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A poesia do Marinheiro

Filipe Marinheiro é um poeta português nascido em Coimbra, 30 de Julho de 1982. Tem publicadas 2 obras poéticas pela Chiado Editora e conta com a ajuda de todos os interessados para lançar seu terceiro livro: “Noutros Rostos”.

Conheçam um pouco mais a obra do poeta logo abaixo:

Leiam agora 4 poemas que estarão no livro “Noutros Rostos”:

 

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Agora contamos com vocês para editar o livro completo! Acessem o link seguinte e participem: Noutros Rostos

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7 dias para que Vinicius de Moraes ressuscite no Morro da Babilônia

Você que mora no Rio de Janeiro: já foi ao Morro da Babilônia? Ainda não? Esta é sua chance de conhecer uma das mais belas vistas da cidade!

São prémios como este que esperam pelas almas (sensíveis à poesia nossa de cada dia), que contribuírem para este projeto! Uma poesia com a  cara do Vinicius de Moraes, que gostava tanto de encontrar poesia nas pequenas coisas do dia a dia.

Com alguns minutos de seu tempo e mais alguns cliques, você pode ajudar a levar os nome de Vinicius de Moraes, do Morro da Babilônia, e do realizador Rafael Gomez! São poucos cliques, mas mudam a vida de muitas pessoas. O projeto leva cultura ao morro e paralelamente, leva a cultura brasileira ao mundo! Mas para que tudo isso possa acontecer, precisamos de sua ajuda já!

Faltam somente 7 dias e o projeto pode atingir em poucas horas o valor necessário, mas para isso precisamos que todos os amantes de Vinicius, todas as almas poéticas, todos os apreciadores de cultura, companhias ou empresas (interessadas por marketing cultural a um preço acessível), todos os amigos, familiares, etc, participem de forma ativa dessa reta final! Clique aqui e faça sua parte! Contamos com cada um de vocês e agradecemos antecipadamente aos que já participaram e aos que irão se mobilizar!

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Poemas eróticos recheados com ilustrações

Para começar 2014 em alta temperatura, que tal alguns poemas eróticos de Carlos Drummond de Andrade, acompanhados por ilustrações do Italiano Milo Manara?

– Do livro “O Amor Natural”:

“Oh! Sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Porque seremos mais castos
Que o nosso avô português?”
Manara

Manara

– Mimosa boca errante

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?
Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.
Já sei a eternidade: é puro orgasmo.

– Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus.

– Sob o chuveiro amar:

Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo — é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fonte?

– Sublime Puta

Ó tu, sublime puta encanecida,

que me negas favores dispensados
em rubros tempos, quando nossa vida
eram vagina e fálus entrançados,
agora que estás velha e teus pecados
no rosto se revelam, de saída,
agora te recolhes aos selados
desertos da virtude carcomida.
E eu queria tão pouco desses peitos,
da garupa e da bunda que sorria
em alva aparição no canto escuro
Queria teus encantos já desfeitos
re-sentir ao império do mais puro
tesão, e da mais breve fantasia.

– A castidade com que abria as coxas

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas
e tão estreita, como se alargava.
Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.
Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.

– A lingua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

 

– Sugar e ser sugado pelo amor

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

– No corpo feminino, esse retiro

No corpo feminino, esse retiro
 a doce bunda – é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
pois tanto mais a apalpo quanto a miro.
Que tanto mais a quero, se me firo
em unhas protestantes, e respiro
a brisa dos planetas, no seu giro
lento, violento… Então, se ponho e tiro
a mão em concha – a mão, sábio papiro,
iluminando o gozo, qual lampiro,
ou se, dessedentado, já me estiro,
me penso, me restauro, me confiro,
o sentimento da morte eis que o adquiro:
de rola, a bunda torna-se vampiro.

– A Bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.

Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai

pela frente do corpo. A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.

Ora – murmura a bunda – esses garotos

ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas

em rotundo meneio. Anda por si

na cadência mimosa, no milagre

de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte

Por conta própria. E ama.

Na cama agita-se. Montanhas

Avolumam-se, descem. Ondas batendo

Numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz

Na carícia de ser e balançar.

Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,

Redunda.

Vejam também:

– A poesia do Marinheiro

– Paz no Futebol

 

 

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Boas Festas

Zarpante deseja a todos um Feliz Natal!

Estamos chegando perto do final de mais um ano e prestes a entrar em 2014 com ainda mais garra e disposição para que a Nau Zarpante,  seus diversos parceiros e seus vários navegantes e seguidores, continuem a desbravar mares culturais cada vez mais intensos.

Como é de costume no Blog Zarpante, mesmo quando falamos de um tema ou de uma data específica de comemoração, não deixamos de compartilhar algum trabalho artístico associado ao tema. Vejam abaixo um poema sobre o Natal escrito por Vininha!

Español: Vinicius de Moraes

Español: Vinicius de Moraes (Photo credit: Wikipedia)

Poema de Natal  – Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

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Lamento no morro

Quem não conhece a música “Lamento no morro” de Vinícius de Moraes, tem agora 14 oportunidades para descobrir ou redescobrir essa pérola da cultura brasileira.

Aproveite para descobrir o belo projeto logo abaixo:

Contribua seja como for! Não fique fora dessa! A participação de cada uma das pessoas que acessar este artigo fará toda a diferença! Unidos por esse projeto podemos ressuscitar a alma de Vinícius no Morro da Babilônia. O famoso morro do Orfeu Negro! Clique aqui para participar!

Veja abaixo algumas fotos do projeto Lamento no morro:

Agora vamos às versões de Lamento no morro! Algumas brasileiras, outras do Japão ou dos USA, algumas caseiras outras profissionais, com cantores, cantoras ou simplesmente instrumentais!

Bethânia:

Vinícius de Moraes:

Quarteto Maogani:

Roberto Paiva:

Milton Nascimento:

Vittor Santos:

Coqueirais:

Vanessa da Mata:

Nara Leão:

Nilson Matta (Black Orpheus):

BossaCapybara:

Sambosseros:

Paul Sonnenberg:

Veja também:

– Poeta, Poetinha

– Assim chegaremos lá!

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Poemas anti-salazaristas de Fernando Pessoa

António de Oliveira Salazar, Portugal

António de Oliveira Salazar, Portugal (Photo credit: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian)

Pessoa escreveu diversos poemas e textos anti-Salazar. Conheçam alguns abaixo:

COITADINHO DO TIRANINHO
Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho,
Nem sequer sozinho…
Bebe a verdade
E a liberdade,
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné,
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.
( poema de Fernando Pessoa)

Mata os piolhos maiores (Pessoa)

Mata os piolhos maiores
Essa droga que tu dizes.
Mas inda há bichos piores.
Vê lá se arranjas veneno
(Ou grande, ou médio e pequeno)
Para matar directrizes.

O rei reside em segredo

O rei reside em segredo
No governar da Nação,
Que é um realismo com medo
Chama-se nação ao Rei
E tudo isto é Rei-Nação.

A República pragmática
Que hoje temos já não é
A meretriz democrática.
Como deixou de ser pública
Agora é somente Ré.

Fernando Pessoa, 1935
E o Salazar, artefacto

E o Salazar, artefacto
De um deus de régua e caneta,
Um materialão abstracto
Que crê que a ordem é alma
E que uma estrada a completa.

Não há poesia nele

Ai, nosso Sidónio Pais,
Tu é que eras português!

Um materialão abstracto,

Vive na orgia do exacto

Manda o país penhorado
Por uma estrada melhor.

Dizem que o Jardim Zoológico

Dizem que o Jardim Zoológico
Tem sido mais concorrido
Por prolongada assistência
Atenta a cada animal.
Mas isso que é senão lógico
Se acabou
A concorrência
Porque fechou
A Assembleia Nacional?

Se você é anti-salazarista como nós e como Fernando Pessoa, clique aqui e participe do projeto Morte Súbita!

Vejam também:

– A poesia do Marinheiro

– Ainda existem pessoas que defendem Salazar

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Outra homenagem ao poeta centenário

Mais uma homenagem ao mestre Vinícius de Moraes! Desta vez um texto do próprio e algumas fotos:

“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ‘ Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !’ Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque… Ser seu amigo já é um pedaço dele !”

Vinicius de Moraes

Vejam também:

– A poesia do Marinheiro

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Alexandre Francisco Diaphra inaugura “A Cigarra” no Centro Cultural Malaposta

Dia 2 de novembro de 2013, Zarpante convida os alfacinhas para assistir ao lançamento de “A Cigarra”, no Centro Cultural Malaposta!

Garanta já seu bilhete pelo TicketLine e venha conhecer um artista que mistura como poucos a poesia, o ritmo e o audiovisual!

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Uma flor única

Quem estiver em Floripa deveria aproveitar para marcar presença.

Quem estiver em Floripa deveria aproveitar para marcar presença.

A artista Flôr Kepah é dessas flores únicas que todos deveriam conhecer!

Para quem ainda não teve essa chance, a hora é essa: até dia 2 de setembro de 2013 a artista, que tem obras na Galeria Zarpante, estará expondo parte de seu belo trabalho artístico na Galeria Chardonnay em Florianópolis.

Flôr Kepah e alguns de seus quadros

Flôr Kepah e alguns de seus desenhos

É curioso que até o nome do bairro em que acontece a exposição tenha algo em comum com Zarpante e com a lusofonia: corram ao Bairro Santo Antônio de Lisboa pois são os últimos dias para ver essa exposição que vai até dia 2 de setembro!

A artista foi entrevistada na rádio comunitária Campeche, no programa semanal Arrastão e quem quiser pode conferir no link abaixo:

Entrevista de Flôr Kepah

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