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Literatura moçambicana!

Noémia de Sousa

Noémia de Sousa

Noémia de Sousa

 “Escritora moçambicana, Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares nasceu a 20 de Setembro de 1926, em Lourenço Marques (hoje Maputo), Moçambique. O seu trabalho poético continua por publicar em livro. Poetiza que, numa espécie de postura predestinada, desembaraçando-se das normas tradicionais europeias, de 1949 a 1952 escreve dezenas de poemas, estando muitos deles dispersos pela imprensa moçambicana e estrangeira.

Com apenas 22 anos de idade, surge na senda literária moçambicana num impulso encantatório, gritando o seu verbo impetuoso, objectivo e generoso, vincado (bem fundo) na alma do seu povo, da sua cultura, da sua consciência social, revelando um talento invulgar e uma coragem impressionante.
Mestiça, revela ser marcada por uma profunda experiência, em grande parte por via dessa mesma circunstância de ser mestiça. A sua poesia, desde logo, se mostrou “cheia” da “certeza radiosa” de uma esperança, a esperança dos humilhados, que é sempre a da sua libertação.
Toda a sua produção é marcada pela presença constante das raízes profundamente africanas, abrindo os caminhos da exaltação da Mãe-África, da glorificação dos valores africanos, do protesto e da denúncia.
Poesia de forte impacto social, acusatória, a sua linguagem recorre estilisticamente à ressonância verbal, ao encadeamento de significantes sonoros ásperos, à utilização de palavras que transportam o “grito inchado” de esperança.
Noémia de Sousa, como autêntica pioneira da Literatura Moçambicana (como assim sempre foi considerada) preconiza – no seu percurso literário – a revolução como único meio de modificar as estruturas sociais que assolam a terra moçambicana.
Sempre, e desde muito cedo, pretendeu que o seu povo avançasse uno, em colectivo, em direcção a um futuro que alterasse os eixos em que se fundamentava a atitude do homem, mas sem nunca fazer a apologia da desumanização. Afirma-se, acima de tudo, africana e aposta fortemente na divulgação dos valores culturais moçambicanos.
As propostas essenciais da sua expressão literária vão do desencanto quotidiano, de uma certa amargura, de uma certa raiva, até ao grito dorido, até ao orgulho racial, até ao protesto altivo que contém a pulsão danada contra cinco séculos de humilhação.
A grande base do texto de Noémia de Sousa está centrada na eterna dicotomia “nós/outros” – “nós”, os perfeitamente africanos; os “outros”, as gentes estranhas, os que chegaram a África, os colonizadores. Assim, estes são, sem dúvida, os dois grandes temas da poesia de Noémia de Sousa: se por um lado temos a contínua denúncia da total incompreensão por parte do colonizador, que apenas capta a superficialidade dos rituais, não compreendendo o âmago de África, demonstrando, desta forma, uma visão plenamente distorcida, por outro lado lança-nos em poemas de elogio aberto à raça negra, gritando bem alto e de forma plenamente perceptível que a presença do colonizador em África é sinónimo de força que apenas veio denegrir a imagem daquela terra.
Noémia de Sousa fala do orgulho de pertencer a África por parte dos africanos. E por esse mesmo motivo vem afirmar que terão obrigatoriamente de ser os filhos a cantar essa sua mãe-terra (que tanto amam e sentem) – e cantar África tinha forçosamente que ser entendido por oposição à maneira de cantar do colonizador.
Nos seus poemas, o “eu” de Noémia de Sousa é entendido como um “colectivo”, um povo inteiro que quer ter palavra – o povo moçambicano. Desta forma, a poetiza assume-se como porta-voz daquele povo que é o seu e, dirigindo-se à terra-mãe que os acolhe e protege, ora canta a sua vida, ora lhe pede perdão pela alienação demonstrada ao longo de tanto tempo, ora (mesmo) lhe promete a rápida e definitiva devolução do seu direito a uma vida própria, autêntica.
Apesar de breve, porém prolífera, passagem de Noémia de Sousa pelo panorama da literatura moçambicana, a qualidade dos seus textos não deixou, jamais, de ser reconhecida e admirada.”
Recolha de: Eduardo Quive

FONTE: Plural Editores
Fonte: Kuphaluxa

ALGUNS POEMAS DA AUTORA:

 

SE ME QUISERES CONHECER

Para Antero
Se me quiseres conhecer,
estuda com olhos bem de ver
esse pedaço de pau preto
que um desconhecido irmão maconde
de mãos inspiradas
talhou e trabalhou
em terras distantes lá do Norte.
Ah, essa sou eu:
órbitas vazias no desespero de possuir vida,
boca rasgada em feridas de angústia,
mãos enormes, espalmadas,
erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,
corpo tatuado de feridas visíveis e invisíveis
pelos chicotes da escravatura…
Torturada e magnífica,
altiva e mística,
África da cabeça aos pés,
– ah, essa sou eu
Se quiseres compreender-me
vem debruçar-te sobre minha alma de África,
nos gemidos dos negros no cais
nos batuques frenéticos dos muchopes
na rebeldia dos machanganas
na estranha melancolia se evolando
duma canção nativa, noite dentro…
E nada mais perguntes,
se é que me queres conhecer…
Que não sou mais que um búzio de carne,
onde a revolta de África congelou
seu grito inchado de esperança.
BAYETE
para Rui Knopfli
Ergueste uma capela e ensinaste-me a temer a Deus e a ti.
Vendeste-me o algodão da minha machamba
pelo dobro do preço por que mo compraste,
estabeleceste-me tuas leis
e minha linha de conduta foi por ti traçada.
Construíste calabouços
para lá me encerrares quando não te pagar os impostos,
deixaste morrer de fome meus filhos e meus irmãos,
e fizeste-me trabalhar dia após dia, nas tuas concessões.
Nunca me construíste uma escola, um hospital,
nunca me deste milho ou mandioca para os anos de fome.
E prostituíste minhas irmãs,
e as deportaste para S. Tomé…
– Depois de tudo isto,
não achas demasiado exigir-me que baixe a lança e o escudo
e, de rojo, grite à capulana vermelha e verde
que me colocaste à frente dos olhos: BAYETE?
JUSTIFICAÇÃO
Se o nosso canto negro é simultaneamente
baço e ameaçador como o mar
em noites de calmaria;
se a nossa voz é rouca e agreste
só se abrindo em gritos de rebeldia;
se é ao mesmo tempo amarga e doce a nossa poesia
como suco de nhantsumas silvestres;
se é encovado e profundo o nosso olhar
rasgando-se impávido à luz do dia;
se são disformes e gretados nossos pés espalmados
de trilhar caminhos ingratos;
se a nossa alma se fechou para a alegria
e só dá hospedagem ao ódio e à revolta
– não nos culpes a nós, irmão vindo das ruas da cidade.
Que entre nós e o sol se interpuseram
grades feias de escravidão,
grades negras e cerradas a impedir-nos de tostar
de verdadeira felicidade,
Mas ai, irmão vindo das ruas da cidade!
Nosso firme sentido de justiça, nossa indómita vontade a nascer
nossa miséria comum vestida de sacas rotas e imundas,
nossa própria escravidão
serão o calor e o maçarico que fundirão
para sempre as grossas colunas que nos zebravam a vida inteira
e lhe arrancaram todo o jeito doce e inexprimível de vida.

 

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Jovens escritores querem divulgação das suas obras!

“Jovens escritores da capital do país clamam por um maior espaço para a divulgação dos seus trabalhos, particularmente na comunicação social. Esta vontade foi manifestada num sarau cultural realizado no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), sob o lema “A Imprensa como espaço de debate de ideias e literacias. De onde vêm os escritores?” e organizado pelo Movimento Literário Kuphaluxa.
Maputo, Quarta-Feira, 25 de Julho de 2012:: Notícias
O evento foi o mote para a celebração do primeiro aniversário da revista electrónica de literatura moçambicana e lusófona “Literatas”, tendo igualmente servido para uma reflexão sobre os mecanismos de acesso aos meios de comunicação social para publicação das obras literárias feitas pelos jovens escritores, ao mesmo tempo que se discutiu os condimentos necessários para se ser um bom escritor.
O sarau teve como convidados Lucílio Manjate, escritor e docente na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, Nélio Nhamposse, revisor linguístico e escritor. Lucílio Manjate, que este ano lançou o livro “O Contador de Palavras”, sugeriu que os jovens não devem esperar que os meios de comunicação procurem por eles a fim de publicarem os seus trabalhos, mas sim a iniciativa deve, muitas vezes, partir dos próprios escritores, mas só mediante a certeza de que o que escreveram tem o mínimo de qualidade para publicação. “Muitas vezes devem ser os próprios jovens a ir ‘bater à porta’ dos órgãos de comunicação social e apresentar propostas de trabalho a publicar. Ficar sentado não resolve, muito menos desatar em lamúrias”, disse o escritor, que é igualmente editor da revista “Proler”. Ele louvou a iniciativa do Movimento Kuphaluxa de criar uma revista literária, acto que, segundo ele, se assemelha a projectos como “Tempo”, “Charrua”, “Lua Nova”, “Xitende” e “Proler”, que surgiram para a divulgação de escritores emergentes. “Tal como aconteceu no passado, os escritores de hoje são produto de várias inquietações, sobretudo da necessidade de se expressar.
E destas inquietações acabaram surgindo movimentos literários e revistas como forma de divulgar as suas obras, e, ainda da necessidade de afirmação literária”, explicou Lucílio Manjate.
Entretanto, das várias questões levantadas pela plateia, maior preocupação vai para o facto de, segundo eles, a comunicação social privilegiar a publicação de trabalhos de escritores já consagrados em detrimento dos emergentes. Por exemplo, o editor da revista “Literatas”, Eduardo Quive, explicou ao “Notícias” que a sua revista surge justamente para satisfazer a inquietação dos novos escritores, criando, por conseguinte, um espaço para a divulgação de ideias da camada juvenil. “A revista foi criada com o objectivo de trazer novos autores, expor novas ideias e, acima de tudo, divulgar a literatura moçambicana, assente nos novos autores. Esta revista é igualmente um espaço de afirmação da literatura lusófona, na medida em que, também, publica trabalhos de escritores desta comunidade”, para quem o primeiro ano da “Literatas” foi de “sobrevivência, em virtude das várias dificuldades por que tem passado a edição desta publicação electrónica. Aliás, um dos grandes desafios com que se debate o Movimento é a continuidade ou não da revista no actual formato.
Centro Cultural Brasil Moçambique – MaputoFonte
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Do quarto para o mundo!

Chama-se João Tamura, tem 19 anos,  morou boa parte de sua adolescência em Maputo, mas hoje vive na cidade em que nasceu: Lisboa!

João Tamura

Esse jovem cheio de talento escreve desde sempre e aventurou-se na música aos 14 anos! Começou por lançar um EP (“Origamis”) e duas maquetes (“Outono”, “Estórias Dembalar”), e ultimamente tem divulgado músicas soltas e avulsas!
João busca sua inspiração andando pelo mundo, conversando com amigos, escutando a voz de seu coração e dos corações apaixonados ou feridos… Como o próprio artista nos conta abaixo dos seus vídeos no Youtube, a inspiração vem de terraços e conversas, e logo, em seu quarto, se transforma em música! Do quarto para o mundo o som do nosso amigo se espalha pela internet, e chega aos ouvidos geograficamente mais distantes! O som é feito em casa, sem compromisso, e pode tocar nas rádios sem dar vexames! João é mais uma prova de que  com uma ideia na cabeça e criatividade na alma, podemos todos produzir e disponibilizar cultura! Todas as músicas do jovem Tamura são completamente gratuitas e estão disponíveis nas páginas seguintes:

http://eueumaraparigaqueconheci.bandcamp.com/

www.youtube.com/user/coizasdontem

Abaixo algumas das músicas que curtimos:

Deixem seus comentários por aqui caros leitores!

Compartilhem suas opiniões  connosco. O que acham do trabalho desse músico promissor?

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Podcast Zarpante 08

Convidamos nossos parceiros, nosso público e todos os amantes da boa música a subirem a bordo da nau Zarpante  para mais uma viagem por sonoridades de terras lusófonas! Podcast Zarpante do mês de Julho de 2012 está no ar!

A viagem começa no Brasil, passa por Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique, Angola, São Tomé e até pela Galicia!

Manecas Costa, Narf, Aline Frazão, Biru , Mike el Nite, Rubinho Jacobina e sua música inédita, Jack Nkanga e muitos outros artistas!

Estão servidos?

Acaba de sair do forno!

1- Calango Mindelo  de Rodrigo Lessa
2- Bom Dia Cabo Verde De Patalino
3- Palavra D honra por Mabulu
4- Vento Lento Inédita de Rubinho Jacobina
5- Cabeludos  de Jack el Nite
6- Dissa na M bera  por Super Mama Djombo
7- Antonia de  Manecas Costa
8- Sikama ft Jack Nkanga
9- Todo fado é vadio por Biru
10- From Maputo to Detroit  por Moçambique producers
11- 24-7 por Orelha Negra
12- Radinho por Pipo Pegoraro
13- Funchal 23 por S.A.R.L.
14- O sonhador de Aleh Ferreira
15- S-Tomé por Aline Frazão
16- Tira a mão da minha Xuxa! Pelo grupo  Os Untues
17- Esta Noite de Manecas Costa e Narf!
18- Sonhador! De Jack Nkanga ( Em breve um projeto de captação para clipe desta música em nosso site !)

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