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O Spotify poderia ajudar novos artistas a ganhar dinheiro?

Uma análise sobre o futuro do Spotify e do streaming de maneira geral.

Que tal refletirmos dois minutos no  debate atual sobre « artistas contra o Spotify ». O debate está sendo abordado como se tudo fosse preto ou branco: « música vs tecnologia », « tradição vs inovação », « artistas vs multinacionais ».

Pelo menos 80% do debate está baseado em rumores, dados voluntariamente mal interpretados, antigos rancores, e a lembrança infelizmente real, de que vários artistas foram enganados pelos novos métodos de distribuição.

Na nossa opinião, um dos problemas é que o Spotify utilizou toda sua energia para conquistar a indústria musical, assinando contratos de licença com todos os selos cujos portfólios eles desejavam ter. Desse ponto de vista aliás, o Spotify foi muito bem sucedido.

O argumento é relativamente simples: O streaming canibaliza mais a pirataria que as vendas, e ainda que o retorno financeiro de uma audição online seja bem inferior ao da venda de um CD ou MP3, o fato de ser remunerado por cada escuta, acaba sendo mais benéfico a longo prazo. Esses dois argumentos são verídicos e eis a prova:

Na Noruega, a venda de música aumentou de 17% no primeiro semestre de 2013, em relação a 2012. Um aumento surpreendente no contexto atual da indústria musical. O streaming representa 66% do total das vendas na Noruega, e a pirataria diminuiu de 81,9% desde 2008.

Enquanto isso, na Suécia, a venda de música teve um aumento de 13,8% em 2012, e o streaming representa atualmente 57,5% das vendas de música no país. Em ambos os países, o streaming relançou a indústria musical depois de mais de 10 anos de declínio.

Essa é a chave do debate, e também a razão pela qual o argumento do Spotify, que garante que, desde que existem, depositaram 500 milhões de dólares nas contas dos criativos que possuem os direitos autorais de cada música, e contam depositar o mesmo valor em 2013, entra por uma orelha e sai pela outra.

O debate não trata de definir o valor trazido por Spotify à indústria musical, mas do valor trazido por Spotify aos novos artistas.

O valor que tem para artistas já estabelecidos, já foi provado. Quanto mais conhecido você for, maior o número de pessoas que irá escutar sua música no Spotify e por consequência maior será o número de audições por fãs.

spotify revenus

Isso significa que para os Rolling Stones (ou Metallica, Jay-Z ou Pink Floyd), colocar suas músicas em plataformas de streaming é uma escolha lógica, apesar de que vimos recentemente que o Radiohead decidiu sair do Spotify, em solidariedade aos “pequenos” e novos artistas.

Mas este debate não diz respeito a esse tipo de artistas. Trata-se de falar dos novos artistas emergentes.

Nos parece que o Spotify terá que responder a uma série de perguntas: como podemos ajudar novos artistas a ganhar dinheiro? Como os ajudamos hoje em dia? Como poderíamos melhorar nossos serviços para ajudá-los ainda mais no futuro?

Existem diversos meios para que um músico ganhe dinheiro em 2013: cada vez mais fontes de renda (basta ver essa lista com  42 maneiras de ganhar dinheiro como músico independente) ; cada vez mais demanda nas plataformas digitais e nas redes sociais. Mas não se engane, enquanto tiver cuidando dessas atividades, você não estará fazendo música.

É muito trabalho. E não somente para os músicos. Com certeza, dá ainda mais trabalho se um jornalista freelancer em 2013: mais fontes de renda, mais demanda nas plataformas digitais, redes sociais, etc… Isso é muito estimulante, porque significa que as barreiras estão sendo derrubadas em distintas áreas, mas representa também muito trabalho.

Por isso, não devemos  considerar quem vem criticando o Spotify como pessoas que recusam o progresso, que não desejam se adaptar a nova era digital, e que fazem somente o mínimo para “sobreviver”. Muitos artistas estão lutando para conseguir, entrando em interação com seus fãs por Twitter e Facebook, disponibilizando sons  no Bandcamp e outros distribuidores digitais, criando campanhas de crowdfunding, utilizando YouTube, criando seus próprios sites web…

Alguns artistas são a favor do Spotify e do streaming. Outros são veementemente contra. A maioria está entre  as duas posições, tentando, como nós, entender o impacto a longo prazo das mudanças da propriedade ao acesso, sobre a maneira como as pessoas encontram, escutam, compartilham e compram música.

Voltemos a questão central: Como o streaming pode ajudar novos artistas a ganhar dinheiro? Pink Floyd e Jay-Z vão sobreviver. Os Eagles não terão nenhuma  insônia ao olhar suas contas bancarias. Todos vão muito bem.

Mas como garantir que os próximos  Pink Floyd e Jay-Z não abandonem a música antes de terem gravado seus « The Piper at the Gates of Dawn » ou « Reasonable Doubt » ? Como os serviços de streaming podem não somente encontrar uma audiência, e paralelamente encontrar fontes de renda acessíveis?

Se você fosse um artista com algo entre  500-1000 fãs, o que pensaria caso o Spotify desse visibilidade ao seu trabalho e o expusesse a    10 000 ou 100 000 pessoas cujos gostos musicais indicam que poderiam gostar de sua música?

Mais visibilidade, oportunidades de fontes de renda, e, além do mais, os serviços de streaming poderiam compartilhar (anonimamente) com os artistas, os dados recolhidos sobre os utilizadores, para ajudar os músicos a organizar tournées por exemplo.

Mas na nossa opinião, a melhor maneira que as plataformas de streaming tem para ajudar os novos artistas, é de ir além e conectar os exploradores de música entre si, e fazer com que gastem dinheiro pelo artista. Isso já acontece em alguns casos: o Songkick por exemplo, nos avisa se um artista que já escutamos está passando por nossa região.

Se cada pessoa que escutou sua música no Spotify pudesse ver as suas próximas datas de shows, ou se você vendesse um pacote exclusivo no Bandcamp, um mix no Beatport, uma camisa em edição limitada, etc…  Se um serviço de streaming direcionasse cada pessoa que escutasse sua música para uma campanha no site Zarpante, quem financiaria seu novo disco?

E se o Spotify (Deezer, Rdio, e companhia) melhorassem seus serviços e funcionassem como um funil que direcionasse as pessoas a todos seus sites, links e fontes de renda, e continuasse lhe pagando por cada escuta?

Virginie Berger Don't believe the Hype

Isso poderá acontecer! O fabricante de fones de ouvido, audio Beats, vai lançar seu serviço « Daisy » este ano, com a  intenção de direcionar os fãs a suas outras fontes de renda.

Provavelmente outros surgirão como o Daisy. Todos os serviços de streaming podem e deveriam ter a mesma visão.

Don't believe the Hype Virginie Berger

Estamos em uma era em que os artistas, mais do que nunca, precisam se posicionar e refletir sobre como o streaming poderia ajudá-los de uma maneira mais eficaz. Eles precisam trabalhar diretamente com os serviços digitais em vez de deixar os selos e editores a cargo disso.

Veja também:

– Música e internet (parte 3)

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Líder do Radiohead defende os direitos dos artistas

Os tempos mudam, os problemas persistem…

A industria musical sempre teve um grande problema: quem mais ganha com a venda de um disco, são as gravadoras e não os músicos. A internet, e seus novos meios de distribuição representam uma alternativa interessante, que poderia realmente mudar a maneira como se produz e como consumimos música. Poderia ser o caso do site Spotify, que surge como um dos novos líderes no mercado da música digital, mas que precisaria ter uma melhor repartição dos ganhos entre gravadoras e artistas, para não vir a ser apenas mais uma simples reprodução online, das lojas offline.

Thom Yorke, Radiohead, e também Nigel Godrich, produtor do grupo, declararam guerra à plataforma sueca de streaming, Spotify. Eles estimam que a plataforma remunera mal os novos artistas e por consequência, eles retiraram todos seus trabalhos do site.

Eis o que disse  Thom Yorke no Twitter: « Não se enganem: os novos artistas, que vocês descobrem no Spotify, não serão pagos. Enquanto isso, os acionários estão enchendo os bolsos».

Ele estima que «pequenos labels e jovens artistas» não podem chegar lá vendendo suas músicas pelo Spotify.

Calcula-se que  para cada música escutada, o artista fique com um valor entre 0,003 et 0,005 Euros! Um sistema que não é realmente rentável para os “pequenos”. Ninguém há de negar!

As grandes gravadoras como Warner, Universal e Sony, acionistas do Spotify, ficam com a maior parte dos fundos. E é exatamente contra isso que Thom Yorke e seu grupo estão revoltados, mas apesar de terem reaberto o debate, tem muitos artistas por aí que discordam do Radiohead!

radiohead-in-rainbows

Tim Vignon, o ex manager do grupo Streets (que se fosse realmente artista não seria manager), pergunta:

«Se o grupo se sente tão preocupado com os novos artistas e suas remunerações, porque que eles não doam alguns de seus milhões a alguns desses novos artistas?». Esse mesmo rapaz, trabalhou como acessor de imprensa para The Verve, e na época, criticou o Radiohead por ter lançado gratuitamente um álbum deles pela net. Agora Zarpante pergunta: A música é do Radiohead certo? Então quem é o acessor de imprensa dos The Verve para falar sobre o que Radiohead deveria ou não fazer com sua própria música?

Tim Vignon argumenta:

« Um grupo que nada no dinheiro, resolve distribuir um cd gratuitamente unicamente poque eles podem se dar esse privilégio. Além do mais isso promoveu uma tourné mundial muito rentável, sem falar no dinheiro vindo das rádios, etc […]».

Quanta à Spotify, eles argumentam o seguinte:

«Nós já pagamos 500 milhões de dólares aos músicos sob forma de direitos autorais e até o fim do ano esse número irá atingir a marca de 1 bilhão de dólares. Boa parte desse dinheiro é investido para fomentar novos talentos e produzir novos grupos».

Radiohead, e seu líder Thom Yorke, desejam « encontrar um sistema no qual os artistas, os produtores, e todos os criadores de música, possam receber o que eles julgam ser uma remuneração justa e equlibrada»

O debate está apenas começando!

E você músico português, angolano, brasileiro, etc… O que acha desse debate?

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