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Mestre Gil avisou…

Veja abaixo a opinião do cantor Gilberto Gil sobre as manifestações que tem ocorrido no país. Na entrevista ao Globo, Gil revelou um misto de preocupação e ânimo.

Gilberto Gil (1968 album)

Gilberto Gil (1968 album) (Photo credit: Wikipedia)

“Tenho visto, acompanhado, com muita aflição, às vezes, muito susto. Será a volta do monstro daquela época?” — questionou o compositor, referindo-se à violência da repressão policial e à ditadura militar, que o levou ao exílio, em Londres, de 1969 a 1972.

“Na última segunda-feira, eu me senti fragilizado de novo, temeroso de novo. Parecia o dia em que eu fui para a Passeata dos Cem Mil, na Avenida Rio Branco, no dia do meu aniversário, aquele 26 de junho. Fui tomado pelo mesmo temor daquela época, agora em minha casa, acompanhando a TV e as redes sociais, já inserido neste hipertexto, neste hipercontexto”.

“ Mas, num segundo momento, eu me sinto aliviado por ver esta insurgência popular. Me dá indicação de que a transformação, o “Tempo rei” continua rei. Tudo transformando, transcorrendo, as coisas mudando, novas interrogações, novas questões, novas dificuldades analíticas. Eu estava vendo os protestos na TV ontem (terça-feira) e pensando: o que é isso? Essa manifestação junta a rave com o arrastão. São as duas coisas ao mesmo tempo. É a rave-arrastão. Pronto, é um verso, um condensado poético. As novas palavras de ordem juntam ao mesmo tempo a oração e a praga”, complementou.

Gil comentou ainda sobre a necessidade de artistas se manifestarem publicamente.

“No meu caso pessoal, não precisa. Eu fiz isso a vida toda, todo mundo sabe. “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte!” (cantarolou a música “Divino, Maravilhoso”). O encorajamento esta aí, podem usar! É só entrar no meu site, procurar, a música está aí!”, finalizou.

Fonte: O Globo

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Stevie Wonder e Gilberto Gil em Copacabana

Quando “Stevie Maravilha” e Gilberto Gil se reúnem na praia de Copacabana em plena noite de natal, o resultado não poderia ser outro: 500 mil pessoas presenciaram o show  gratuito com o qual os músicos nos presentearam!

Gil e Stevie Wonder fizeram dueto natalino em show na Praia de Copacabana (Foto: Alexandre Durão/ G1)

Gil e Stevie Wonder fizeram dueto natalino em show na Praia de Copacabana (Foto: Alexandre Durão/ G1)

É claro que Zarpante não podia ficar fora desse show inesquecível! Estivemos por lá e presenciamos a belíssima apresentação de Gilberto Gil, que iniciou essa noite magica! Tocou algumas músicas do grande Bob Marley, e muitas de seu repertório pessoal como por exemplo Realce que abriu o show:

Em seguida foram vários sucessos como “Nos Barracos da cidade”, “Esperando na janela”, e tantos outros que incendiaram o público que esperava ansiosamente por Stevie wonder!

Estava complicado filmar no meio de tanta gente, então, apesar de ter levado maquina para filmar, acabei não filmando nada mas curti e dancei até ficar de pernas bambas! Ainda assim, procurando na net encontrei alguns vídeos para transmitir um pouco do que foi esse show! Aos que por lá estiveram, um grande abraço (foi lindo), e para que não foi só lamento…

O Stevie Maravilha já avisou que ano que vem tem mais! Estaremos aguardando!

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Podcast Zarpante 013

No mês passado, perguntamos aos nossos ouvintes que tema desejavam ver abordado em nosso Podcast de dezembro. O tema escolhido por vocês foi o seguinte: a influência africana na música dos países de língua portuguesa.

Chegou a hora de mostrar  a selecção que  preparamos especialmente para nossos caros ouvintes! Venham zarpar pelos mares dos ritmos africanos  na companhia de Gilberto Gil, Jorge Ben, Clementina de Jesus, Cesária Évora, António do Fumo e muitos outros…

Podcast Zarpante 013

Podcast Zarpante 013

Passaremos por Angola, Cabo Verde, Brasil, Portugal, Estados Unidos e descobriremos a origem do banjo no  Senegal (cujo  território, em parte já fez pertenceu a Guiné- Bissau)

Podcast Zarpante 013 by Zarpante Lda on Mixcloud

Aproveitamos para desejar um bom Natal e um feliz ano novo a todos  os que acompanham nosso Podcast!

Playlist:

  1. Motherland – Madlib
  2. Raízes da Africa – Aniceto e Campolino
  3. Samba do mar – Camafeu de Oxossi
  4. África Nossa – Cesaria Evora
  5. Canto de Xango – Vinícius de Moraes e Baden Powell
  6. Canto Negro – (Interprete desconhecido)
  7. Aclamation des femmes et tambours Ogbon – Pierre Verger e Gilbert Rouget
  8. Retrato da Bahia – Batatinha
  9. África Mamãe – Jovino dos Santos
  10. Filhos de Gandhi – Gilberto Gil e Jorge Ben
  11. Inch’Allah – Terrakota
  12. Akonting – Daniel Jatta
  13. Monami – António do Fumo
  14. Kamba dia umba – António Paulino
  15. Maracangalha – Dorival Caymmi
  16. Memórias de Lamartine – Os Kiezos
  17. Canto XII – Clementina de Jesus
  18. Maria Dia Pambala – Sofia Rosa

– Podcast Zarpante 01

– Podcast Zarpante 02

– Podcast Zarpante 03

– Podcast Zarpante 04

– Podcast Zarpante 05

– Podcast Zarpante 06

– Podcast Zarpante 07

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– Podcast Zarpante 09

– Podcast Zarpante 010

– Podcast Zarpante 011

– Podcast Zarpante 012

– Podcast Zarpante 014

– Podcast Zarpante 015

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Entrevista com Aleh Ferreira

O músico brasileiro Aleh Ferreira foi entrevistado por Zarpante! Além de ser um autentico mestre do swing, amigo e parceiro do site Zarpante e de seus integrantes, ele é um ser humano formidável!

A música que faz é tão cheia de energia, e tão atual, que as vezes até esquecemos que o artista já leva uma certa bagagem nas costas e teve por exemplo a felicidade de integrar a mítica Banda Black Rio!

Aleh Ferreira / Foto: Gabriel Pedramarrom

 

A entrevista foi feita por email para agilizar o processo, mas as fotos que acompanham foram feitas em Paris, pelo fotógrafo brasileiro, Gabriel Pedramarrom!

Só resta degustar esta entrevista acompanhada pelas fotos especialmente feitas para a ocasião!

– Quem é Aleh Ferreira?

– “Não consigo vê-lo completo; só vejo as mãos (rsrs), só tenho palpites, mas é alguém que acorda todo dia sabendo que precisa melhorar, melhorar o quê? Ser uma pessoa melhor, fazer boas escolhas.

Ser uma pessoa melhor no que faz, aprender o “não” que liberta, se livrar do “sim” que vicia, perceber melhor o sentido da vida, quando ela fala alto ou sussurra, exercitar a paciência constantemente”

É uma infinidade de coisas que ele busca: saber terminar e sempre recomeçar.

– Quando e porque começou a fazer música?

-“A música me capturou. Embora não tenha nenhum músico na minha família, se ouvia muita música brasileira, e de tudo mais, nos anos 70, quando ainda era um menino.

Das velhas canções românticas, da era do rádio ao Tropicalismo, e ao soul dos anos 70, de James Brown, Stevie Wonder,Tim Maia e Michael Jackson. Do baião de Luiz Gonzaga à bossa nova de João Gilberto e Tom Jobim. Dos sambas inspirados de Cartola e Paulinho da Viola à diversidade melódica e genialidade metafórica das letras de Chico Buarque, Luiz Melodia, Jards Macalé, Gilberto Gil e Caetano Veloso, Gonzaguinha e muitos outros.

Ganhei meu violão aos 13 anos, porque deram o meu cão de estimação, pois íamos morar num apartamento. Fui aprendendo com os discos, autodidata mesmo. Mas, ao frequentar o ensino médio, eu não vislumbrava a música como carreira. Pensava em ser psicólogo, arquiteto, sociólogo. Pensei finalmente em cursar comunicação, na área de cinema. Foi quando eu percebi que já tava trabalhando como músico, pra pagar as minhas despesas básicas.Tocava na madruga e trabalhava no mesmo curso em que eu estudava, como “bolsista”. Dormia pouco, nestas idas e vindas, e não conseguia me preparar bem pra enfrentar uma federal, que era privilégio de poucos, na época.

Ao mesmo tempo que comecei a entrar no meio da música, comecei a me decepcionar com o academismo. Pensei até em cursar música, mas ouvia histórias sinistras, de alunos que eram suspensos da escola de música da UFRJ por tocarem Tom Jobim. Na época, não existia o curso de música popular, e quem fizesse música teria que cursar o erudito. Nada contra, mas já estava envolvido pelos primeiros ares da boêmia criativa carioca. Indo pra música popular, além de redescobrir e reinventar o Brasil em que eu acreditava, eu estava aprendendo sobre psicologia, sociologia, arquitetura, comunicação e cinema, através das obras e, num breve momento, com os boêmios inteligentes e bons de papo.”

– Quais são suas inspirações?

-“Estas que eu falei que ouvia, quando menino, e que ainda ouço até hoje, mas estou sempre atento a algo novo, a algo desconhecido. Isso me dá estímulos. Ver filmes e ler livros, também.”

– Samba preferido? Fado preferido? O que você escuta quando não está tocando?

-“Os sambas de Cartola, de Paulinho da Viola, de Zé Keti. Os fados que a Carminho canta, aquele do marinheiro é incrível (“Meu amor marinheiro”). Gosto muito do cd do Criolo. Sou fã mesmo. Ele teve uma boa sacada e é um exemplo único e contemporâneo de quem chegou ao “mainstream” brasileiro pelo talento. Tô voltando a ouvir soul-funk. Tenho apego a tudo que mescle a tradição e a modernidade.

Normalmente escuto o que pede o meu estado de espírito. Assim, tem dias em que a minha cabeça não quer ouvir nada, quer ouvir a matéria prima da música, sabe? O mistério do silêncio, que não é silêncio nenhum, é denso e fluente. Fico relaxado e, acompanhando esses sons da natureza original, normalmente vem uma música.

Onde eu moro é bom fazer isto, pois ouvem-se crianças, um carro distante, o vento, pássaros, uma música trazida pelo vento e distorcida, que você ouve em outro tempo.”

Aleh Ferreira / Foto de Gabriel Pedramarrom

– Como define seu estilo musical?

-“MPBSOULSAMBAGROOVE: esse foi o nome do meu primeiro cd solo, o que tem ‘Dona da banca”, e eu escolhi este nome, porque as pessoas viviam me fazendo esta pergunta e eu tinha, e tenho ainda hoje, uma certa dificuldade de responder. A mesma dificuldade de me rotular e de o mercado e a indústria cultural entenderem o que eu quero, ou qual é o meu sabor.

Esses obstáculos me impulsionam na busca de música “boa”, ou seja, uma música que transcenda, que cause um estranhamento e, ao mesmo tempo, se sinta como familiar, peculiar. Uma música que seja com clichês ou com metáforas, ou que abuse em simbolismos, mas que mexa com o inconsciente coletivo.

Não sei se essa música precisa ser de um determinado estilo, mas busco essa música dentro e fora de mim.

Claro, tem algo constante, que é o “Swing”. Isso eu sei que vem no meu DNA. Herdei da minha mãe.

Minha música vem do berço da cultura afro-brasileira, com a influência das harmonias europeias, do samba-choro, dos empréstimos modais do Marvin Gaye e do Stevie Wonder, e muito tambor, enquanto dormia e o terreiro ressoava, trazendo as vibrações musicais milenares dos orixás.”

– Como é seu processo de criação? Como são as etapas?

-“Ouço aquele silêncio, vem uma melodia na cabeça, vou pro gravador, canto, pego o violão, toco, esqueço do mundo, enxergo as palavras do som, escrevo, e aí começa aquela dor, aquele limite a ser transposto, quando vejo, passou, que dor que nada, a música tá boa, ou tsk tsk ainda não, ou, caramba! Fui eu que fiz isto?

Foi assim com “O Sonhador”:

percebi que a música era boa, logo nos primeiros compassos, mas não estava pronta, era a canção que eu sonhava, quase que buarquiana. Então, senti uma responsa e ela ia saindo, e aquela dor, e aí, 30 minutos depois, lá estava ela pronta. É estranho falar assim, mas desta, modéstia à parte, eu gostei, mas não são todas as de que eu gosto assim.

Esse é o processo que eu prefiro. Tem outros processos: melodia pra letra pronta, escrever uma prosa, ir cantando e transformando em verso, e as músicas de encomenda, como Cyber cabaret pro longa-metragem “Elvis e Madonna.”

– Fale um pouco de sua relação com a Europa (suas ultimas vindas, suas próximas vindas, seu público e seus planos)?

-“Embora tenha um tempo na estrada, comecei as viagens para o exterior nos últimos dois anos. A primeira foi para a África do Sul, na Copa de 2010, com a Banda Black Rio. No mesmo ano, fui para a Inglaterra, a convite da Universidade de Oxford, para um show de encerramento de uma semana literária brasileira. Aproveitei e fiquei uns dias em Londres, fiz algumas Gigs, alguns amigos, e fui conhecer Paris e fazer um show informal na Cité Universitaire. Estas aparições me renderam um retorno seis meses depois, quando cantei num evento alternativo em Londres, o Makumba Fest, e fiz um show em Paris, no Studio de L’Ermitage. Ambos os eventos pra umas 300 pessoas. Passei também pelo Favela Chic, convidei a Thais Gullin pra dar uma canja. Conheci até o Chico Buarque.

Então, toda essa experiência já estava saindo do campo do superficial, e pensei: vou continuar este investimento no exterior, meu cd está sendo distribuído aqui na Europa, e tem este imenso circuito de festivais.

Então retornei em 2012, fiz várias Gigs em Londres. Planejo, inclusive, gravar um disco de afro-brazilian beat, com um músico produtor que conheci lá. Fiz o Summerset House Festival, no evento na Casa Brasil, no período dos Jogos Olímpicos. Retornei a Paris, pra mais um show no Favela Chic, fui à Dinamarca me apresentar lá no Brasil Tropicália, e finalizei cantando na primeira tournée européia, com a Banda Black Rio, na qual passamos por Paris (New Morning), Amsterdam (Paradiso) , Bélgica (Antuérpia) e Londres (Ronnie Scoot’s).

Minhas metas agora são chegar a Portugal e também fazer um disco pra Europa, gravado na Europa, com participações de artistas europeus.”

Aleh Ferreira / Foto: Gabriel Pedramarrom

– E no Brasil ?

-“Fazer o DVD Aleh+Samba e meu novo cd pra 2013.”

– Você nos apresentou o filme RIP, bem como o curta Remixofagia. Gostaríamos de conhecer seu ponto de vista sobre as novas formas de difusão musical e sobre os direitos autorais. Como isso influencia seu trabalho?

-“Quando gravei meu primeiro disco solo, a realidade da indústria era diferente da do meu primeiro cd, com o BANTUS. No momento em que eu consegui um sucesso, através da mídia alternativa, a indústria estava em crise, com o advento da digitalização: gravadoras fechando, muita gente sendo mandada embora. Esse era o cenário, e eu com um cd cheio de samples: Zé Keti, Cartola, Martinho da Vila. Eu e muitos músicos da época não tínhamos total noção do que acontecia. Muita gente sampleava a torto e a direito.

Estava na gravadora independente (Nikita), fui atrás das autorizações e consegui. Dona da Banca foi um sucesso, o cd não vendeu muito. Foi um paradoxo: mídia espontânea bombando, outros valores brotando.

Logo depois, o D2, pela Sony, fez o “À procura da batida perfeita”, cheio de samples, e um dos maiores sucessos de público e crítica na época.

Com o Remixofagia, eu percebi que, até aquele momento, o Brasil era muito democrático, no que diz respeito à propriedade intelectual. Isto porque está no cerne da nossa cultura a “antropofagia”. Comemos literalmente a carne dos europeus, durante uns 250 anos, no mínimo, até eles completarem o processo caótico de colonização, e isto deixa um rastro na nossa cultura, que se reflete, anos depois, na nossa criação. Devolvemos com originalidade o que vem de fora, como num movimento inverso, que
começou no Tropicalismo. Chamo esse movimento inverso de “Regorgitofagia”.

Os DJs dos anos noventa salvaram a crise criativa musical, resgatando levadas, produzindo, “loopeando” e “sampleando” direto, e aí veio o acid jazz. Redescobriram a Banda Black Rio em Londres e, no Brasil, o preço do vinil TIM MAIA RACIONAL, que era uma joia rara, subiu muito. Ouvi dizer que teve gente que pagou 1000 pratas nesse vinil.

Os anos noventa foram importantes, no sentido da valorização do retro. Foi o que segurou essa crise criativa musical, até as torres gêmeas caírem. Então vieram a digitalização e a explosão tecnológica, que deram informação pra quem não poderia comprar nunca. Mais informação, mais recursos, menos grana, pois a globalização não globaliza o capital e, quanto menos grana, mais criatividade e mais experiências e mais regurgitofagia, até chegarmos ao “mashup”. Muito interessante tudo isto.

Por um outro lado, o autor fica obrigado a se interpretar, pois a possibilidade de seus direitos fonomecânicos minguarem é crescente, e ele tem de ir pra estrada, pois vive de música e não pertence à elite da “alta cultura musical das capitais do capital”.

Me parece que, hoje em dia, no Brasil, já temos os primeiros sinais de vida deste mercadão. Mas isto ainda é pra poucos. Como disse o Rômulo Fróes. Nos últimos dez anos, o artista que pertencia à era do vinil corria em busca do sucesso, e o de hoje, o da era do download, foge do fracasso. Não vejo isto como pessimismo e sim como uma visão realista, pois a era do download não é romântica.”

– Qual é sua concepção da lusofonia? Curte sons de outros países de língua portuguesa? Poderia nos citar alguns exemplos?

-“Cesária Évora, Carminho. Paulo Flôres,Tcheka. Preciso conhecer mais. Me tornei um sócio colaborador de Zarpante, também com este intuito: difusão da cultura lusófona.”

– Você não acha que os artistas desses diferentes países deveriam co-produzir mais projetos juntos, mesmo estando geograficamente distantes?

-“O melhor a se fazer, neste momento “transcaótico” que passamos, são estas interações: esta é a melhor herança dos tempos globais. Nunca o homem reuniu, criou tantos recursos e ferramentas, pra que realmente haja uma evolução completa.

O momento é este, e os artistas, de todas as áreas, estão percebendo isto. Já circulam na rede esses ventos. Estar conectado não é ser mimetizado por esta tela, fazendo contatos virtuais apenas. Pra que a conexão se complete e seja verdadeira, é preciso ir até o contato, esteja onde estiver e, de preferência, de culturas diferentes. A lusofonia tem muito a dar neste aspecto.”

Aleh Ferreira / Foto: Gabriel Pedramarrom

 

 

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Em Pequim com a RTP!

Continuando a zarpar pelas aguas do planeta, avistamos este interessante documentário sobre portugueses em Pequim!

Visitemos a China acompanhados por portugueses que moram por lá?

Gilberto Gil singing with guitar.

Gilberto Gil singing with guitar. (Photo credit: Wikipedia)

Como diria Gilberto Gil :” Se oriente Rapaz”!

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Tudo Bom?

O post de hoje estará classificado na categoria França/Brasil de nosso blog! Uma nova categoria que criamos para posts sobre arte e cultura francesas no Brasil e vice e versa! Por isso mesmo será bilingue,podendo ser acessado por falantes da língua de Baudelaire e por falantes da língua de Vinicius de Moraes!

Firmamos hoje uma parceria com o pessoal da Tudo Bom?.

“TUDO BOM?  desde 2005 é uma marca de moda franco-brasileira colorida e engajada, que fabrica roupas no Brasil para homem, mulher e criança.  Uma moda que reconcilia prazer e responsabilidade.

É um projeto único no universo de vestuário e  desenvolvimento sustentável: uma cadeia de produção orgânica e equitativa integrada, desde os campos de algodão (no Nordeste) até à confecção (em Petrópolis), um trabalho  diário com pequenos produtores para fazer avançar a cultura do algodão orgânico no Brasil.”

Por acreditarmos na importância de projetos sustentáveis ligados a arte e cultura, e por serem parceiros residentes em Paris, ficamos muito animados com esta nova parceria! E nossos diálogos já começaram bem! Eles estão organizando um evento junto ao pessoal do Criolina em Paris e para os brasileiros e franceses com vontade de boa música brasileira,vale a pena conferir!

Os lusófonos residentes em Brasília ou São Paulo, com certeza já devem ter ouvido falar do pessoal do Criolina! Leiam a seguir trechos do Release do grupo:

“…o que guia nosso trabalho é fazer com que a arte e a cultura se aproximem cada vez mais das pessoas… Não pensamos em nada além da educação cultural, de nossa cidade, de nosso país, do mundo e de nós mesmos. Buscamos a verdadeira globalização da cultura, onde os povos se unam cultuando a arte, espalhada por cada cantinho desse planeta.”

“Dessa vez desacompanhado, DJ Pezão vai representar o Criolina na França, País Basco e Alemanha em Março e Abril desse ano.

A festa Criolina é conduzida pelos DJs Pezão e Oops em Brasília e pelo DJ Barata e a produtora Cláudia Daibert em São Paulo. Essa galera integra o coletivo de produção Só Som Salva, que, além da festa, também produz shows, projetos culturais, design gráfico, divulgação, curadoria, agenciamento e circulação de artistas, trilhas sonoras para cinema e publicidade, vídeos, uma revista, um catálogo cultural anual e um programa semanal na Rádio Cultura FM 100,9 de Brasília.

Em mais de 250 edições, cerca de 1000 artistas de mais de 10 estados brasileiros e mais de 10 países diferentes já subiram no palco do Criolina. Do mesmo modo, a festa Criolina não está ancorada: já viajou para mais de 15 cidades brasileiras – capitais e interior, e para 7 países do exterior.
A Criolina também acontece regularmente em São Paulo desde janeiro de 2008. Após passar pelas casas Studio SP e Berlim Club, atualmente acontece no Tapas Club, na Rua Augusta, coração da bohemia paulista.
Outros destinos frequentes são: Goiânia, Uberlândia, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Campinas, Recife, Salvador e São Jorge, entre outras. Também é fácil ouvir falar do Criolina em várias cidades do velho continente. Até hoje a festa já soma 5 passagens pela Europa.
A festa contempla a música brasileira, regional e mundial, buscando o que acontece em cada canto do terceiro e primeiro mundo. As cenas independentes de cada região, a música autêntica dos guetos, o que não se ouve no rádio mas nas ladeiras de Pernambuco, nos acampamentos ciganos do leste europeu, nos soundsystems jamaicanos, nas rodas de samba do Rio de Janeiro, nas aparelhagens do Pará, no subúrbio de Angola, nas cidades satélites do Distrito Federal, enfim, nossa pesquisa está onde o povo está.

…Em outubro e novembro de 2010 os DJs Criolina realizaram sua 4a turnê por festivais e clubs na Europa, com destaque para o Womex, a maior feira de world music do mundo. Em dezembro foram selecionados para a Feira Música Brasil, promovido pelo Ministério da Cultura e Funarte. E terminaram o ano se apresentando na festa Réveillon Du Brésil, em Paris, de onde partiram para mais uma turnê internacional.

…Já abriram shows para diversos grandes nomes como Gilberto Gil, Lauryn Hill, Jorge Ben Jor, Manu Chao, Hermeto Paschoal, Skatalites, Lenine, Nação Zumbi, Marcelo D2, Afrika Bambaata, Mad Professor, Julian Marley, Seu Jorge, Los Hermanos, entre vários outros.”

Baixe aqui dois CDS do Criolina.

Telecharger gratuitement deux cds de Criolina:

Assistam também ao vídeo da tournée do grupo ano passado na Holanda

Acompanhe a tournée pela Europa:
Dates de la tournée en Europe:

>> 28/03 – Toulouse – Neiwa shop showcase

43, rue des Filatiers – Toulouse – 18h30

http://www.facebook.com/events/359380927434786/

>> 31/03 – Toulouse – Tropicalia Grooves#7 w/ Orquestra Voadora

La Dynamo – 6, rue Amélie – Toulouse – 19h00

>> 04/04 – Donostia (San Sebastián – Euskadi) – Global Funk Party

Le Bukowski – Egia kalea, 18, 20012 Donostia-San Sebastián – 23h00

http://www.facebook.com/events/107992852658706/

>> 05/04 – Bordeaux – Le Comptoir du Jazz (tbc)

>> 06/04 – Leipzig – Distillery Club

http://www.distillery.de/

>> 07/04 – Dresden – Groove Station – Fat Kat Disko

http://www.groovestation.de/live.html#event_0704

http://www.fatkatdisko.de/>>12/04 – Paris – Criolina para Tudo Bom? T Collection

Tudo Bom? Shop – 8, rue des Abbesses – 75018 Paris – 18h30

>> 14/04 – Paris – Avenida Brasil

La Bellevilloise – 21, rue Boyer – 75020 Paris – 22h00

Ce post figure dans la catégorie “França/Brasil” de notre blog! Une nouvelle catégorie qui rassemble les posts parlant d’art et de culture francophones au Brésil et d’art et de culture brésiliens en France! Ainsi pour entraîner votre portuguais, vous pourrez lire ce post en portuguais juste au-dessus.

Nous avons établi aujourd’hui un partenariat avec Tudo Bom?.

“TUDO BOM ? c’est depuis 2005 une marque de mode franco-brésilienne colorée et engagée, qui fabrique des vêtements bio & équitables au Brésil pour homme, femme et enfant.

TUDO BOM ? C’est un projet unique dans l’univers de l’habillement et du développement durable : une filière de production bio et équitable intégrée verticalement, depuis les champs de coton (dans le Nordeste) jusqu’à la confection (à Petrópolis, dans l’état de Rio de Janeiro). C’est un travail au quotidien sur le terrain pour faire avancer la culture du coton bio et un travail équitable auprès de petits producteurs au Brésil.”

C’est parce que nous croyons en l’importance de projets soutenables liés à la culture que nous sommes heureux de vous annoncer ce nouveau partenariat parisien! Et cela commence bien! Ils sont en pleine organisation d’un événement avec le groupe Criolina le 12 avril à Paris! (Calendrier avec dates de tournée au-dessus)

Venez vous dépayser et vous laissez envahir par les ondes sonores brésiliennes!

Ci-dessous quelques petites vidéos montrant des soirées animées par Criolina en France l’année dernière et le mois dernier!

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Remixofagia!

English: Current Brazilian President Luiz Inác...

Image via Wikipedia

Para refletir e entreter-se neste domingo,assista ao vídeo “Remixofagia – Alegorias de uma Revolução”, que  foi produzido pela Casa da Cultura Digital, remixado/dirigido por Rodrigo Savazoni e pela produtora Filmes para Bailar.

“A CCD é um espaço de troca, por onde circulam idéias, projetos, pessoas. São pessoas e organizações tentando encontrar um modo de convivência e de convergência que respeite as individualidades, as diferenças, as diversidades. Para quem acredita que o digital é algo mais do que uma mudança estética.”Fonte : site do CCD

Um filme necessário e que resume bastante bem a situação atual da cultura digital no Brasil e no mundo! Nesta terra antropófaga , um povo mestiço sintetizou uma nova forma de cultura!

Com as novas formas de tecnologia e as novas estruturas disponíveis, e contando com redes de informação cada vez mais descentralizadas, é chegada a hora de incluir e não proibir, unir e não excluir! Tirar a hegemonia  e democratizar o acesso a cultura!

Está na hora de fragmentar o poder e dar livre acesso ao povo incentivando consultorias publicas por meio da cultura digital para que cada cidadão possa intervir.

Precisamos passar a ver a Cultura como um bem acessível por toda e qualquer pessoa independentemente da origem social, e promover inclusão digital e social para que todos se tornem protagonistas e produtores do processo.

Somente a través da subjetividade de cada ser humano poderemos criar uma biblioteca universal com um  conteúdo cada vez mais rico!

Depoimentos de Lula, Dilma, Gilberto Gil…, sobre a necessidade de harmonizar e equilibrar a balança entre a propriedade intelectual e o direito de acesso a cultura. Defender os direitos dos criativos é necessário para que continuemos tendo artistas que vivam de sua arte mas é também importante poder divulgar esta mesma arte para cada vez mais pessoas!

“Remixofagia é um pequeno e necessário manifesto sobre a cultura digital brasileira:

A 2º parte do vídeo foca naquela ideia  de que as corporações correm atrás do velho lucro e tentam impedir a cultura de ser livre. Aí entram diversas falas para ilustrar os argumentos, especialmente dos defensores da cultura livre/digital. Destaque para os dizeres sempre lúcidos/viajantes de Gilberto Gil: “as corporações começam a se defrontar com o fantasma do custo zero, e aí o capitalismo entra em parafuso, onde é que nós vamos ganhar dinheiro?“.

E de Cláudio Prado:

O Brasil é o remix total. Por isso que quando bateu aqui as pontas dessa nova realidade colaborativa que estava pra nascer no mundo, ela encontra um terreno extremamente fértil no Brasil, e por isso se explica a demanda por uma política pública de banda larga“.

O raciocínio implícito da fala de Prado pode ser: se o Brasil já anda tomando a frente mundial em diversas frentes pró-cultura livre e digital com uma banda larga de quando muito 1 mega (!) que temos – que nem a todos lugares chega, e quando chega ainda pode ser muito caro – imagina quando se tiver um plano de acesso à rede decente, barato e acessível a (quase) todos, como já acontece em muitos lugares do mundo, como em Portugal, e se quer implantar aqui através do Plano Nacional de Banda Larga, ainda que com muitas restrições de velocidade, locais e preços.”

texto entre aspas encontrado no blog  baixa cultura !

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Darcy Ribeiro 5

No ano de 1995, o antropólogo Darcy Ribeiro publicou o livro O Povo Brasileiro, no qual aborda a estruturação dos diversos “modos de vida” de nossa nação. Ele fala sobre nossas matrizes: tupí, lusa (portuguesa) e afro (africana), do encontro destas matrizes e da estruturação do modo de vida, costumes e tradições Cabocla, Caipira, Crioulo, Sertaneja e Sulina. Por fim, discute o Brasil atual, como um país rico em diversidade de “modos de vida” e como foi se construindo.
Tamanho o sucesso e excelência do livro, a TV Cultura, a GNT e a Fundar co-produziram um documentário mostrando em vídeo aquilo que o antropólogo mostra em palavras. O documentário conta com a participação de personalidades como Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab´Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil e Hermano Vianna, dando depoimentos e discutindo trechos do filme.

Brasil

“Os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Essa unidade não significa porém nenhuma uniformidade. O homem se adaptou ao meio ambiente e criou modos de vida diferentes.” (Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro, 1995).

Neste capitulo Darcy Ribeiro se dedica a falar do “Brasil Crioulo”. Para iniciar o assunto, ele explica que “O Brasil, quando entrou nos séculos 16 e 17, era o maior mercado do mundo. Tinha a maior riqueza do mundo.” Segundo ele, o açúcar, naquela época, era como o petróleo hoje. E aquela prosperidade imensa era alimentada com escravos. “O Brasil era um moinho de gastar gente, de moer gente,” afirma, complementando com números estarrecedores: em quatro séculos, saíram da África para as Américas, inclusive Estados Unidos, cerca de 100 milhões de escravos. Um total de 12 milhões foram destinados ao Brasil. Desses, seis milhões morreram.

Tudo isso e muito mais neste quinto capitulo! Para assistir basta clicar abaixo!

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