direitos humanos para professores, servidores públicos, forças de segurança, agentes policiais e militares.” Fonte: UNESCO

Acesse os documentos clicando aqui.

– “Turismo de Portugal e UNESCO lançam manual para gestão sustentável do Património Mundial”:

disponível para download neste link: http://we.tl/gUlrTOWs8P)

Veja também:

– Relatório da ONU sobre economia criativa

– Conhece o programa Oncotô?, da TV Brasil?

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Sobre as manifestações

No Brasil, ainda existem pessoas inteligentes e lúcidas…

“Para quem acha que Dani Shwery, Thismir Maia e Carla Dauden são o máximo que a direita “espontânea” conseguiu preparar para mobilizar seus simpatizantes – no contexto do quadro reivindicatório das manifestações de junho – podemos dizer que entre os servidores do Google e da Microsoft e os mouses dos internautas comuns há muito mais coisas que a nossa vã filosofia possa imaginar.
Uma delas, ficou comprovado, é a espionagem norte-americana na rede, denunciada pelo agora foragido Edward Snowden.
O súbito aparecimento do fenômeno dos hitlernautas é outra – e esse é um fato que merece ser analisado. O hitlernauta, não é, na verdade, uma nova espécie no ciberespaço brasileiro. Ele sempre existiu, embora não fosse conhecido por esse nome. A questão é que, antes, os hitlernautas só podiam ser encontrados no seu habitat natural, em reservas quase sempre protegidas, e normalmente produzidas e consultadas apenas por eles mesmos.
Encontravam-se, assim, ao abrigo do navegante comum, como nos sites neonazistas, integralistas, da extrema-direita católica, ou que correspondem, no Brasil, a “espelhos” de certas “organizações” fascistas internacionais.
Nesses espaços, eles ficaram, por anos, alimentando suas frustrações, preparando-se para sair à luz do dia tão logo houvesse uma ocasião mais segura para se apresentarem ao mundo. A oportunidade surgiu no âmbito das passeatas de junho. Afinal, nessas manifestações, cada um podia carregar a mensagem que desejasse – desde que não fosse símbolo de partidos políticos.
Os hitlernautas, além de aparentemente apartidários, são, principalmente, anti-partidários. Assim, resolveram engrossar, a seu modo, a procissão mesmo sem conseguir indicar, com clareza, rumo ou andor que lhes valesse.
É fácil reconhecer o hitlernauta. Nas ruas, é o “careca”; o de cara coberta por um lenço; pela máscara do movimento anarquista; o que leva coquetel molotov de casa; joga pedra na polícia; agride violentamente o militante do PSDB, do PT, ou do PSTU que estiver carregando uma bandeira; quebra prédios públicos; arranca semáforos; saqueia lojas; põe fogo em carros da imprensa ou invade o Itamaraty.
Na internet, o hitlernauta é ainda mais fácil de ser identificado. É aquele sujeito que acredita (piamente?) que estamos vivendo a penúltima etapa da execução de um Golpe Comunista no Brasil. E que o Fórum de São Paulo é uma espécie de conclave secreto, destinado a dominar o mundo via implantação, no continente, de uma União das Repúblicas Socialistas da América do Sul.
O hitlernauta é o “anônimo” que, atuando no Exterior ou em nosso território, nos comentários, na internet, tenta convencer os interlocutores, de que as urnas eletrônicas são manipuladas; de que não existe oposição no Brasil, porque o PSDB é uma linha auxiliar do PT na implantação do stalinismo por aqui; que FHC é fabianista, logo, uma espécie de socialista a serviço da entrega do Brasil aos vermelhos; que a ONU é parte de uma conspiração mundial, e o único jeito de consertar o país é acabar com o voto universal, fechar o Congresso, dissolver os partidos, prender, matar, arrebentar e torturar, no contexto de novo golpe militar, sob orientação norte-americana.
DemocDinheiro
No dia 10 de julho, os hitlernautas saíram às ruas, sozinhos, pela primeira vez. Segundo o portal Terra, fecharam a rua Pamplona, até a esquina com a Consolação, com a Marcha das Famílias contra o Comunismo, convocada nas últimas duas semanas pela internet.
O portal IG calculou, em cerca de 100 pessoas, o grupo que se reuniu no vão do MASP e marchou, com bandeiras, pedindo intervenção militar, até as imediações do Comando Militar do Sudeste.
No Rio, a convocação conseguiu juntar, frente à Candelária, trinta e poucos manifestantes, em cena em que se viam mais bandeiras e cartazes sobre as escadas do que pessoas para empunhá-los. Ao ver a foto da “manifestação”, muita gente os ridicularizou na internet.
Os primeiros desfiles das SA na República de Weimar também não reuniam mais que 30 pessoas, que carregavam as mesmas suásticas hoje tatuadas na pele dos skinheads presentes à Marcha das famílias contra o Comunismo, em São Paulo, no dia 10. As pessoas normais, ao vê-los desfilando nos parques, com os seus ridículos uniformes, acharam, na década de 30, que os nazistas eram um bando de palhaços. Eles eram palhaços, mas palhaços que provocaram a maior carnificina da História. Sob seus olhos frios, seus gritos carregados de ódio, milhões de inocentes foram torturados, levados às câmaras de gás, e incinerados, em Auschwitz, Maidanek, Birkenau, Dachau, Sachsenhausen – e em dezenas de outros campos de extermínio montados por ordem de Hitler.
Os hitlernautas não devem ser subestimados. É melhor que a sociedade os conheça. A apologia da quebra do estado de direito é crime e deve ser combatida com os rigores da lei. Cabe ao Ministério Público, com a ajuda da Polícia Federal, identificá-los e denunciá-los à Justiça, para que sejam julgados e punidos, em defesa da democracia.”
Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.
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Tirem a panela do fogo antes que o Brasil exploda

Mais uma série de violentas manifestações em muitas cidades do Brasil nos levam cada vez mais a repensar! A massa é mesmo pacífica?

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São milhares de relatos por dia em redes sociais e companhia. Relatos de todo tipo, alguns sem conteúdo algum, outros claramente em prol da esquerda ou da direita e muitos mas muitos mesmo, de pessoas que estão completamente perdidas!

Agora vejam bem, nós estamos avisando desde o começo que uma manifestação sem pauta claramente definida, só podia acabar dando nisso. Caos!

Muita gente relatando que as pessoas vão manifestar mas na real ficam fumando maconha, bebendo cerveja e escandando gritos e slogans tão elaborados quanto os do futebol! Essas são as pessoas pacíficas, mas quanto aos violentos, melhor nem ficar aqui dando muita visibilidade as atrocidades que tem feito. Antes que alguém argumente que violenta é a política do governo x ou y, vamos deixar claro o seguinte: a pior coisa que você tem a fazer é reagir a violência com violência!

Nesse sentido assistam os vídeos abaixo:

O filme francês La Haine ( O Ódio) trata muito bem do assunto. Inspirado nas revoltas que aconteceram em diversos subúrbios franceses pouco antes do filme ser lançado, mostra bem o ciclo da violência. Mas 30 anos depois, nada mudou nesses bairros e muitas vezes as condições até pioraram!

Para quem quiser ver o filme em francês, basta dar um play abaixo:

– Vejam também esta reportagem que mostra como nada mudou depois das manifestações nesses bairros precários! Clique aqui!

Agora vamos compartilhar um filme que tem muito em comum com o momento actual no Brasil:

“Corações Sujos é um filme sobre intolerância, fundamentalismo, racismo e amor, baseado no best-seller de Fernando Morais e passado no interior de São Paulo logo depois da Segunda Guerra Mundial. Ele conta a história do imigrante japonês Takahashi, dono de uma pequena loja de fotografia, casado com Miyuki, uma professora primária. Inspirado em fatos reais, Corações Sujos nos mostra a transformação de Takahashi de homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência. No Brasil, logo depois da guerra, a imensa população de imigrantes japoneses (a maior fora do Japão) era segregada e reprimida pelo Estado. Para estes imigrantes, oprimidos numa terra estranha, a ideia de derrota na guerra era muito dolorosa. Muitas organizações, alimentadas pela ignorância imposta a eles pelo governo brasileiro, nasceram dedicadas a divulgar a “verdade” da vitória do Japão na guerra e a reprimir e assassinar os “derrotistas” – os “corações sujos”. Takahashi reluta, mas acaba se tornando membro de um destes grupos. A escolha feita por ele, em nome do Espírito Japonês, o transforma também num matador. E Miyuki, sua mulher, nos conta como sua história de amor se perdeu em meio à guerra fratricida – de japoneses contra japoneses – que aconteceu em pleno interior do Brasil.”

Esse filme vai para todos os que ainda não perceberam que ainda que inconscientemente, vem sendo alienados e que o perigo está justamente naqueles que acreditam deter a verdade. Se esse movimento (iniciado e abandonado pelo MPL) fosse realmente organizado, e aceitasse bandeiras de todos os partidos em vez de ficar gritando e afirmando que é apolítico, com certeza teria maior valor como ato em prol da democracia.

Assistam e reflictam, afinal não gostaríamos de ver o povo brasileiro no papél do personagem Takahashi no filme. Ele termina muito decepcionado com a verdade que ele defendia:

Para terminar, compartilharemos um texto de Marília Moschkovich, socióloga, militante feminista, escritora, vez em quando jornalista. Também publica no “Mulher Alternativa” e no “Outras Palavras”. @MariliaMoscou. Muito importante ler e compartilhar!

(Antes de nos xingar e de nos chamar disso ou daquilo, lembrem-se:  violência gera violência e se sua causa é realmente justa não precisa disso para ser amparada. Enviem suas ideias, seus pontos de vista, suas manifestações, mas sejam educados acima de tudo! Como diria Mahatma Gandhi “Seja a mudança que você deseja ver no mundo”.)

“Está tudo tão estranho, e não é à toa.

Um relato do quebra-cabeças que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo fazer valer cada palavra.

[*nota da autora, adicionada após muitos comentários e compartilhamentos desviando um pouco o sentido do texto: este é um texto de esquerda]

Começo explicando que não ia postar este texto na internet. Com medo. Pode parecer bobagem, mas um pressentimento me dizia que o papel impresso seria melhor. O papel impresso garantiria maiores chances de as pessoas lerem tudo, menores chances e copiarem trechos isolados destruindo todo o raciocínio necessário.

Enquanto forma de comunicação, o texto exige uma linearidade que é difícil. Difícil transformar os fatos, as coisas que vi e vivi nos últimos dias em texto. Estou falando aqui das ruas de São Paulo e da diferença entre o que vejo acontecer e o que está sendo propagandeado nos meios de comunicação e até mesmo em alguns blogs.

Talvez essa dimensão da coisa me seja possível porque conheço realmente muita gente, de vários círculos; talvez porque sempre tenha sido ligada à militância política, desde adolescente; talvez porque tenha tido a oportunidade de ir às ruas; talvez porque pude estar conectada na maior parte do tempo. Não sei. Mas gostaria de compartilhar com vocês.

E gostaria que, ao fim, me dissessem se estou louca. Eu espero verdadeiramente que sim, pois a minha impressão é a de que tudo é muito mais grave do que está parecendo.

Tentei escrever este texto mais ou menos em ordem cronológica. Se não foi uma boa estratégia, por favor me avisem e eu busco uma maneira melhor de contar. Peço paciência. O texto é longo.

1. Contexto é bom e mantém a pauta no lugar
Hoje é dia 18 de junho de 2013. Há uma semana, no dia 10, cerca de 5 mil pessoas foram violentamente reprimidas pela Policia Militar paulista na Avenida Paulista, símbolo da cidade de São Paulo. Com a transmissão dos horrores provocados pela PM pela internet, muitas pessoas se mobilizaram para participar do ato seguinte, que seria realizado no dia 13. A pauta era a revogação no aumento das tarifas de ônibus, que já são caras e já excluem diversos cidadãos de seu direito de ir e vir, frequentando a própria cidade onde moram.

No dia 13, então, aconteceu a primeira coisa estranha, que acendeu uma luzinha amarela (quase vermelha de tão laranja) na minha cabeça: os editoriais da folha e do estadão aprovavam o que a PM tinha feito no dia 10 de junho e, mais do que isso, incentivavam ações violentas da pm “em nome do trânsito” [aliás, alguém me faz um documentário sensacional com esse título, faz favor? ]. Guardem essa informação.

Logo após esses editoriais, no fim do dia, a PM reprimiu cerca de 20mil pessoas. Acompanhei tudo de casa, em outra cidade. Na primeira hora de concentração para a manifestação foram presas 70 pessoas, por sua intenção de participar do protesto. Essa intenção era identificada pela PM com o agora famoso “porte de vinagre” (já que vinagre atenua efeitos do gás lacrimogêneo). Muitas pessoas saíram feridas nesse dia e, com os horrores novamente transmitidos – mas dessa vez também pelos grandes meios de comunicação, inclusive esses dos editoriais da manhã, que tiveram suas equipes de reportagem gravemente feridas -, muita gente se mobilizou para o próximo ato.

2. Desonestidade pouca é bobagem
No próprio dia 13, à noite, aconteceu a segunda “coisa estranha”. Logo no final da pancadaria na região da Paulista, sabíamos que o próximo ato seria na segunda-feira, dia 17 de junho. Me incluíram num evento no Facebook, com exatamente o mesmo nome dos eventos do MPL, as mesmas imagens, bandeiras, etc. Só que marcado para sexta-feira, o dia seguinte. Eu dei “ok”, entrei no evento, e comecei a reparar em posts muito, mas muito esquisitos. Bandeiras que não eram as do MPL (que conheço desde adolescente), discursos muito voltados à direita, entre outros. O que estava ali não era o projeto de cidade e de país que eu defendo, ou que o MPL defende.

Dei uma olhada melhor: eram três pessoas que haviam criado o evento. Fucei o pouco que fica público no perfil de cada um. Não encontrei nenhuma postagem sobre nenhuma causa política. Apenas postagens sobre outros assuntos. Lá no fim de um dos perfis, porém, encontrei uma postagem com um grupo de pessoas em alguma das tais marchas contra a corrupção. Alguma coisa com a palavra “Juventude”, não me lembro bem. Ficou claro que não tinha nada a ver com o MPL e, pior que isso, estavam tentando se passar pelo MPL.

Alguém me deu um toque e observei que a descrição dizia o trajeto da manifestação (coisa que o MPL nunca fez, até hoje, sabiamente). Além disso, na descrição havia propostas como “ir ao prédio da rede globo” e “cantar o hino nacional”, “todos vestidos de branco”. O alerta vermelho novamente acendeu na minha cabeça. Hino nacional é coisa de integralista, de fascista. Vestir branco é coisa de movimentos em geral muito ou totalmente despolitizados. Basta um mínimo de perspectiva histórica pra sacar. Pois bem.

Ajudei a alertar sobre a desonestidade de quem quer que estivesse organizando aquilo e meu alerta chegou a uma das pessoas que, parece, estavam envolvidas nessa organização (ou conhecia quem estava). O discurso dela, que conhece alguém que eu conheço, era totalmente despolitizado. Ela falava em “paz”, “corrupção” e outras palavras de ordem vazias que não representam reivindicação concreta alguma, e muito menos um projeto de qualquer tipo para a sociedade, a cidade de São Paulo, etc. Mais um pouco de perspectiva histórica e a gente entende no que é que palavras de ordem e reivindicações vazias aleatórias acabam. Depois de fazer essa breve mobilização na internet com várias outras pessoas, acabaram mudando o nome e a foto do evento, no próprio dia 13 de noitão. No dia seguinte transferiram o evento para a segunda-feira, “para unir as forças”, diziam.

3. E o juiz apita! Começa a partida!
Seguiu-se um final de semana extremamente violento em diversos lugares do país. Era o início da Copa das Confederações e muitos manifestantes foram protestar pelo direito de protestarem. O que houve em sp mostrou que esse direito estava ameaçado. Além disso, com a tal “lei da copa”, uma legislação provisória que vale durante os eventos da FIFA, em algumas áreas publicas se tornam proibidas quaisquer tipos de manifestações políticas. Quer dizer, mais uma ameaça a esse direito tão fundamental numa [suposta] democracia.

No final de semana as manifestações não foram tão grandes, mas significativas em ao menos três cidades: Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. No DF e no RJ as polícias militares seguiram a receita paulista e foram extremamente violentas. A polícia mineira, porém, parecia um exemplo de atuação cidadã, que repassamos, compartilhamos e apoiamos em redes sociais do lado de cá do sudeste.

Não me lembro bem, mas acho que foi no intervalo entre uma coisa e outra que percebi a terceira “coisa estranha”. Um pouco depois do massacre na região da Paulista, e um pouco antes do final de semana de horrores, mais um sinal: ficamos sabendo que uma conhecida distante, depois do dia 13, pegou um ônibus para ir ao Rio de Janeiro. Essa pessoa contou que a PM paulista parou o ônibus na estrada, antes de sair do Estado de São Paulo. Mandaram os passageiros descerem e policiais entraram no veículo. Quando os passageiros subiram novamente, todas as coisas, bolsas, malas e mochilas estavam reviradas. A policial perguntou a essa pessoa se ela tinha participado de algum dos protestos. Pediu pra ver o celular e checou se havia vídeos, fotografias, etc.

Não à toa e no mesmo “clima”, conto pra vocês a quarta “coisa estranha”: descobrimos que, após o ato em BH, um rapaz identificado como uma das lideranças políticas de lá foi preso, em sua casa. Parece que a nossa polícia exemplar não era tão exemplar assim, mas agora ninguém compartilhava mais. Coisas semelhantes aconteceram em Brasília, antes mesmo das manifestações começarem.

4. Sequestraram a pauta?
Então veio a segunda-feira. Dia 17 de junho de 2013. Ontem. Havia muita gente se prontificando a participar dos protestos, guias de segurança compartilhados nas redes, gente montando pontos de apoio, etc. Uma verdadeira mobilização para que muita gente se mobilizasse. Estávamos otimistas.

Curiosamente, os mesmos meios de comunicação conservadores que incentivaram as ações violentas da PM na quinta-feira anterior (13) de manhã, em seus editoriais, agora diziam que de fato as pessoas deveriam ir às ruas. Só que com outras bandeiras. Isso não seria um problema, se as pessoas não tivessem, de fato, ido à rua com as bandeiras pautadas por esses grupos políticos (representados por esses meios de comunicação). O clima, na segunda-feira, era outro. Era como se a manifestação não fosse política e como se não estivesse acontecendo no mesmo planeta em que eu vivo. Meu otimismo começou a decair.

A pauta foi sequestrada por pessoas que estavam, havia alguns dias, condenando os manifestantes por terem parado o trânsito, e que são parte dos grupos sociais que sempre criminalizaram os movimentos sociais no Brasil (representados por um pedaço da classe política, estatisticamente o mais corrupto – não, não está nem perto de ser o PT -, e pelos meios de comunicações que se beneficiam de uma política de concessões da época da ditadura). De repente se falava em impeachment da presidenta. As pessoas usavam a bandeira nacional e se pintavam de verde e amarelo como ordenado por grandes figurões da mídia de massas, colunistas de opinião extremamente populares e conservadores.

As reações de militantes variavam. Houve quem achasse lindo, afinal de contas, era o povo nas ruas. Houve quem desconfiasse. Houve quem se revoltasse. Houve quem, entre todos os sentimentos possíveis, ficasse absolutamente confuso. Qualquer levante popular em que a pauta não eh muito definida cria uma situação de instabilidade política que pode virar qualquer coisa. Vimos isso no início do Estado Novo e no golpe de 1964, ambos extremamente fascistas. Não quer dizer que desta vez seria igual, mas a história me dizia pra ficar atenta.

5. Não, sequestraram o ato!
A passeata do dia 17, segunda-feira, estava marcada para sair do Largo da Batata, que fica numa das pontas da avenida Faria Lima. Não se sabia, não havia decisão ainda, do que se faria depois. Aos que não entendem, a falta de um trajeto pré-definido se justifica muito bem por duas percepções: (i) a de que é fácil armar emboscadas para repressão quando divulga-se o trajeto; e, (ii) mais importante do que isso, a percepção de que são as pessoas se manifestando, na rua, que devem definir na hora o que fazer. [e aqui, se vocês forem espertos, verão exatamente onde está a minha contradição – que não nego, também me confunde]

A passeata parecia uma comemoração de final de copa do mundo. Irônico, não? Começamos a teorizar (sem muita teoria) que talvez essa fosse a única referência de manifestações públicas que as pessoas tivessem, em massa:o futebol. Os gritos eram do futebol, as palavras de ordem eram do futebol. Muitas camisetas também eram do futebol. Havia inclusive uns imbecis soltando rojões, o que não é muito esperto pois pode gerar muito pânico considerando que havia poucos dias muita gente ali tinha sido bombardeada com gás lacrimogêneo. Havia pessoas brincando com fogo. [guardem essa informação do fogo também]

Agora uma pausa: vocês se lembram do fato estranho número dois? O evento falso no facebook? Bom, o trajeto desse evento falso incluía a Berrini, a ponte Estaiada e o palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Reparem só.

Quando a passeata chegou ao cruzamento da Faria Lima com a Juscelino, fomos praticamente empurrados para o lado direito. Nessa hora achamos aquilo muito esquisito. Em nossas cabeças, só fazia sentido ir à Paulista, onde havíamos sido proibidos de entrar havia alguns dias. Era uma questão de honra, de simbologia, de tudo. Resolvemos parar para descobrir se havia gente indo para o lado oposto e subindo a Brigadeiro até a Paulista. Umas amigas disseram que estavam na boca do túnel. Avisei pra não irem pelo túnel que era roubada. Elas disseram então que estavam seguindo a passeata pela ponte, atravessando a Marginal Pinheiros.

Demoramos um tanto pra descobrirmos, já prontos pra ir para casa broxados, que havia gente subindo para o outro lado. Gente indo à esquerda. Era lá que preferíamos estar. Encontramos um outro grupo de pessoas conhecidas e amigas e seguimos juntos. As palavras de ordem não mudaram. Eram as mesmas em todos os lugares. As pessoas reproduziam qualquer frase de efeito tosca de manira acrítica, sem pensar no que estavam dizendo. Efeito “multidão”, deve ser.

As frases me incomodaram muito. Nem uma só palavra sobre o governador que ordenara à PM descer bala, cassetete e gás na galera havia poucos dias. Que promove o genocídio da juventude negra nessa cidade todos os dias, há 20 anos. Nem mesmo uma. Os culpados de todos os problemas do mundo, para os verde-amarelos-bandeira-hino eram o prefeito e a presidenta. Ou essas pessoas são ignorantes, ou são extremamente desonestas.

Nem chegamos à Paulista, incomodados com aquilo. Fomos para casa nos sentindo muito esquisitos. Aí então conseguimos entender que aquelas pessoas do evento falso no facebook tinham conseguido de alguma maneira manobrar uma parte muito grande de pessoas que queria ir se manifestar em outro lugar. A falta de informação foi o que deu poder para esse grupo naquele momento específico. Mas quem era esse grupo? Não sei exatamente. Mas fiquei incomodada.

6. O centro em chamas.
Quem diria que essa sensação bizarra e sem nome da segunda-feira faria todo sentido no dia seguinte? Fez. Infelizmente fez. O dia seguinte, “hoje”, dia 18 de junho de 2013, seria decisivo. Veríamos se as pessoas se desmobilizariam, se a pauta da revogação do aumento se fortaleceria. Essa era minha esperança que, infelizmente, não se confirmou. A partir daqui são todos fatos recentes, enquanto escrevo e vou tentar explica-los em ordem cronológica. Aviso que foram fazendo sentido aos poucos, conforme falávamos com pessoas, ouvíamos relatos, descobríamos novas informações. Essa é minha tentativa de relatar o que eu vi, vivi, experienciei.

No fim da tarde, pegamos o metrô Faria Lima lotadíssimo um pouco depois do horário marcado para a manifestação. Perguntei na internet, em redes sociais, se o ato ainda estava na concentração ou se estava andando, e para onde. Minha intenção era saber em qual estação descer. Me disseram, tomando a televisão como referencia (que é a referencia possível, já que não havia um único comunicado oficial do MPL em lugar algum) que o ato estava na prefeitura. Guardem essa informação.

Fomos então até o metrô República. Helicópteros diversos sobrevoavam a praça e reparei na quinta “coisa estranha”: quase não havia polícia. Acho que vimos uns três ou quatro controlando curiosamente a ENTRADA do metrô e não a saída… Quer dizer, quem entrasse no metro tinha mais chance de ser abordado do que quem estava saindo, ao contrário do dia 13.

A manifestação estava passando ali e fomos seguindo, até que percebemos que a prefeitura era outro lado. Para onde estavam indo essas pessoas? Não sabíamos, mas pelos gritos, pelo clima de torcida de futebol, sabíamos que não queríamos estar ali, endossando algo em que não acreditávamos nem um pouco e que já estávamos julgando ser meio perigoso. Quando passamos em frente à câmara de vereadores, a manifestação começou a vaiar e xingar em massa. Oras, não foram eles também que encheram aquela câmara com vereadores? O discurso de ser “apolítico” ou “contra” a classe política serve a um único interesse, a história e a sociologia nos mostram: o dos grupos conservadores para continuarem tocando a estrutura social injusta como ela é, sem grandes mudanças. Pois era esse o discurso repetido ali.

Resolvemos então descer pela rua Jandaia e tentar voltar à Sé, pois disseram nas redes sociais que o ato real, do MPL, estava no Parque Dom Pedro. Como aquilo fazia mais sentido do que um monte de pessoas bem esquisitas, com cartazes bem bizarros, subindo para a Paulista, lá fomos nós.

Outro fato estranho, número seis: no meio da Rua Jandaia, num local bem visível para qualquer passante nos viadutos do centro, um colchão em chamas. A manifestação sequer tinha passado ali. Uma rua deserta e um colchão em chamas. Para quê? Que tipo de sinal era aquele? Quem estava mandando e quem estava recebendo? Guardamos as mascaras de proteção com medo de sermos culpados por algo que não sabíamos sequer de onde tinha vindo e passamos rápido pela rua.

Cruzamos com a mesma passeata, mais para cima, que vinha lá da região que fica mais abaixo da Sé, mas não sabíamos ainda de onde. Atrás da catedral, esperamos amigos. Uma amiga disse que o marido estava chateado porque não conseguiu pegar trem na Vila Olímpia. Achamos normal, às vezes a CPTM trava mesmo, daí essa porcaria de transporte e os protestos, etc. pois bem. Guardem a informação.

Uma amiga ligou dizendo que estava perto do teatro municipal e do Vale do Anhangabaú, que estava “pegando fogo”. Imbecil que me sinto agora, na hora achei que ela estava falando que estava cheio de gente, bacana, legal. [que tonta!] Perguntei se era o ato do MPL, se tinha as faixas do MPL. Ela disse que sim mas não confiei muito. Resolvemos ir ver.

[A partir daqui todos os fatos são “estranhos”. Bem estranhos.]

O clima no centro era muito tenso quando chegamos lá. Em nenhum dos outros lugares estava tão tenso. Tudo muito esquisito sem sabermos bem o quê. Os moradores de rua não estavam como quem está em suas casas. Os moradores de rua estavam atentos, em cantos, em grupos. Poucos dormiam. Parecia noite de operação especial da PM (quem frequenta de verdade a cidade de São Paulo, e não apenas o próprio bairro, sabe bem o que é isso entre os moradores de rua).

Só que era ainda mais estranho: não havia polícia. Não havia polícia no centro de São Paulo à noite. No meio de toda essa onda. Não havia polícia alguma. Nadinha de nada, em lugar nenhum.

Na Sé, descobrimos mais ou menos o caminho e fomos mais ou menos andando perto de outras pessoas. Um grupo de franciscanos estava andando perto de nós, também. Vimos uma fumaça preta. Fogo. MUITO fogo. Muito alto. O centro em chamas.

Tentamos chegar mais perto e ver. Havia pessoas trepadas em construções com latas de spray enquanto outros bradavam em volta daquela coisa queimando que não conseguíamos identificar. Outro colchão? Os mesmos que deixaram o colchão queimando na Jandaia? Mas quem eram eles?

De repente algumas pessoas gritaram e nós,mais outros e os franciscanos, corremos achando que talvez o choque estaria avançando. Afinal de contas, era óbvio que a polícia iria descer o cacete em quem tinha levantado aquele fogaréu (aliás, será q ela só tinha visto agora, que estava daquele tamanho todo?). Só que não.

Na corrida descobrimos que era a equipe da TV Record. Estavam fugindo do local – a multidão indo pra cima deles – depois de terem o carro da reportagem queimado. Não, não era um colchão. Era o carro de reportagem de uma rede de televisão. O olhar no rosto da repórter me comoveu. Ela, como nós, não conseguia encontrar muito sentido em tudo que estava acontecendo. Ao lado de onde conversávamos, uns quatro policiais militares. Parados. Assistindo o fogo, a equipe sendo perseguida… Resolvemos dar no pé que bobos nós não somos. Tinha algo muito, mas muito errado (e estranho) ali.

Voltamos andando bem rápido para a Sé, onde os moradores de rua continuavam alertas, e os franciscanos tentavam recolher pertences caídos pelo chão na fuga e se organizarem novamente para dar continuidade a sua missão. Nós não fomos tão bravos e decidimos voltar para nossas casas.

7. Prelúdio de um… golpe?
No metrô um aviso: as estações de trem estavam fechadas. É, pois é, aquela coisa que havíamos falado antes e tal. Mal havíamos chegado em casa, porém, uma conhecida posta no facebook que um amigo não conseguiu chegar em lugar nenhum porque algumas pessoas invadiram os trilhos da CPTM e várias estações ficaram paradas, fechadas. Não era caos “normal” da CPTM, nem problemas “técnicos” como a moça anunciava. Era de propósito. Seriam os mesmos do colchão, do carro da Record?

Lemos, em seguida, em redes sociais, que havia pessoas saqueando lojas e destruindo bancos no centro. Sabíamos que eram o mesmos. Recebi um relato de que uma ocupação de sem-teto foi alvo de tentativa (?) de incêndio. Naquele momento sabíamos que, quem quer que estivesse por trás do “caos” no centro, da depredação de ônibus na frente do Palácio dos Bandeirantes no dia anterior, de tentativas de criar caos na prefeitura, etc. não era o MPL. Também sabíamos que não era nenhum grupo de esquerda: gente de esquerda não quer exterminar sem-teto. Esse plano é de outro grupo político, esse que manteve a PM funcionando nos últimos 20 anos com a mesma estrutura da época da ditadura militar.

Algum tempo depois, mais uma notícia: em Belo Horizonte, onde já se fala de chamar a Força Nacional e onde os protestos foram violentíssimos na segunda-feira, havia ocorrido a mesma coisa. Depredação total do centro da cidade, sem nenhum policial por perto. Nenhunzinho. Muito estranho.

Nessa hora eu já estava convencida de que estamos diante de uma tentativa muito séria de golpe, instauração de estado de exceção, ou algod do tipo. Muito séria. Muito, muito, muito séria. Postei algumas coisas no facebook, vi que havia pessoas compartilhando da minha sensação. Sobretudo quem havia ido às ruas no dia de hoje.

Um pouquinho depois, outra notícia: a nova embaixadora dos EUA no Brasil é a mesma embaixadora que estava trabalhando no Paraguai quando deram um golpe de estado em Fernando Lugo.

Me perguntaram e eu não sei responder qual golpe, nem por que. Mas se o debate pela desmilitarização da polícia e pelo fim da PM parece que finalmente havia irrompido pelos portões da USP, esse seria um ótimo motivo. Nem sempre um golpe é um golpe de Estado. Em 1989 vivemos um golpe midiático de opinião pública, por exemplo. Pode ser que estejamos diante de outro. Essa é a impressão que, ligando esses pontos, eu tenho.

Já vieram me falar que supor golpe “desmobiliza” as pessoas, que ficam em casa com medo. De forma alguma. Um “golpe” não são exércitos adentrando a cidade. Não necessariamente. Um “golpe” pode estar baseado na ideia errônea de que devemos apoiar todo e qualquer tipo de indignação, apenas porque “o povo na rua é tão bonito!”.

Curiosamente, quando falei sobre a manifestação do dia 13 com meus alunos, no dia 14, vários deles me perguntaram se havia chances de golpes militares, tomadas de poder, novas ditaduras. A minha resposta foi apenas uma, que ainda sustento sobre este possível golpe de opinião pública/mídia: em toda e qualquer tentativa de golpe, o que faz com que ela seja ou não bem-sucedida é a resposta popular ao ataque. Em 1964, a resposta popular foi o apoio e passamos a viver numa ditadura. Nos anos 2000, a reposta do povo venezuelano à tentativa de golpe em Chávez foi a de rechaço, e a democracia foi restabelecida.

O ponto é que depende de nós. Depende de estarmos nas ruas apoiando as bandeiras certas (e há pessoas se mobilizando para divulgar em tempo real, de maneira eficaz, onde está o ato contra o aumento da passagem, porque já não podemos dizer que é apenas “um” movimento, como fez Haddad em sua entrevista coletiva). Depende de nos recusarmos a comprar toda e qualquer informação. Depende de levantarmos e irmos ver com nossos próprios olhos o que está acontecendo.

Se essa sequencia de fatos faz sentido pra você, por favor leia e repasse o papel. Faça uma cópia. Guarde. Compartilhe. Só peço o cuidado de compartilharem sempre integralmente. Qualquer pessoa mal-intencionada pode usar coisas que eu disse para outros fins. Não quero isso.

Quero apenas que vocês sigam minha linha de raciocínio e me digam: estamos mesmo diante da possibilidade iminente de um golpe?

Estou louca?

Espero sinceramente que sim. Mas acho que não.

 

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– Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente

– Violência e razão.

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