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Mestre Gil avisou…

Veja abaixo a opinião do cantor Gilberto Gil sobre as manifestações que tem ocorrido no país. Na entrevista ao Globo, Gil revelou um misto de preocupação e ânimo.

Gilberto Gil (1968 album)

Gilberto Gil (1968 album) (Photo credit: Wikipedia)

“Tenho visto, acompanhado, com muita aflição, às vezes, muito susto. Será a volta do monstro daquela época?” — questionou o compositor, referindo-se à violência da repressão policial e à ditadura militar, que o levou ao exílio, em Londres, de 1969 a 1972.

“Na última segunda-feira, eu me senti fragilizado de novo, temeroso de novo. Parecia o dia em que eu fui para a Passeata dos Cem Mil, na Avenida Rio Branco, no dia do meu aniversário, aquele 26 de junho. Fui tomado pelo mesmo temor daquela época, agora em minha casa, acompanhando a TV e as redes sociais, já inserido neste hipertexto, neste hipercontexto”.

“ Mas, num segundo momento, eu me sinto aliviado por ver esta insurgência popular. Me dá indicação de que a transformação, o “Tempo rei” continua rei. Tudo transformando, transcorrendo, as coisas mudando, novas interrogações, novas questões, novas dificuldades analíticas. Eu estava vendo os protestos na TV ontem (terça-feira) e pensando: o que é isso? Essa manifestação junta a rave com o arrastão. São as duas coisas ao mesmo tempo. É a rave-arrastão. Pronto, é um verso, um condensado poético. As novas palavras de ordem juntam ao mesmo tempo a oração e a praga”, complementou.

Gil comentou ainda sobre a necessidade de artistas se manifestarem publicamente.

“No meu caso pessoal, não precisa. Eu fiz isso a vida toda, todo mundo sabe. “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte!” (cantarolou a música “Divino, Maravilhoso”). O encorajamento esta aí, podem usar! É só entrar no meu site, procurar, a música está aí!”, finalizou.

Fonte: O Globo

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Tirem a panela do fogo antes que o Brasil exploda

Mais uma série de violentas manifestações em muitas cidades do Brasil nos levam cada vez mais a repensar! A massa é mesmo pacífica?

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São milhares de relatos por dia em redes sociais e companhia. Relatos de todo tipo, alguns sem conteúdo algum, outros claramente em prol da esquerda ou da direita e muitos mas muitos mesmo, de pessoas que estão completamente perdidas!

Agora vejam bem, nós estamos avisando desde o começo que uma manifestação sem pauta claramente definida, só podia acabar dando nisso. Caos!

Muita gente relatando que as pessoas vão manifestar mas na real ficam fumando maconha, bebendo cerveja e escandando gritos e slogans tão elaborados quanto os do futebol! Essas são as pessoas pacíficas, mas quanto aos violentos, melhor nem ficar aqui dando muita visibilidade as atrocidades que tem feito. Antes que alguém argumente que violenta é a política do governo x ou y, vamos deixar claro o seguinte: a pior coisa que você tem a fazer é reagir a violência com violência!

Nesse sentido assistam os vídeos abaixo:

O filme francês La Haine ( O Ódio) trata muito bem do assunto. Inspirado nas revoltas que aconteceram em diversos subúrbios franceses pouco antes do filme ser lançado, mostra bem o ciclo da violência. Mas 30 anos depois, nada mudou nesses bairros e muitas vezes as condições até pioraram!

Para quem quiser ver o filme em francês, basta dar um play abaixo:

– Vejam também esta reportagem que mostra como nada mudou depois das manifestações nesses bairros precários! Clique aqui!

Agora vamos compartilhar um filme que tem muito em comum com o momento actual no Brasil:

“Corações Sujos é um filme sobre intolerância, fundamentalismo, racismo e amor, baseado no best-seller de Fernando Morais e passado no interior de São Paulo logo depois da Segunda Guerra Mundial. Ele conta a história do imigrante japonês Takahashi, dono de uma pequena loja de fotografia, casado com Miyuki, uma professora primária. Inspirado em fatos reais, Corações Sujos nos mostra a transformação de Takahashi de homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência. No Brasil, logo depois da guerra, a imensa população de imigrantes japoneses (a maior fora do Japão) era segregada e reprimida pelo Estado. Para estes imigrantes, oprimidos numa terra estranha, a ideia de derrota na guerra era muito dolorosa. Muitas organizações, alimentadas pela ignorância imposta a eles pelo governo brasileiro, nasceram dedicadas a divulgar a “verdade” da vitória do Japão na guerra e a reprimir e assassinar os “derrotistas” – os “corações sujos”. Takahashi reluta, mas acaba se tornando membro de um destes grupos. A escolha feita por ele, em nome do Espírito Japonês, o transforma também num matador. E Miyuki, sua mulher, nos conta como sua história de amor se perdeu em meio à guerra fratricida – de japoneses contra japoneses – que aconteceu em pleno interior do Brasil.”

Esse filme vai para todos os que ainda não perceberam que ainda que inconscientemente, vem sendo alienados e que o perigo está justamente naqueles que acreditam deter a verdade. Se esse movimento (iniciado e abandonado pelo MPL) fosse realmente organizado, e aceitasse bandeiras de todos os partidos em vez de ficar gritando e afirmando que é apolítico, com certeza teria maior valor como ato em prol da democracia.

Assistam e reflictam, afinal não gostaríamos de ver o povo brasileiro no papél do personagem Takahashi no filme. Ele termina muito decepcionado com a verdade que ele defendia:

Para terminar, compartilharemos um texto de Marília Moschkovich, socióloga, militante feminista, escritora, vez em quando jornalista. Também publica no “Mulher Alternativa” e no “Outras Palavras”. @MariliaMoscou. Muito importante ler e compartilhar!

(Antes de nos xingar e de nos chamar disso ou daquilo, lembrem-se:  violência gera violência e se sua causa é realmente justa não precisa disso para ser amparada. Enviem suas ideias, seus pontos de vista, suas manifestações, mas sejam educados acima de tudo! Como diria Mahatma Gandhi “Seja a mudança que você deseja ver no mundo”.)

“Está tudo tão estranho, e não é à toa.

Um relato do quebra-cabeças que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo fazer valer cada palavra.

[*nota da autora, adicionada após muitos comentários e compartilhamentos desviando um pouco o sentido do texto: este é um texto de esquerda]

Começo explicando que não ia postar este texto na internet. Com medo. Pode parecer bobagem, mas um pressentimento me dizia que o papel impresso seria melhor. O papel impresso garantiria maiores chances de as pessoas lerem tudo, menores chances e copiarem trechos isolados destruindo todo o raciocínio necessário.

Enquanto forma de comunicação, o texto exige uma linearidade que é difícil. Difícil transformar os fatos, as coisas que vi e vivi nos últimos dias em texto. Estou falando aqui das ruas de São Paulo e da diferença entre o que vejo acontecer e o que está sendo propagandeado nos meios de comunicação e até mesmo em alguns blogs.

Talvez essa dimensão da coisa me seja possível porque conheço realmente muita gente, de vários círculos; talvez porque sempre tenha sido ligada à militância política, desde adolescente; talvez porque tenha tido a oportunidade de ir às ruas; talvez porque pude estar conectada na maior parte do tempo. Não sei. Mas gostaria de compartilhar com vocês.

E gostaria que, ao fim, me dissessem se estou louca. Eu espero verdadeiramente que sim, pois a minha impressão é a de que tudo é muito mais grave do que está parecendo.

Tentei escrever este texto mais ou menos em ordem cronológica. Se não foi uma boa estratégia, por favor me avisem e eu busco uma maneira melhor de contar. Peço paciência. O texto é longo.

1. Contexto é bom e mantém a pauta no lugar
Hoje é dia 18 de junho de 2013. Há uma semana, no dia 10, cerca de 5 mil pessoas foram violentamente reprimidas pela Policia Militar paulista na Avenida Paulista, símbolo da cidade de São Paulo. Com a transmissão dos horrores provocados pela PM pela internet, muitas pessoas se mobilizaram para participar do ato seguinte, que seria realizado no dia 13. A pauta era a revogação no aumento das tarifas de ônibus, que já são caras e já excluem diversos cidadãos de seu direito de ir e vir, frequentando a própria cidade onde moram.

No dia 13, então, aconteceu a primeira coisa estranha, que acendeu uma luzinha amarela (quase vermelha de tão laranja) na minha cabeça: os editoriais da folha e do estadão aprovavam o que a PM tinha feito no dia 10 de junho e, mais do que isso, incentivavam ações violentas da pm “em nome do trânsito” [aliás, alguém me faz um documentário sensacional com esse título, faz favor? ]. Guardem essa informação.

Logo após esses editoriais, no fim do dia, a PM reprimiu cerca de 20mil pessoas. Acompanhei tudo de casa, em outra cidade. Na primeira hora de concentração para a manifestação foram presas 70 pessoas, por sua intenção de participar do protesto. Essa intenção era identificada pela PM com o agora famoso “porte de vinagre” (já que vinagre atenua efeitos do gás lacrimogêneo). Muitas pessoas saíram feridas nesse dia e, com os horrores novamente transmitidos – mas dessa vez também pelos grandes meios de comunicação, inclusive esses dos editoriais da manhã, que tiveram suas equipes de reportagem gravemente feridas -, muita gente se mobilizou para o próximo ato.

2. Desonestidade pouca é bobagem
No próprio dia 13, à noite, aconteceu a segunda “coisa estranha”. Logo no final da pancadaria na região da Paulista, sabíamos que o próximo ato seria na segunda-feira, dia 17 de junho. Me incluíram num evento no Facebook, com exatamente o mesmo nome dos eventos do MPL, as mesmas imagens, bandeiras, etc. Só que marcado para sexta-feira, o dia seguinte. Eu dei “ok”, entrei no evento, e comecei a reparar em posts muito, mas muito esquisitos. Bandeiras que não eram as do MPL (que conheço desde adolescente), discursos muito voltados à direita, entre outros. O que estava ali não era o projeto de cidade e de país que eu defendo, ou que o MPL defende.

Dei uma olhada melhor: eram três pessoas que haviam criado o evento. Fucei o pouco que fica público no perfil de cada um. Não encontrei nenhuma postagem sobre nenhuma causa política. Apenas postagens sobre outros assuntos. Lá no fim de um dos perfis, porém, encontrei uma postagem com um grupo de pessoas em alguma das tais marchas contra a corrupção. Alguma coisa com a palavra “Juventude”, não me lembro bem. Ficou claro que não tinha nada a ver com o MPL e, pior que isso, estavam tentando se passar pelo MPL.

Alguém me deu um toque e observei que a descrição dizia o trajeto da manifestação (coisa que o MPL nunca fez, até hoje, sabiamente). Além disso, na descrição havia propostas como “ir ao prédio da rede globo” e “cantar o hino nacional”, “todos vestidos de branco”. O alerta vermelho novamente acendeu na minha cabeça. Hino nacional é coisa de integralista, de fascista. Vestir branco é coisa de movimentos em geral muito ou totalmente despolitizados. Basta um mínimo de perspectiva histórica pra sacar. Pois bem.

Ajudei a alertar sobre a desonestidade de quem quer que estivesse organizando aquilo e meu alerta chegou a uma das pessoas que, parece, estavam envolvidas nessa organização (ou conhecia quem estava). O discurso dela, que conhece alguém que eu conheço, era totalmente despolitizado. Ela falava em “paz”, “corrupção” e outras palavras de ordem vazias que não representam reivindicação concreta alguma, e muito menos um projeto de qualquer tipo para a sociedade, a cidade de São Paulo, etc. Mais um pouco de perspectiva histórica e a gente entende no que é que palavras de ordem e reivindicações vazias aleatórias acabam. Depois de fazer essa breve mobilização na internet com várias outras pessoas, acabaram mudando o nome e a foto do evento, no próprio dia 13 de noitão. No dia seguinte transferiram o evento para a segunda-feira, “para unir as forças”, diziam.

3. E o juiz apita! Começa a partida!
Seguiu-se um final de semana extremamente violento em diversos lugares do país. Era o início da Copa das Confederações e muitos manifestantes foram protestar pelo direito de protestarem. O que houve em sp mostrou que esse direito estava ameaçado. Além disso, com a tal “lei da copa”, uma legislação provisória que vale durante os eventos da FIFA, em algumas áreas publicas se tornam proibidas quaisquer tipos de manifestações políticas. Quer dizer, mais uma ameaça a esse direito tão fundamental numa [suposta] democracia.

No final de semana as manifestações não foram tão grandes, mas significativas em ao menos três cidades: Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. No DF e no RJ as polícias militares seguiram a receita paulista e foram extremamente violentas. A polícia mineira, porém, parecia um exemplo de atuação cidadã, que repassamos, compartilhamos e apoiamos em redes sociais do lado de cá do sudeste.

Não me lembro bem, mas acho que foi no intervalo entre uma coisa e outra que percebi a terceira “coisa estranha”. Um pouco depois do massacre na região da Paulista, e um pouco antes do final de semana de horrores, mais um sinal: ficamos sabendo que uma conhecida distante, depois do dia 13, pegou um ônibus para ir ao Rio de Janeiro. Essa pessoa contou que a PM paulista parou o ônibus na estrada, antes de sair do Estado de São Paulo. Mandaram os passageiros descerem e policiais entraram no veículo. Quando os passageiros subiram novamente, todas as coisas, bolsas, malas e mochilas estavam reviradas. A policial perguntou a essa pessoa se ela tinha participado de algum dos protestos. Pediu pra ver o celular e checou se havia vídeos, fotografias, etc.

Não à toa e no mesmo “clima”, conto pra vocês a quarta “coisa estranha”: descobrimos que, após o ato em BH, um rapaz identificado como uma das lideranças políticas de lá foi preso, em sua casa. Parece que a nossa polícia exemplar não era tão exemplar assim, mas agora ninguém compartilhava mais. Coisas semelhantes aconteceram em Brasília, antes mesmo das manifestações começarem.

4. Sequestraram a pauta?
Então veio a segunda-feira. Dia 17 de junho de 2013. Ontem. Havia muita gente se prontificando a participar dos protestos, guias de segurança compartilhados nas redes, gente montando pontos de apoio, etc. Uma verdadeira mobilização para que muita gente se mobilizasse. Estávamos otimistas.

Curiosamente, os mesmos meios de comunicação conservadores que incentivaram as ações violentas da PM na quinta-feira anterior (13) de manhã, em seus editoriais, agora diziam que de fato as pessoas deveriam ir às ruas. Só que com outras bandeiras. Isso não seria um problema, se as pessoas não tivessem, de fato, ido à rua com as bandeiras pautadas por esses grupos políticos (representados por esses meios de comunicação). O clima, na segunda-feira, era outro. Era como se a manifestação não fosse política e como se não estivesse acontecendo no mesmo planeta em que eu vivo. Meu otimismo começou a decair.

A pauta foi sequestrada por pessoas que estavam, havia alguns dias, condenando os manifestantes por terem parado o trânsito, e que são parte dos grupos sociais que sempre criminalizaram os movimentos sociais no Brasil (representados por um pedaço da classe política, estatisticamente o mais corrupto – não, não está nem perto de ser o PT -, e pelos meios de comunicações que se beneficiam de uma política de concessões da época da ditadura). De repente se falava em impeachment da presidenta. As pessoas usavam a bandeira nacional e se pintavam de verde e amarelo como ordenado por grandes figurões da mídia de massas, colunistas de opinião extremamente populares e conservadores.

As reações de militantes variavam. Houve quem achasse lindo, afinal de contas, era o povo nas ruas. Houve quem desconfiasse. Houve quem se revoltasse. Houve quem, entre todos os sentimentos possíveis, ficasse absolutamente confuso. Qualquer levante popular em que a pauta não eh muito definida cria uma situação de instabilidade política que pode virar qualquer coisa. Vimos isso no início do Estado Novo e no golpe de 1964, ambos extremamente fascistas. Não quer dizer que desta vez seria igual, mas a história me dizia pra ficar atenta.

5. Não, sequestraram o ato!
A passeata do dia 17, segunda-feira, estava marcada para sair do Largo da Batata, que fica numa das pontas da avenida Faria Lima. Não se sabia, não havia decisão ainda, do que se faria depois. Aos que não entendem, a falta de um trajeto pré-definido se justifica muito bem por duas percepções: (i) a de que é fácil armar emboscadas para repressão quando divulga-se o trajeto; e, (ii) mais importante do que isso, a percepção de que são as pessoas se manifestando, na rua, que devem definir na hora o que fazer. [e aqui, se vocês forem espertos, verão exatamente onde está a minha contradição – que não nego, também me confunde]

A passeata parecia uma comemoração de final de copa do mundo. Irônico, não? Começamos a teorizar (sem muita teoria) que talvez essa fosse a única referência de manifestações públicas que as pessoas tivessem, em massa:o futebol. Os gritos eram do futebol, as palavras de ordem eram do futebol. Muitas camisetas também eram do futebol. Havia inclusive uns imbecis soltando rojões, o que não é muito esperto pois pode gerar muito pânico considerando que havia poucos dias muita gente ali tinha sido bombardeada com gás lacrimogêneo. Havia pessoas brincando com fogo. [guardem essa informação do fogo também]

Agora uma pausa: vocês se lembram do fato estranho número dois? O evento falso no facebook? Bom, o trajeto desse evento falso incluía a Berrini, a ponte Estaiada e o palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Reparem só.

Quando a passeata chegou ao cruzamento da Faria Lima com a Juscelino, fomos praticamente empurrados para o lado direito. Nessa hora achamos aquilo muito esquisito. Em nossas cabeças, só fazia sentido ir à Paulista, onde havíamos sido proibidos de entrar havia alguns dias. Era uma questão de honra, de simbologia, de tudo. Resolvemos parar para descobrir se havia gente indo para o lado oposto e subindo a Brigadeiro até a Paulista. Umas amigas disseram que estavam na boca do túnel. Avisei pra não irem pelo túnel que era roubada. Elas disseram então que estavam seguindo a passeata pela ponte, atravessando a Marginal Pinheiros.

Demoramos um tanto pra descobrirmos, já prontos pra ir para casa broxados, que havia gente subindo para o outro lado. Gente indo à esquerda. Era lá que preferíamos estar. Encontramos um outro grupo de pessoas conhecidas e amigas e seguimos juntos. As palavras de ordem não mudaram. Eram as mesmas em todos os lugares. As pessoas reproduziam qualquer frase de efeito tosca de manira acrítica, sem pensar no que estavam dizendo. Efeito “multidão”, deve ser.

As frases me incomodaram muito. Nem uma só palavra sobre o governador que ordenara à PM descer bala, cassetete e gás na galera havia poucos dias. Que promove o genocídio da juventude negra nessa cidade todos os dias, há 20 anos. Nem mesmo uma. Os culpados de todos os problemas do mundo, para os verde-amarelos-bandeira-hino eram o prefeito e a presidenta. Ou essas pessoas são ignorantes, ou são extremamente desonestas.

Nem chegamos à Paulista, incomodados com aquilo. Fomos para casa nos sentindo muito esquisitos. Aí então conseguimos entender que aquelas pessoas do evento falso no facebook tinham conseguido de alguma maneira manobrar uma parte muito grande de pessoas que queria ir se manifestar em outro lugar. A falta de informação foi o que deu poder para esse grupo naquele momento específico. Mas quem era esse grupo? Não sei exatamente. Mas fiquei incomodada.

6. O centro em chamas.
Quem diria que essa sensação bizarra e sem nome da segunda-feira faria todo sentido no dia seguinte? Fez. Infelizmente fez. O dia seguinte, “hoje”, dia 18 de junho de 2013, seria decisivo. Veríamos se as pessoas se desmobilizariam, se a pauta da revogação do aumento se fortaleceria. Essa era minha esperança que, infelizmente, não se confirmou. A partir daqui são todos fatos recentes, enquanto escrevo e vou tentar explica-los em ordem cronológica. Aviso que foram fazendo sentido aos poucos, conforme falávamos com pessoas, ouvíamos relatos, descobríamos novas informações. Essa é minha tentativa de relatar o que eu vi, vivi, experienciei.

No fim da tarde, pegamos o metrô Faria Lima lotadíssimo um pouco depois do horário marcado para a manifestação. Perguntei na internet, em redes sociais, se o ato ainda estava na concentração ou se estava andando, e para onde. Minha intenção era saber em qual estação descer. Me disseram, tomando a televisão como referencia (que é a referencia possível, já que não havia um único comunicado oficial do MPL em lugar algum) que o ato estava na prefeitura. Guardem essa informação.

Fomos então até o metrô República. Helicópteros diversos sobrevoavam a praça e reparei na quinta “coisa estranha”: quase não havia polícia. Acho que vimos uns três ou quatro controlando curiosamente a ENTRADA do metrô e não a saída… Quer dizer, quem entrasse no metro tinha mais chance de ser abordado do que quem estava saindo, ao contrário do dia 13.

A manifestação estava passando ali e fomos seguindo, até que percebemos que a prefeitura era outro lado. Para onde estavam indo essas pessoas? Não sabíamos, mas pelos gritos, pelo clima de torcida de futebol, sabíamos que não queríamos estar ali, endossando algo em que não acreditávamos nem um pouco e que já estávamos julgando ser meio perigoso. Quando passamos em frente à câmara de vereadores, a manifestação começou a vaiar e xingar em massa. Oras, não foram eles também que encheram aquela câmara com vereadores? O discurso de ser “apolítico” ou “contra” a classe política serve a um único interesse, a história e a sociologia nos mostram: o dos grupos conservadores para continuarem tocando a estrutura social injusta como ela é, sem grandes mudanças. Pois era esse o discurso repetido ali.

Resolvemos então descer pela rua Jandaia e tentar voltar à Sé, pois disseram nas redes sociais que o ato real, do MPL, estava no Parque Dom Pedro. Como aquilo fazia mais sentido do que um monte de pessoas bem esquisitas, com cartazes bem bizarros, subindo para a Paulista, lá fomos nós.

Outro fato estranho, número seis: no meio da Rua Jandaia, num local bem visível para qualquer passante nos viadutos do centro, um colchão em chamas. A manifestação sequer tinha passado ali. Uma rua deserta e um colchão em chamas. Para quê? Que tipo de sinal era aquele? Quem estava mandando e quem estava recebendo? Guardamos as mascaras de proteção com medo de sermos culpados por algo que não sabíamos sequer de onde tinha vindo e passamos rápido pela rua.

Cruzamos com a mesma passeata, mais para cima, que vinha lá da região que fica mais abaixo da Sé, mas não sabíamos ainda de onde. Atrás da catedral, esperamos amigos. Uma amiga disse que o marido estava chateado porque não conseguiu pegar trem na Vila Olímpia. Achamos normal, às vezes a CPTM trava mesmo, daí essa porcaria de transporte e os protestos, etc. pois bem. Guardem a informação.

Uma amiga ligou dizendo que estava perto do teatro municipal e do Vale do Anhangabaú, que estava “pegando fogo”. Imbecil que me sinto agora, na hora achei que ela estava falando que estava cheio de gente, bacana, legal. [que tonta!] Perguntei se era o ato do MPL, se tinha as faixas do MPL. Ela disse que sim mas não confiei muito. Resolvemos ir ver.

[A partir daqui todos os fatos são “estranhos”. Bem estranhos.]

O clima no centro era muito tenso quando chegamos lá. Em nenhum dos outros lugares estava tão tenso. Tudo muito esquisito sem sabermos bem o quê. Os moradores de rua não estavam como quem está em suas casas. Os moradores de rua estavam atentos, em cantos, em grupos. Poucos dormiam. Parecia noite de operação especial da PM (quem frequenta de verdade a cidade de São Paulo, e não apenas o próprio bairro, sabe bem o que é isso entre os moradores de rua).

Só que era ainda mais estranho: não havia polícia. Não havia polícia no centro de São Paulo à noite. No meio de toda essa onda. Não havia polícia alguma. Nadinha de nada, em lugar nenhum.

Na Sé, descobrimos mais ou menos o caminho e fomos mais ou menos andando perto de outras pessoas. Um grupo de franciscanos estava andando perto de nós, também. Vimos uma fumaça preta. Fogo. MUITO fogo. Muito alto. O centro em chamas.

Tentamos chegar mais perto e ver. Havia pessoas trepadas em construções com latas de spray enquanto outros bradavam em volta daquela coisa queimando que não conseguíamos identificar. Outro colchão? Os mesmos que deixaram o colchão queimando na Jandaia? Mas quem eram eles?

De repente algumas pessoas gritaram e nós,mais outros e os franciscanos, corremos achando que talvez o choque estaria avançando. Afinal de contas, era óbvio que a polícia iria descer o cacete em quem tinha levantado aquele fogaréu (aliás, será q ela só tinha visto agora, que estava daquele tamanho todo?). Só que não.

Na corrida descobrimos que era a equipe da TV Record. Estavam fugindo do local – a multidão indo pra cima deles – depois de terem o carro da reportagem queimado. Não, não era um colchão. Era o carro de reportagem de uma rede de televisão. O olhar no rosto da repórter me comoveu. Ela, como nós, não conseguia encontrar muito sentido em tudo que estava acontecendo. Ao lado de onde conversávamos, uns quatro policiais militares. Parados. Assistindo o fogo, a equipe sendo perseguida… Resolvemos dar no pé que bobos nós não somos. Tinha algo muito, mas muito errado (e estranho) ali.

Voltamos andando bem rápido para a Sé, onde os moradores de rua continuavam alertas, e os franciscanos tentavam recolher pertences caídos pelo chão na fuga e se organizarem novamente para dar continuidade a sua missão. Nós não fomos tão bravos e decidimos voltar para nossas casas.

7. Prelúdio de um… golpe?
No metrô um aviso: as estações de trem estavam fechadas. É, pois é, aquela coisa que havíamos falado antes e tal. Mal havíamos chegado em casa, porém, uma conhecida posta no facebook que um amigo não conseguiu chegar em lugar nenhum porque algumas pessoas invadiram os trilhos da CPTM e várias estações ficaram paradas, fechadas. Não era caos “normal” da CPTM, nem problemas “técnicos” como a moça anunciava. Era de propósito. Seriam os mesmos do colchão, do carro da Record?

Lemos, em seguida, em redes sociais, que havia pessoas saqueando lojas e destruindo bancos no centro. Sabíamos que eram o mesmos. Recebi um relato de que uma ocupação de sem-teto foi alvo de tentativa (?) de incêndio. Naquele momento sabíamos que, quem quer que estivesse por trás do “caos” no centro, da depredação de ônibus na frente do Palácio dos Bandeirantes no dia anterior, de tentativas de criar caos na prefeitura, etc. não era o MPL. Também sabíamos que não era nenhum grupo de esquerda: gente de esquerda não quer exterminar sem-teto. Esse plano é de outro grupo político, esse que manteve a PM funcionando nos últimos 20 anos com a mesma estrutura da época da ditadura militar.

Algum tempo depois, mais uma notícia: em Belo Horizonte, onde já se fala de chamar a Força Nacional e onde os protestos foram violentíssimos na segunda-feira, havia ocorrido a mesma coisa. Depredação total do centro da cidade, sem nenhum policial por perto. Nenhunzinho. Muito estranho.

Nessa hora eu já estava convencida de que estamos diante de uma tentativa muito séria de golpe, instauração de estado de exceção, ou algod do tipo. Muito séria. Muito, muito, muito séria. Postei algumas coisas no facebook, vi que havia pessoas compartilhando da minha sensação. Sobretudo quem havia ido às ruas no dia de hoje.

Um pouquinho depois, outra notícia: a nova embaixadora dos EUA no Brasil é a mesma embaixadora que estava trabalhando no Paraguai quando deram um golpe de estado em Fernando Lugo.

Me perguntaram e eu não sei responder qual golpe, nem por que. Mas se o debate pela desmilitarização da polícia e pelo fim da PM parece que finalmente havia irrompido pelos portões da USP, esse seria um ótimo motivo. Nem sempre um golpe é um golpe de Estado. Em 1989 vivemos um golpe midiático de opinião pública, por exemplo. Pode ser que estejamos diante de outro. Essa é a impressão que, ligando esses pontos, eu tenho.

Já vieram me falar que supor golpe “desmobiliza” as pessoas, que ficam em casa com medo. De forma alguma. Um “golpe” não são exércitos adentrando a cidade. Não necessariamente. Um “golpe” pode estar baseado na ideia errônea de que devemos apoiar todo e qualquer tipo de indignação, apenas porque “o povo na rua é tão bonito!”.

Curiosamente, quando falei sobre a manifestação do dia 13 com meus alunos, no dia 14, vários deles me perguntaram se havia chances de golpes militares, tomadas de poder, novas ditaduras. A minha resposta foi apenas uma, que ainda sustento sobre este possível golpe de opinião pública/mídia: em toda e qualquer tentativa de golpe, o que faz com que ela seja ou não bem-sucedida é a resposta popular ao ataque. Em 1964, a resposta popular foi o apoio e passamos a viver numa ditadura. Nos anos 2000, a reposta do povo venezuelano à tentativa de golpe em Chávez foi a de rechaço, e a democracia foi restabelecida.

O ponto é que depende de nós. Depende de estarmos nas ruas apoiando as bandeiras certas (e há pessoas se mobilizando para divulgar em tempo real, de maneira eficaz, onde está o ato contra o aumento da passagem, porque já não podemos dizer que é apenas “um” movimento, como fez Haddad em sua entrevista coletiva). Depende de nos recusarmos a comprar toda e qualquer informação. Depende de levantarmos e irmos ver com nossos próprios olhos o que está acontecendo.

Se essa sequencia de fatos faz sentido pra você, por favor leia e repasse o papel. Faça uma cópia. Guarde. Compartilhe. Só peço o cuidado de compartilharem sempre integralmente. Qualquer pessoa mal-intencionada pode usar coisas que eu disse para outros fins. Não quero isso.

Quero apenas que vocês sigam minha linha de raciocínio e me digam: estamos mesmo diante da possibilidade iminente de um golpe?

Estou louca?

Espero sinceramente que sim. Mas acho que não.

 

Outros artigos sobre o tema:

– Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente

– Violência e razão.

– Manifestar ou não manifestar?

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A revolução começa por nós mesmos

Seleccionamos algumas músicas relacionadas (directa ou indirectamente) com a temática das manifestações:

– Começamos com um som de Portugal que em poucas palavras descreve perfeitamente o verdadeiro espírito revolucionário! Talvez uma das músicas mais curtas de todas as seleccionadas mas com certeza a música com a qual estamos mais de acordo!

– Continuamos em Portugal com um belo vídeo sobre crise e revolução:

– Ainda sobre a crise:

– Em Angola aprendemos a olhar por detrás do pano:

– No Brasil a luta é contra pedras pesadas:

– De Cabo Verde a Portugal o Rap é manifesto:

– Afinal a luta há de ser contra a fome:

– Por isso em Moçambique busca-se uma intervenção rápida:

– Algo que nos tire dessa geração de hipocrisia:

– Antes que o povo queime tudo:

– E distribua tapas em vez de crisântemos:

– Aqui o manifesto é em prol de nossa língua:

– Mas ainda restam dúvidas se alguém nos ouviu:

– Por isso acordai:

– E vamos juntos dançar na corda bamba!

– Agora, se sua revolta é sentimental faça como Sara Tavares:

– Mostre seu amor popular:

– Ainda que no fundo pense que nada mudará:

– Mande tudo para o inferno:

– Quem sabe assim te deixem em paz:

– Nunca deixe de manter os braços abertos para a vida:

– Ou perderá sua criatividade:

– Afinal, está chegando a Hora:

– Alguém chamou os homens fardados?

Agora, para quem quer  levar o raciocínio além:

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Sobre o mesmo assunto:

– Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente

– Uma panela prestes a explodir!

– Música para revolução

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Pacíficos pero no mucho…

Hoje falaremos dos “manifestantes pacíficos” que dizem representar os desejos e reivindicações do povo brasileiro.

Parece que somente uma minoria dos manifestantes é violenta e que a grande maioria sabe bem o que quer, e acima de tudo, não quer violência!

Para começar, vamos compartilhar um texto de Chico Alves muito bem escrito e compartilhado em uma de suas redes sociais. Dessa forma poderão ver o que achamos das reivindicações confusas dessa manifestação.

Segue abaixo o texto de Chico Alves:

“EU ESTIVE LÁ (E NÃO GOSTEI DO QUE VI)

Estive ontem na Rio Branco para ver a passeata. Pra começar, é bonito ter as ruas cheias de gente outra vez, a garotada se mobilizando, sem precisar de intermediários para dizer que os políticos passaram das medidas e tal… Mas para mim, que sou chato, os pontos positivos se resumem a isso. Vi uma confusão de faixas e cartazes, com menções às mais variadas causas, do fim da jornada dupla de motoristas de onibus à mudança da saúde e educação no país. Tinha de tudo. Era como se, no meio dos 100 mil, cada grupo de cem pessoas estivesse ali para defender uma causa. Ou duas. Ou três. A pergunta é: que resultado pode dar isso? Reivindicar tudo é o mesmo que não reivindicar nada. Se não há uma pauta, se não há negociação com quem pode realizar a mudança, se não há lideranças para negociar com os governantes, onde essas reivindicações vão chegar? Volto ao que disse antes: falta política a essas manifestaçõs. Política no sentido de dar praticidade a tudo e transformar as reivindicações em algo concreto, que realmente beneficie a população. Uma pauta com uma ou duas reivindicações apenas, para indicar os prazos e os meios de se chegar ao objetivo. Sem isso, as passeatas serão apenas grandes points de encontro de amigos, a garotada vai sorrir e chorar emocionada, tirar fotos, fazer vídeos… e só. Como num desfile do Monobloco ou no Rock in Rio. Enquanto isso o povo sofrido continuará sofrendo sem educação, sem saúde, sem transporte decente. Mas todos dormiremos felizes, achando que somos os novos revolucionários.”

Prefeitura de Sampa depois das manifestações de ontem...

Prefeitura de Sampa depois das manifestações de ontem…

No que diz respeito ao carácter não violento dos manifestantes, devemos discordar porque sentimos na pele a violência dos manifestantes… Sim, porque violência verbal não deixa de ser violência! Porque discordamos das manifestações, recebemos comentários muito violentos nas redes sociais… Não se trata aqui de dar nome aos bois ( ou trogloditas), mas sim de mostrar claramente que as pessoas pacíficas estão xingando todos os que não pensam como eles…Xingando e batendo muito também por vezes.

Os policiais que foram violentos tem que ser afastados com certeza da força policial, mas e quanto a população violenta? Afastamos também? De que corporação? De que partido? Do povo? Pode se afastar alguém do povo como se afasta um policial do emprego?

Manifestar suas ideias de forma pacífica não significa sair por ai xingando quem não pensa como você! Vimos gente falando de “neutralizar esses vândalos “que não representam o movimento pacífico. Neutralizar como? Com pétalas de rosas ou com mais violência?

Para quem acha que somos reaccionários, lembramos que estivemos em Portugal e fizemos parte de várias manifestações durante os dois meses que por lá estivemos… Não vimos sequer uma micro gota de violência. Então quando nos falam de um Brasil exemplar por estar indo as ruas sem violência (fora focos minoritários), discordamos plenamente! Até porque Portugal vive no momento actual uma situação económica bem mais difícil que a brasileira e nem por isso eles saem por ai quebrando tudo. A violência no Brasil acontece por motivos lógicos: essa manifestação que se diz de carácter popular, nada mais é que uma bagunça na qual as pessoas reivindicam milhares de coisas diferentes e muitas delas sem sentido! Se existisse organização, uma pauta comum, e objetivos claros e concretos com um plano de acção para atingi-los, ai sim teríamos manifestações bem organizadas…

Para terminar vamos falar de umas pessoas que se acham muito engraçadas e ficam divulgando e fazendo circular notícias que sabem ser falsas apenas para alarmar ainda mais o povo e contribuir para o clima tenso e improdutivo. Um blog brasileiro divulgou ontem um artigo em que dizia que a Dilma teria ameaçado de cortar a internet no Brasil! O que nos espanta é que muita gente acreditou e compartilhou gritando e xingando a presidente de tudo quanto é nome! Hora vejam bem isso é impossível de ser feito, mesmo que ela desejasse fazer isso, isso é tecnicamente impossível! Se fosse piada seria até engraçado, mas o problema é que muita gente acreditou e saiu compartilhando o artigo sem sequer ler até o fim e ver que era uma piada! É nesse tipo de argumento que os manifestantes se apoiam? Essas declarações falsas são o que legitima as manifestações?

Ousamos acreditar que existe algo mais concreto que esse tipo de discurso e convidamos quem quiser participar desse diálogo de maneira construtiva a enviar suas opiniões! Afinal ainda vivemos em um estado democrático e podemos expressar nossa opiniões sem necessidade de perder a paz!

Outros artigos sobre o tema:

– Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente

– Violência e razão.

– Manifestar ou não manifestar?

– Uma panela prestes a explodir!

– Para assistir entre uma manifestação e outra

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Uma gota de violência tira a razão de todos

“Protesto no Centro do Rio reúne 100 mil, e minoria provoca tumulto”

A manchete acima foi uma das manchetes do jornal Globo nesta terça feira 18 de junho de 2013. Muita gente anda dizendo nas redes sociais que a mídia focalizou apenas nos aspectos violentos da manifestação. Essa manchete acima prova o contrário…

As mídias estão contentes com o que está acontecendo por que no fundo, bem como os verdadeiros manipuladores desta manifestação, querem que isso aconteça..

Você realmente acredita que ajudou estas pessoas ao manifestar pelas ruas de sua cidade?

Você realmente acredita que ajudou estas pessoas ao manifestar pelas ruas de sua cidade?

Agora vamos ao que interessa: foram 10 pessoas violentas no meio de 100 mil? Não importa, isso já é violência demais para um movimento que se diz pacifico e independente de correntes políticas.

Além do mais o que mudou realmente? Nada! Foram apenas milhares de pessoas para a rua e amanhã essas pessoas vão voltar ao dia a dia comum delas… O sonho foi alimentado? Ninguém vive de sonhos!

Agora, sem julgar quem esteve e quem não esteve manifestando, gostaríamos de fazer uma pergunta:

– Se 100 mil são capazes de sair às ruas gritar, porque 100 mil não são capazes de colocar um real cada, em um projeto social concreto?

Se cada uma dessas pessoas tivesse contribuído com meio real que fosse, já teríamos ultrapassado a meta do projeto Essor. Projeto que busca levar educação para crianças em bairros carentes brasileiros. Crianças que merecem nosso apoio e nossa solidariedade! Afinal existem sim pessoas fazendo coisas mais concretas contra a desigualdade do que sair por ai gritando, manifestando e muitas vezes quebrando!

Não se trata aqui de vender um projeto por estar no site Zarpante, e sim de abrir os olhos de milhares pessoas que dizem ter acordado! Existem centenas de projetos sociais no Brasil que precisam dessa tão famosa solidariedade que vemos apenas sob forma de gritos e manifestações públicas.

Porque destruir (ainda que sem violência) é sempre mais fácil que construir, assistimos a uma linda cena de cem mil pessoas nas ruas do Rio (sem contar o resto do país). Cem mil pessoas que raramente devem ter ajudado ou participado de um projeto social qualquer. Cem mil pessoas que acham que o importante é agir para depois reflectir e que não percebem que o importante é reflectir para depois agir!

Está na hora de pararmos de culpar nossos governantes (independentemente do partido que representam), e passarmos a lutar de forma concreta e objectiva! Sejamos pragmáticos: quem vai arcar com o “passe livre”? Precisamos mesmo responder ou realmente existem pessoas que “saíram da letargia”?

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Veja também:

Manifestar ou não manifestar….

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Manifestar ou não manifestar: eis a questão

É sempre bom ver que alguém pensa como nós que não estamos sós no mundo, que fazemos parte de um colectivo!

Afinal, não é novidade para ninguém: juntos somos mais fortes.

Como já diziam os três mosqueteiros: “todos por um e um por todos”.

(Por isso vamos divulgar hoje um texto que encontramos na net. No entanto, falemos um pouco sobre o assunto antes.)

O crowdfunding funciona assim também: graças a colectividade! Por isso entendemos muito bem a força que tem a massa e como é importante que pessoas tenham o direito e a possibilidade de se juntarem em prol de uma ideia ou de um projeto.

No entanto, acreditamos em mobilizações conscientes e articuladas com objetivos claros e acessíveis.

Isso de dizer que a manifestação é para mudar o Brasil, que o povo saiu da letargia e quer erradicar de vez a corrupção do país, que os 20 centavos foram a gota d agua, etc, nada mais é que fazer propaganda de slogans de marketing bem pensados no sentido de “vender” a revolução. Cabe a nós cidadãos pensar e saber quem criou esses slogans, antes de sair por ai manifestando…

Quando por exemplo a Maria Bethânia  recebe um milhão de reais do MINC  para fazer um blog sobre poesia, pouco se manifesta em comparação ao caso dos transportes de ónibus. Mas para nós, isso parece um absurdo, assim como o caso de Ivete Sangalo que recebeu dinheiro público para inaugurar um hospital que desmoronou parcialmente depois…

Mas vejam bem: para manifestar contra isso é preciso que cada vez mais pessoas tenham consciência de como é utilizado o dinheiro público e de como nós podemos todos juntos incentivar uma nova forma de realizar projetos culturais e artísticos que inclua directamente o público e democratize o processo de produção cultural. Todos podem ajudar mas nem todos precisam contribuir para algo que não curtem ou para um gasto com o qual não concordam.

E para voltar ao exemplo da Bethânia, ela com certeza tem mais de um milhão de fãs no Brasil e nesse sentido poderia ter conseguido até captar mais fundos do que o milhão recebido pelo edital… Bastaria que cada fã colocasse um real ou até meio e ela teria ultrapassado essa soma.

Repensar a maneira como consumimos, como nos divertimos, como trabalhamos, criamos e divulgamos arte, como financiamos os projetos, nos parece um tema importante demais! Afinal se o povo conseguir financiar realmente seus desejos (sem depender desse ou daquele governo)  aí sim estaremos falando de uma revolução viável e sustentável!

Acreditamos sim que um dia a corrupção possa acabar mas temos que atacar a raiz de cada problema e não sair por ai gritando que a corrupção vai ser erradicada pois estamos mudando o Brasil de vez!

Coat of arms of Brazil, official version Españ...

Escudo de armas do Brasil, versão oficial (Photo credit: Wikipedia)

E para quem deseja uma “primavera brasileira”assim como aconteceu nos países árabes é importante lembrar que hoje em dia os países árabes encontram-se em condições muito piores do que as que já tinham… Que a ditadura apenas trocou de mão além de abrir uma brecha a uma anarquia violenta seguida de tremendas injustiças e desigualdades sociais. Esses países podem ter evoluído mentalmente mas na pratica, no dia a dia, está tudo pior do que era antes e digo isso porque conheço pessoas no Egipto na Tunísia e os relatos são os mesmos…

Segue abaixo o texto que encontramos na net:

por João Pedro Mello

politica@blogdacomunicacao.com.br

“Esse é um daqueles acontecimentos sobre o qual nem desejando se fica desinformado: com o aumento da passagem de ônibus – “a gota d’água” – jovens insurgiram em São Paulo e no Rio de Janeiro. As manifestações chegaram a parar a Avenida Paulista e a minha primeira reação foi a de compartilhar o sentimento majoritário da juventude brasileira acreditando que os cidadãos tinham – com o perdão do clichê – “acordado” frente aos abusos estatais: uma expressão da força física do povo e do “direito à revolução” de Thomas Jefferson, uma verdadeira primavera brasileira. A alegria durou  pouco. Quando fui convidado para os protestos em Brasília, já tinha compreendido a natureza dessa rebeldia: a população está mais adormecida do que nunca.

Minha crítica não é um conservadorismo vazio – desse reacionarismo, aliás, fico longe. Tampouco uma repulsa às depredações, o que parece ser, aliado ao “mas só por 20 centavos?”,  um dos únicos argumentos dos opositores de senso comum.

O ato de protestar em si é sempre válido, mas os protestos nem sempre. Isso quer dizer basicamente que você tem o direito de sair às ruas pelo que quiser, mas se a sua causa é a opressão de negros e homossexuais, por exemplo, você é um babaca.

A questão-chave desses protestos é que eles não são uma insurreição popular “contra a corrupção”; compõem um movimento organizado pela juventude marxista, o que é evidenciado pelas bandeiras vermelhas tremulantes da extrema esquerda. A maioria dos protestantes exige mais Estado e não sabe identificar as reais causas do problema. Mesmo aqueles que nada têm a ver com esse projeto político estão servindo de trampolim para toda essa propaganda político-partidária-ideológica. Será que ninguém notou que o mensalão e as emendas constitucionais anti-republicanas mal são citadas?

Ainda, o movimento Passe Livre é uma ficção. Querem transporte às custas do governo, parafraseando Fréderic Bastiat, se esquecendo que o governo vive às custas de todos. Adivinha quem pagaria o custo da tarifa zero? Com a desvantagem de que, uma vez financiado por impostos, não se saberia mais quanto se paga pelo transporte.

A solução para o transporte coletivo é, como para quase tudo, abertura de concorrência e desregulamentação.  Empresas caras e ruins seriam simplesmente eliminadas pela soberania dos consumidores.

Meu gosto pela rebeldia não salva as manifestações; assim como não participaria de uma passeata da direita neoconservadora, me recuso a protestar ao lado de bandeiras do PCO, do PSTU, da UNE e do PSOL. Minha causa é a liberdade. Por isso não comparecerei a nenhum protesto.”

Fonte: Blog da Comunicação

Para terminar eu diria que manifestar é  bom mais ainda melhor quando se sabe o porque. Ainda melhor se por trás existir uma estratégia clara e uma alternativa bem pensada e elaborada. Precisamos nos unir sim mas em torno de ideias positivas e realizações concretas!

Solidariedade não é sair por ai gritando slogans um ou dois dias no ano e sim ajudar no dia a dia quem você acha que realmente merece sua ajuda!

Sobre o mesmo assunto:

Violência e manifestações…

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E por falar em Troika…

Na semana passada Portugal assistiu a varias manifestações a favor e principalmente contra a Troika. De maneira geral, assistimos a uma demonstração de descontentamento por parte do povo português que foi as ruas de forma massiva e pacifica!
No meio de toda essa confusão, resolvemos focalizar no aspeto artístico relacionado a essa manifestação!

Por isso compartilhamos hoje o som de Chullage feito especialmente para a ocasião, em que o raper não utiliza meias palavras para dizer o que sente a respeito da Troika:

Quanto a foto abaixo, tirada durante as manifestações “Que se lixe a Troika, queremos as nossas vidas”, do 15 de setembro, mostra bem que um outro mundo é possível! Um mundo de mais confraternização e menos violência, mais compreensão e gestos mais humanos para lutar contra a frieza calculista  dos números….

" amor em tempos de guerra"

Adriana Xavier abraça um polícia durante a manifestação “Que se lixe a Troika” em Lisboa. Reuters/José Manuel Ribeiro

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