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O badalado crowdfunding

Porém, se o filme Inocente venceu  um Oscar em 2013, não é a primeira vez que a Academia se interessa por obras que nasceram em parte graças ao crowdfunding. Nesse ano, o documentário Kings Point  e o curta-ficção Buzkashi Boys também competiram ao Oscar, tendo respectivamente captado mais de 10.000 et 27.000 dólares graças ao financiamento coletivo. Além disso, três outros filmes financiados por crowdfunding também já tinham sido nomeados nos anos passados.

O fenômeno é similar na França, onde Le Sommeil d’Or, de Davy Chou, concorreu ao César de melhor documentário do ano, após ter recoltado mais de  11.000 euros em um site de crowdfunding. Consideremos ainda que 10% dos filmes selecionados para a mais recente edição do festival de Sundance, são filmes financiados totalmente ou em parte graças ao crowdfunding. Isso nos dá uma pequena ideia da amplitude do fenômeno e do reconhecimento institucional (por assim dizer) que o crowdfunding tem adquirido pouco a pouco…

Um recente estudo, encomendado por uma plataforma americana, indica que 2,7 milliards de dólares foram investidos por meio do crowdfunding em 2012, ou seja, um aumento de 81% em relação a 2011. Em torno de 12% desse valor diz respeito a filmes e teatro, que ficaram na frente dos projetos musicais com 7,5%.

Se falarmos unicamente da Europa, são 945 millions de Euros que foram contabilizados pelo estudo. As previsões para 2013 são de  5 bilhões de Euros no mundo todo. A revista Forbes, por sua vez, estima que o potencial de captação do crowdfunding irá se elevar à 1.000 bilhões de dólares em 2020.

Como tem se relacionado o crowdfunding com o audiovisual?

Nos  Estados-Unidos, a plataforma líder mundial, criada em 2008, possibilitou concretizar mais de 39.000 projetos, sendo que a grande maioria destes almejava um valor inferior  a 10.000 dólares.

Os filmes e os vídeos ocupam o segundo lugar no ranking das categorias mais prolíficas, logo atrás da música.

Estima-se que em 2012 274.391.721 dólares tenham sido realmente entregues aos “criativos”.

As estatísticas vertiginosas, escondem tanto histórias de sucesso, quanto grandes fracassos.

A série, Veronica Mars, que captou mais de um milhão de dólares em menos de 4 horas, é um exemplo de que tudo é possível na internet! No fim da campanha de captação, o projeto contava com algo em torno de  6 milhões de dólares. A receita do sucesso? Uma comunidade consequente de fãs (já constituída), vidéos lúdicos et recompensas interessantes. Detalhe: a Warner Bros se comprometeu a distribuir o filme caso a captação de recusros ultrapassasse os dois milhões de dólares… Mais uma façanha interessante do crowdfunding, democratizando a escolha dos programas a serem transmitidos na Tv e dos filmes que o público deseja ver serem realizados.

No entanto, nem tudo é azul nas plataformas americanas de crowdfunding: a cantora Bjork, mundialmente reconhecida, anulou um projeto no Kickstarter dez dias depois do lançamento, por falta de participação do público. Apenas  4% da meta  (375.000 Libras) tinham sido arecadadas. A ideia era financiar aplicativos relacionados ao álbum Biophilia. Razões do fracasso? : Recompensas insignificantes, relativamente inútil como projeto, e,  com certeza as pessoas não sentiram que a cantora islandesa precisasse realmente de ajuda., pois a cantora não deve ter se envolvido com sua própria campanha.

A verdade é que com uma base de fãs que já esteja construída, que seja ativa e participe divulgando e contribuindo, alguns vídeos para soltar durante a campanha, uma estratégia engraçada porém sólida e pragmática, uma boa ideia bem explicada,  e claro, um mínimo de participação e de luta pelo seu  próprio projeto, qualquer um é capaz de atingir metas inimagináveis gracas ao crowdfunding!

E ai pessoal? Alguém se animou?

Acessem já o site Zarpante e saibam mais sobre a plataforma de Crowdfunding dedicada ao falantes da língua portuguesa! De onde quer que venham e onde quer que estejam, serão todos bem-vindos!

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O Redentor existe graças ao crowdfunding

Cristo Redentor on Corcovado, Rio de Janeiro, ...

Cristo Redentor no Corcovado, Rio de Janeiro, Brasil (Photo credit: Wikipedia)

Que o Cristo Redentor é uma das novas 7 maravilhas do mundo, isso você já sabe, mas sabia que foi construido graças a uma forma de crowdfunding?

38 metros de altura sobre o alto do pico do Corcovado e seus 710 metros de altura. Essa estatua, que hoje  é considerada por 23,5% dos entrevistados pela Forbes, nos países da América Latina, como o maior símbolo da América Latina. A pesquisa foi feita pela internet e reuniu a opinião de 1 734 executivos de todos os países da região.

Além disso, é o local mais visitado do país pelos turistas!

A construção de um monumento religioso no Corcovado foi sugerida pela primeira vez em 1859, pelo padre lazarista Pedro Maria Boss, à Princesa Isabel. No entanto, apenas retomou-se efetivamente a ideia em 1921, quando se iniciavam os preparativos para as comemorações do centenário da Independência.

A pedra fundamental do monumento foi lançada em 4 de abril de 1922, mas as obras somente foram iniciadas em 1926. Dentre as pessoas que colaboraram para a realização, podem ser citados o engenheiro Heitor da Silva Costa (autor do projeto escolhido em 1923), o artista plástico Carlos Oswald (autor do desenho final do monumento) e o escultor francês de origem polonesa Paul Landowski (executor dos braços e do rosto da escultura). De certa forma, isso nos permite afirmar que a própria concepção do Cristo Redentor, foi feita de forma coletiva, antecipando o que hoje chamamos de Crowdsourcing ou Criação Colaborativa.

Ainda hoje, algumas pessoas dizem que o monumento foi um presente da França para o Brasil7 , quando, na verdade, a obra foi erigida a partir de doações de fiéis de arquidioceses e paróquias por todo o país (isso nada mais é que o que hoje chamamos de Crowdfunding ou Financiamento Coletivo), com o projeto de autoria e chefia do engenheiro Heitor da Silva Costa. Da França, vieram, apenas uma réplica de quatro metros feita de pequenos moldes, assim como modelos das mãos feitos pelo colaborador Landowski.

Fonte: Wikipédia

Com esses elementos em mãos, e cientes que esse mesmo tipo de coleta de fundos aconteceu para a Estátua da Liberdade, que tal pensarmos juntos em tudo o que podemos realizar?

Acesse o Site Zarpante e inscreva seu projeto!

Veja também:

– A Estátua da Liberdade e o crowdfunding

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Entre um Bocage e outro

Em tempos de crise, com manifestações por todos os lados do planeta, nada como lembrar o poeta Bocage e algumas de suas faces.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, writer from Po...

Manuel Maria Barbosa du Bocage, (Photo credit: Wikipedia)

– A Face libertária:

“Reclama o teu poder e os teus direitos
Da Justiça despótica extorquidos.”

Bocage viveu numa época de crise evidente. A economia era frágil, o ouro do Brasil esvaía-se no luxo desenfreado da Corte, o erário público era delapidado pelas despesas abissais da marinha e do exército. As amplas e radicais reformas encetadas pelo Marquês de Pombal foram sistematicamente subvertidas. O povo indigente gemia a sua impotência.

Em França, vivia-se um período extremamente conturbado. A revolução tinha varrido a nobreza, Luís XVI e Maria Antonieta foram decapitados e os ventos que apregoavam os ideais de Liberdade, igualdade e fraternidade faziam-se ouvir com fragor. Os centros de convívio lisboeta eram palco de subversão, discutia-se acesamente nos cafés e nos botequins as vicissitudes da revolução francesa, criticava-se abertamente o poder e a situação política nacional, imprimiam-se “papéis sediciosos”, aguardava-se com ansiedade os livros revolucionários que chegavam a Portugal pelos portos de Setúbal e de Lisboa.

Devido à impotência da rainha D. Maria I, que enlouquecera, o poder estava amplamente concentrado nas mãos do Intendente, Diogo Inácio de Pina Manique, político que instaurou um autêntico estado policial, velando pela “ordem”, proibindo livros dos filósofos franceses iluministas – Diderot, Voltaire, Rousseau, entre outros –, vigiando portos, disseminando agentes pelos cafés, os “Moscas”, que, discretamente, identificavam os “fautores da subversão”, os críticos mais acérrimos da política portuguesa.

Em 1790, Bocage regressa a Portugal na sequência de uma estada agitada pelo Oriente. Para trás ficara uma experiência marcante em contacto com culturas díspares como a brasileira, a moçambicana, a indiana, a chinesa e a macaense. Os ideais de solidariedade social implícitos na revolução que se consolidava em França exerciam sobre ele um apelo inelutável.

Em Lisboa, nos dez anos subsequentes, levou uma vida de boémia, de franco convívio com o “bas-fond” da cidade. A sua peculiar experiência de vida, a irreverência, a extroversão, a emotividade, a frontalidade, a ironia, a percepção aguda da realidade e o imenso talento que o caracterizavam, de imediato, lhe granjearam um séquito de admiradores incondicionais. No “Botequim das Parras”, no “Café Nicola” e noutros lugares de encontro dos noctívagos lisboetas, Bocage foi rubricando críticas aceradas aos múltiplos problemas nacionais, ao despotismo de Pina Manique, ao ambiente de suspeição em que se vivia, à natureza do regime e à ausência dos direitos humanos mais elementares.

Por outro lado, nesta fase da sua vida, Bocage, para além da poesia lírica, compôs poemas de carácter satírico contemplando pessoas do regime, tipos sociais e o clero, facto que não agradou obviamente ao poder. Poemas como “Liberdade, onde estás? Quem de demora?”, “Liberdade querida e suspirada”, “Pavorosa Ilusão da Eternidade” ou um outro em que faz explicitamente o louvor de Napoleão, paradigma da revolução francesa, e a crítica do Papa conduziram-no à prisão, por crime de lesa-majestade. No Limoeiro, vivendo em condições infra-humanas, moveu as suas influências e beneficiou da amizade do ministro José de Seabra da Silva e da sua popularidade. Três meses mais tarde, era entregue à Inquisição, já sem o poder discricionário que outrora tivera, sob a acusação de impiedade. Dos cárceres da Inquisição passou para o Mosteiro de S. Bento, como comprova o respectivo “Dietário”, referente a 1798:

“A 17 do presente mês de Fevereiro foi mandado para este Mosteiro pelo Tribunal do Santo Ofício o célebre poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, bem conhecido nesta corte pelas suas Poesias e não menos pela sua instrução. Tinha sido preso pela Intendência, e ele reclamara para o Santo Ofício, onde esteve até ser mandado para este Mosteiro.” No mesmo livro, no capítulo relativo ao mês de Março, é mencionado o facto de o Abade do Mosteiro ter recebido uma carta do Tribunal do Santo Ofício, dando por finda a reclusão do poeta, por determinação de sua Majestade, e exigindo a sua transferência para o Hospício das Necessidades. Tudo leva a crer que o escritor fora tratado com excessiva brandura no Mosteiro de S. Bento, incompatível com a “reeducação” que Pina Manique animosamente prescrevera. A 22 de Março de 1798, Bocage deu entrada no Hospício das Necessidades, em regime de vigilância apertada, sem poder, segundo ofício de Pina Manique, “sair fora sem nova ordem, nem comunicar com pessoa alguma de fora, à excepção dos Religiosos Conventuais […], andando em liberdade no mesmo Hospício, sem que venha abaixo às Portarias e à mesma Igreja, e nas horas de recreação poderá ir à Cerca na companhia dos Religiosos e Conventuais e assistir no Coro a todos os ofícios”. Acrescentava ainda o ditador: “[…] O Príncipe nosso Senhor espera que com estas correcções que tem sofrido tornará em si e aos seus deveres, aproveitando os seus distintos talentos com os quais sirva a Deus nosso Senhor, a S. Majestade e ao Estado, e útil a si, dando consolação aos seus verdadeiros amigos e parentes, que o vejam entrar em si verdadeiramente, abandonando todos os vícios e prostituições em que vivia escandalosamente.”

Pouco durou esta reclusão. Mais uma vez o seu carisma e o seu reconhecido talento prevaleceram. Porém, a saga de Bocage com a Inquisição reacendeu-se em 1802, tendo sido aberto novo processo por denúncia feita por Maria Theodora Severiana Lobo que o acusava de pertencer à Maçonaria. Por falta de provas e provavelmente devido à saúde fragilizada do escritor, o referido processo, que pode ser consultado na Torre do Tombo, foi arquivado. Um último aspecto é digno de menção: a censura perseguiu ocage durante toda a sua vida. Muitos versos foram cortados, outros ostensivamente alterados, poemas houve que só postumamente viram a luz do dia. Compreende-se plenamente o seu anseio desesperado: “Liberdade, onde estás? Quem te demora?”

Daniel Pires

(extraído de Exposição biobibliográfica comemorativa dos 230 e dos 190 anos do nascimento e da morte de Bocage. Setúbal: C.M.S., 1995)

Alguns poemas libertários de Bocage:

“Sanhudo e inexorável despotismo”:
Sanhudo, inexorável Despotismo
Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,
Que em mil quadros horríficos te enlevas,
Obra da Iniquidade e do Ateísmo:
Assanhas o danado Fanatismo,
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a Razão num denso abismo.
Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satélites vis da prepotência
De crimes infernais o plano gizas,
Mas, apesar da bárbara insolência,
Reinas só no ext’rior, não tiranizas
Do livre coração a independência.
“Aspirações do liberalismo excitadas pela Revolução Francesa e consolidação da República em 1797”:
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia
porque (triste de mim!), porque não raia
já na esfera de Lísia
2
a tua aurora?
De santa redenção é vinda a hora
a esta parte do mundo, que desmaia.
Oh! Venha… Oh! Venha, e trémulo descaia
despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal, que frio e mudo
oculta o pátrio amor, torce a vontade,
e em fingir, por temor, empenha estudo:
movam nossos grilhões a tua piedade;
nosso númen tu és, e glória, e tudo,

mãe do génio e prazer, oh Liberdade!

– A face erótica:

“Mais doce é ver-te de meus ais vencida
Dar-me em teus brandos olhos desmaiados
Morte, morte de amor, melhor que a vida”

O erotismo tem sido cultivado com alguma frequência na literatura portuguesa. Encontramo-lo, por exemplo, nas “Cantigas de Escárnio e Mal-dizer”, no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em Gil Vicente, em Camões cujo canto IX dos Lusíadas nos dá um fresco dos prazeres dos nautas portugueses inebriados por mil sereias, para alvoroço dos jovens estudantes dos meus tempos do liceu.

No presente século, Fernando Pessoa, curiosamente nos seus English Poems, Mário de Sá-Carneiro, Guerra Junqueiro, António Botto, Melo e Castro, Jorge de Sena, entre muitos outros, celebraram nos seus escritos os rituais de Eros.

No século XVIII prevalecia um puritanismo limitador. Com efeito, era difícil uma pessoa assumir-se integralmente, de corpo e alma. Tabus sociais, regras estritas, uma educação preconceituosa, a moral católica tornavam a sexualidade uma vertente menos nobre do ser humano. Por outro lado, uma censura férrea mutilava indelevelmente os textos mais ousados e a omnipresente Inquisição demovia os recalcitrantes. Em presença desta conjuntura, ousar trilhar a senda do proibido, transgredir era, obviamente, um apelo inexorável para os escritores, uma maneira salutar de se afirmarem na sua plenitude, um imperativo categórico.

Em Bocage, a transgressão foi pedra de toque, o conflito generalizado. As suas críticas aceradas aos poderosos, a determinados tipos sociais, ao novo-riquismo, à mediocridade, à hipocrisia, aos literatos, o seu anti-clericalismo convicto, a apologia dos ideais republicanos que sopravam energicamente de França, a agitação que disseminava pelos botequins e cafés de Lisboa, o tipo de vida “pouco exemplar” para os vindouros e para os respeitáveis chefes de família e a sua extrema irreverência tiveram como corolário ser considerado subversivo e perigoso para a sociedade.

Poder-se-á afirmar que a poesia erótica de Bocage adquiriu uma dimensão mais profunda do que a que foi composta anteriormente. Pela primeira vez, é feito um apelo claro e inequívoco ao amor livre. A “Pavorosa Ilusão da Eternidade – Epístola a Marília”, constitui uma crítica contundente ao conceito de um Deus castigador, punitivo e pouco sensível ao sofrimento da humanidade – à revelia dos ideais cristãos – que grande parte do clero perfilhava; mas também consubstancia um acto de subversão na medida em que convida Marília “à mais velha cerimónia do mundo”, independentemente da moral vigente e dos valores cristalizados. Estava, à luz dos conceitos da época, de certa maneira, a minar as bases da sociedade, pondo em causa a própria família.

O referido poema, bem como o seu estilo de vida, estiveram na origem do seu encarceramento, por ordem irreversível de Pina Manique, irrepreensível guardião da moral e dos costumes da sociedade. A prisão do Limoeiro, os cárceres da Inquisição, o Mosteiro de S. Bento e o Hospício das Necessidades, por onde sucessivamente passou para ser “reeducado”, não o demoveram da sua filosofia de vida, estuante de liberdade, interveniente, pugnando pela justiça, assumindo-se integralmente, ferindo os sons da lira em demanda do apuro formal que melhor veiculasse as suas legítimas preocupações.

Só cerca de cinquenta anos após o falecimento de Bocage, foram publicadas pela primeira vez as suas poesias eróticas. Corria o ano de 1854 e apareceram na sequência da publicação criteriosa das obras completas, em 6 volumes, pelo emérito bibliógrafo Inocêncio da Silva. Para evitar a sua apreensão e os tribunais, a obra saiu clandestinamente, sem editor explícito e com um local de edição fictício na capa: Bruxelas. Este facto de se não referir o editor foi prática comum até à implantação da República. Embora feitas em Portugal, anonimamente, as Poesias Eróticas, Burlescas e Satyricas apresentaram como local de edição sucessivamente Bruxellas (1860, 1870, 1879, 1884, 1899, 1900), Bahia (1860, 1861), Rio de Janeiro (1861), Cochinchina (1885), Londres (1900), Paris (1901,1902,1908,1908), Amsterdam (1907) e Leipzig (1907). Malhas que a implacável censura tecia…

As Cartas de Olinda a Alzira – que constituem um caso inédito na literatura portuguesa, pois são um relato das primícias sexuais de uma jovem, na primeira pessoa, como assinala Alfredo Margarido – por sua vez, são dadas à estampa nos finais do século passado com as precauções proverbiais: sem a menção da data, editor, local ou organizador.

Com o advento da República, a liberdade de expressão, grosso modo, foi uma realidade. Estavam reunidas as condições objectivas e subjectivas para a Guimarães Editores assumir a publicação de Olinda e Alzira, em 1915.

Nos anos que se seguiram ao 28 de Maio de 1926, mais concretamente durante o consulado de Salazar, a censura foi reinstalada e a poesia erótica de Bocage voltou à clandestinidade, fazendo parte do índex de livros proibidos. Circulava sub-repticiamente, em edições anónimas, teoricamente feitas em “London”, apresentando as datas de 1926 ou 1964.

Coincidiu com a primavera marcelista, nos finais da década de 60, a publicação das obras completas de Bocage, superiormente dirigida por Hernâni Cidade. Em edição de luxo, a editorial Artis, fascículo a fascículo, foi estampando toda a obra poética. O último volume contemplava as poesias eróticas. Num prefácio bem tecido, aquele biógrafo justificava a sua inclusão, fazendo notar a tradição do erotismo na poesia portuguesa, mencionando inclusivamente mulheres que, sem falsos pudores, analisaram esta problemática, caso concreto de Carolina Michaëlis, “que às riquezas do espírito altíssimo juntava os tesouros do coração modelar de esposa e mãe.” O facto desta obra ser vendida por fascículos e consequentemente não estar acessível ao grande público nas livrarias, bem como as razões aduzidas por Hernâni Cidade, terão convencido os ciosos censores.

Com o 25 de Abril, têm-se sucedido as edições, sem a preocupação de um estudo introdutório que perspective o erotismo na obra de Bocage. O lucro fácil prevaleceu em detrimento da verdade literária.

Tendo em consideração que Bocage deixou muito poucos autógrafos manuscritos dada a sua proverbial dispersão, não se pode ter a certeza relativamente à autoria de algumas poesias eróticas que circulam como se do poeta fossem. Com efeito, a primeira edição da sua poesia erótica, dada à luz em 1854, terá sido publicada a partir de um caderno manuscrito que incluía cópias de composições de vários autores anónimos. Umas serão certamente do seu estro poético, outras, está provado hoje em dia, foram compostas por Pedro José Constâncio, Sebastião Xavier Botelho, Abade de Jazente e João Vicente Pimentel Maldonado. Porém, de imediato, foram identificadas como se da pena de Bocage tivessem saído, pois a sua fama de libertino era marcante na época.

Curioso é ainda o facto de essas composições continuarem a fazer parte do corpo das edições das Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas que se publicam nos tempos que correm.

É urgente fazer-se uma análise estilística – tarefa de extrema dificuldade – e identificar-se, na medida do possível, os poemas que são da autoria de Bocage, os que poderão eventualmente sê-lo e retirar ou colocar em apêndice os que manifestamente não lhe pertencem.

Daniel Pires

(extraído de Exposição biobibliográfica comemorativa dos 230 e dos 190 anos do nascimento e da morte de Bocage. Setúbal: C.M.S., 1995)

Alguns poemas eróticos de Bocage:

ARREITADA DONZELA

Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras sutis pachacho estreito:

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branca crica, nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito:

A voraz porra as guelras encrespando
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrados:

Como é inda boçal, perde os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.

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ADIVINHAÇÃO

É pau, é rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem se sobreiro:

Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Branco às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja;
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um V;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.

SONETO INFERNAL

Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas de prazer voam ligeiras…

Ó FORMOSURA!

Piolhos cria o cabelo mais dourado;
Branca remela o olho mais vistoso;
Pelo nariz do rosto mais formoso
O monco se divisa pendurado:

Pela boca do rosto mais corado
Hálito sai, às vezes bem asqueroso;
A mais nevada mão sempre é forçoso;
Que de sua dona o cu tenha tocado:

Ao pé dele a melhor natura mora,
Que deitando no mês pode gordura,
Féitdo mijo lança a qualquer hora:

Caga o cu mais alvo merda pura;
Pois se é isto o que tanto se namora,
Em ti mijo, em ti cago, ó formosura!

– Para terminar que tal um poema sobre política?

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.” Bertolt Brecht

Veja também:

– Arte erótica na Galeria Zarpante.

– Música para adultos.

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Notícias do alambique

Ano passado captamos fundos para o projeto “Ceci n est pas de L’ eau”. Desde então, a equipe envolvida no projeto já foi ao Brasil, filmou em distintos alambiques e voltou a França para editar o filme!

A equipe

A equipe

Saiba mais na entrevista abaixo!

1. Por favor, apresentem a equipe de “Ceci n’est pas de l’eau”.

A equipe do Ceci n’est pas de l’eau consiste principalmente de duas pessoas – uma brasileira, Ana Clara, e um franco-americano, Yann-Yves. Nos formamos em cinema e comunicação pela Universidade Americana de Paris e trabalhamos nessa área desde então. No entanto, tivemos a ajuda de muitas pessoas durante as filmagens e o processo de pós-produção, no qual nos encontramos no momento. Somos muito gratos!

2. Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre cachaça?

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Houve uma época em que o Yann-Yves trabalhava em um bar mexicano, onde havia tequilas e mezcais maravilhosos, e curiosamente um dos drinques mais populares era a caipirinha (de cachaça, claro). Eu (Ana Clara) sabia que a qualidade da cachaça usada não era das melhores, já que era uma cachaça industrialíssima, mas eu não sabia explicar o porquê. Foi aí que decidimos que seria interessante investigar mais sobre o destilado e, porquê não, fazer um documentario sobre o assunto.
3. Após captação bem sucedida no site Zarpante, partiram para as gravações no Brasil. Como foi essa etapa? 
Nós tivemos a sorte e a oportunidade de sermos apoiados por múltiplas plataformas. Não só atingimos a nossa meta através da Zarpante, mas também fomos, de certa forma, patrocinados pela cachaça Leblon – uma marca que, como nós, é internacional e tem tudo a ver com o nosso projeto. Com isso conseguimos um orçamento confortável pra uma produção independente. Tudo, tudo mesmo, deu certo durante as filmagens, e em momento algum ultrapassamos esse orçamento.

4. Foi a primeira vez de Yann-Yves no Brasil, quais são suas primeiras impressões? E agora como definiria o Brasil em uma frase?

Em um mês, visitamos mais de 10 cidades em 4 estados diferentes, o que pode parecer muito, mas na verdade foi muito pouco. Eu (Yann-Yves) adorei Minas Gerais em particular, porque vimos a área rural, uma parte do Brasil que não é muito exportada. Eu acho isso uma pena, já que é uma região maravilhosa, pela comida, pelas pessoas e pela vista. Em uma frase, eu diria que o Brasil não só correspondeu às minhas expectativas, como também me surpreendeu em vários aspectos.
5. Quando pensam apresentar ao publico o resultado final de ” Ceci n’est pas de l’eau”? Alguma estratégia especifica de distribuição?
Como qualquer outra produção audiovisual, documentários levam um tempo para serem montados – principalmente se a equipe permanente consiste somente de duas pessoas. Temos como meta o meio do ano para finalizar a edição, mas não estamos com pressa. Priorizamos a qualidade. Quanto à distribuição, continuamos estudando a melhor alternativa.
6. Quantos litros de cachaça beberam durante as visitas que foram levados a fazer.
Nós trouxemos de volta para França mais do que bebemos durante as filmagens, naturalmente. Ao todo conseguimos trazer discretamente umas 13 garrafas nas nossas malas…
Como levar isso tudo em uma mala para a França?

Como levar isso tudo em uma mala para a França?

7. Como distinguir uma boa cachaça de uma cachaça qualquer?

O processo de fabricação e o preço do produto final são boas indicações da qualidade do produto. Um litro de cachaça que custe menos do que um litro de leite (o que acontece, e é um grande problema) não pode ser coisa boa.
8. Como foi a feira da cachaça em Paraty, poderia descrever o evento para quem nunca foi?
Paraty por si só já vale a visita, mas um evento como esse dá um ar todo especial à cidade. Há até um roteiro gastronômico de cachaça, e a gente adorou provar todos os pratos típicos com um toque especial do destilado. O Festival da Pinga é o que pode-se esperar do nome – muita cachaça, muita festa, muita musica e muita, muita gente, de todos os horizontes. Recomendamos a visita durante uma hora ou dia mais calmo, em que se possa conversar com os produtores. Eles tem muitas histórias pra contar! Menção especial para Corisco e Engenho d’Ouro.

9. “Ceci n’est pas de l’eau” é vosso primeiro projeto de filme documentário. Quais são vossos projetos para o futuro?

Temos algumas ideias, aqui e ali. À voir!

10. Uma brasileira e um americano em Paris, poderiam por favor citar-nos seu diretores preferidos (um americano, um brasileiro, um francês).

 
Pergunta difícil. Ana Clara – Fernando Meirelles, John Waters, Jean-Pierre Jeunet.Yann-Yves – Walter Salles, irmãos Cohen, Mathieu Kassovitz.

A Sunday of Transcriptions from Ceci n’est pas de l’eau on Vimeo.

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Portugal sai às ruas antes que o país se esvazie

No dia dois de março de 2013, os portugueses saíram às ruas para manifestar mais uma vez contra a austeridade enfatizada pela crise e pela Troika.

Em 40 cidades portuguesas e também no exterior, em frente a embaixadas e consulados lusitanos e nas representações da União Europeia, os portugueses pediram a demissão do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Os manifestantes também querem o fim das medidas que diminuíram os recursos públicos da seguridade social, da saúde e da educação, agravando as condições do país, que enfrenta recessão.

A mobilização neste sábado foi articulada pelas redes sociais e liderada pelo movimento “Que Se Lixe a Troika! Queremos Nossas Vidas.” Fala-se de centenas de milhares de manifestantes por todo o país!

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Em Lisboa, os organizadores avaliam que a manifestação terá superado o ato de protesto realizado em setembro do ano passado, quando 500 mil pessoas teriam ido às ruas. Segundo os dados da organização, os protestos “superaram as expectativas”. Em todo o país, estiveram a manifestar-se contra as políticas de austeridade um milhão e quinhentas mil pessoas.

 Foram cerca de 800 mil na capital,  mais de 400 mil pessoas no Porto, na Guarda 500, em Braga sete mil pessoas e mil em Castelo Branco.

Uma das canções entoadas em couro durante a manifestação foi Grândola, Vila Morena, que já havia sido o hino da revolução anti-Salazar em 1974!

E como esquecer as ondas de emigrantes que partiram de suas terras com destino à Bélgica, Luxemburgo, Inglaterra e França? Foram centenas de milhares de portugueses que fugiram da terrinha  para procurar um futuro melhor em algum outro país! De 2011 para cá, Portugal tem novamente assistido a uma forte emigração de seu povo que, cansado de sofrer a precariedade, a falta de emprego, etc, tem saído do país em busca de melhores perspectivas económicas.

Acreditamos que seja indispensável manter isso em nossas memórias para que tentemos juntos entender  as razões que afastam um povo de seu próprio lar! Precisamos entender melhor os emigrantes e suas trajectórias, para que no futuro consigamos manter todas essas mentes criativas e trabalhadoras em atividade em seu país!

Por isso, temos a honra de apresentar em nosso site os livros da autora portuguesa, criada na França, Altina Ribeiro. São dois livros em françês e um em português, que tratam do tema da emigração portuguesa, e da época de Salazar! Saiba mais sobre a autora e adquira seus livros no site Zarpante! Basta clicar aqui.

Se você se interessa pela época de Salazar e quer saber mais sobre o campo de concentração construído em Cabo Verde, a mando do ditador (para exilar seus adversários), clique aqui, conheça  o projeto Tarrafal e contribua para ele!

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Mudar o mundo

Muita gente por aí está tentando mudar o mundo!

Uma bela luta sempre encontra seus adeptos! Para sair gritando por aí, de maneira um tanto quanto desorganizada, sempre tem alguém!

Construir é sempre mais difícil e, no nosso caso, percebemos que mudar a vida de algumas pessoas com um projeto social ou cultural diferenciado já é bastante difícil. Imagine então mudar o mundo!
As pessoas se juntam pelas ruas para manifestar, porque isso não custa nada em termos financeiros e porque é uma boa desculpa para beber e se sentir fazer parte de algo!

Quando se pede uma ajuda financeira às pessoas, a coisa é mais complicada… Botar a mão no bolso é sempre mais delicado do que engarrafar as ruas gritando slogans de protesto…
Nessas horas os amigos do peito se omitem, os revolucionários fazem descaso, e até mesmo alguns familiares somem na natureza…

Por isso mesmo nós repetimos: não queremos mudar o mundo, mas sim a maneira como as pessoas interagem neste mundo!

Prezamos a solidariedade, a união, a diversidade, e a reatividade! Defendemos aqueles que lutam positivamente por objetivos concretos! Que deixaram de dizer “isto não pode ser assim” e passaram a propor alternativas viáveis!

Produtores de leite franceses manifestaram mais de uma vez despejando litros de leite em frente à sede da União Europeia! Isso para nós é crime, pois milhares de associações e de seres humanos poderiam ter utilizado este leite! Já os produtores de tomate na França resolveram fazer algo produtivo em vez de sair jogando tomates por aí! Organizaram eventos mediáticos em que venderam ao público, a preço de custo, o resultado de suas colheitas. Conclusão: consumidores conscientizados, preços  abusivos dos supermercados denunciados e muito tomate nas saladas e nos molhos dos franceses!

Agora pode-se perguntar: e o leite, que fim levou? Foi pelo ralo!

Fica claro o quanto é fácil e improdutivo destruir, e como é bom construir!

Zarpante quer ajudar a  dar o verdadeiro lugar que arte e cultura merecem em nossas vidas. Acreditamos profundamente que  por meio de projetos criativos, sociais, culturais, ou ambientais, possamos dar nossa contribuição para a sociedade!  Uma sociedade que saberá dar o valor merecido aos seus artistas, por mais que eles não apareçam em tal ou tal canal de TV, e que terá a pauta da cultura como uma de suas prioridades!

Queremos também que todos tenham o poder de, juntos, fazer acontecer! Que as grandes redes mediáticas, e as multinacionais, não sejam as únicas a decidir o que é interessante ou não para o público!  Que sua voz e suas escolhas sejam levadas em conta e que todos os criativos possam ter uma chance!

Por isso, agradecemos a todos os inscritos, e a todos os que participam direta ou indiretamente do movimento Zarpante! Mas, acima de tudo, convidamos todos os leitores do nosso blog, os artistas em busca de financiamento, as ONGs. as associações, fundações, pessoas com projetos sociais ou ambientais, culturais ou artísticos, a se inscreverem em nosso site no link seguinte: Registro Zarpante!

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Listas musicais para a Conexão Lusófona!

Conexão Lusófona é um site parceiro de Zarpante! Para quem não conhece, eis um resumo de quem são:

Logo Conex�o Lus�fona

“A Conexão Lusófona é a primeira organização de jovens da Lusofonia e surgiu da vontade de um grupo de amigos em trabalhar para uma maior integração das culturas e sociedades a que pertencem.

Hoje, é antes de qualquer coisa, um movimento em prol da interculturalidade empenhado na construção da identidade cultural lusófona assim como no desenvolvimento e projeção da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e da Lusofonia no seu sentido mais amplo.

No cerne do projeto está uma rede social além fronteiras que promove diversas iniciativas para fomentar a troca de experiências e conhecimento entre os falantes da língua portuguesa, procurando desenvolver um sentimento de identificação e pertença a uma comunidade, que se constrói através da integração especial de todos os seus membros, preservando a diversidade que a caracteriza e destacando as similaridades que unem seus países e regiões.

Em resumo, a Conexão Lusófona acaba sendo um lugar para jovens de todas as partes do mundo descobrirem, experimentarem, reflectirem e ajudarem a construir uma Lusofonia que lhes pertence.

Nos projetos que desenvolve, literatura, música, arte, opinião e reflexão, são feitos por todos e para todos.

Por outro lado, acaba não sendo só o tema da interculturalidade que carcateriza esse movimento mas também o do diálogo intergeracional. A Conexão Lusófona é por isso um ponto de encontro entre a nova geração e os nomes já consagrados de pessoas que construíram e constroem a nossa cultura comum, marcada por uma língua que nos une.

Na rede da Conexão Lusófona, e especificamente nesse portal, tens acesso a uma plataforma para partilha de realidades culturais, assente na ideia de jornalismo colaborativo.

Ao consultares o site terás acesso a:

1. música, arte e literatura de excelente qualidade muitas delas até então de difícil acesso por não fazerem parte do “grande circuito”.

2. por outro lado, passas também a conhecer os grandes nomes e as referências culturais dos outros países falantes da língua portuguesa ou de regiões com fortes ligações à Lusofonia.

3. o site da Conexão Lusófona é ainda um espaço para intervires, deixares a tua marca, as tuas opiniões, artigos, poesias, música e tudo o que de mais construtivo tenhas para compartilhar.”

Participa desse projeto, entrando nessa conexão! Basta enviar um email para: geral@conexaolusofona.org

A cada duas semanas Zarpante prepara uma playlist musical para o site da Conexão Lusófona! Esta semana, entrou no ar a sétima playlist que preparamos para os parceiros!

Nos parece uma boa oportunidade para explicar um pouco mais sobre esse trabalho que fazemos (com amor e gratuitamente) para nossos parceiros da Conexão!

Como é feita a seleção das músicas? Quem está envolvido neste trabalho? Descubra também algumas outras curiosidades sobre as nossas já famosas playlists!

O membro e co-fundador de Zarpante Henrique Moretzsohn de Andrade (eu mesmo), escuta centenas de músicas por semana!
Em seguida, é feita uma primeira seleção das 24 músicas que irão fazer parte da playlist por vir! Essa selecão precisa em seguida ser validada por 4 representantes da Conexão Lusófona para que finalmente o “Zé” coloque a lista online para que todos possam escutar.

Tentamos sempre prepara listas variadas em termos de estilos musicais e da origem das músicas. Percebam que raramente encontram-se em nossas listas, duas músicas do mesmo país e do mesmo estilo musical! Para isso vamos do Reggae, ao Rap passando pelo Rock e por músicas folclóricas! O objetivo sendo o de animar musicalmente o site da Conexão Lusófona ao mesmo tempo que mostramos a diversidade da música oriunda dos países de linguá portuguesa! Misturar é a palavra e assim vamos fazendo um panorama da eterna velha guarda e dos novos representantes dessa bela cultura!

Contemplamos também causas sociais, ambientais, e é claro, musicas de parceiros nossos! Por isso mesmo alguns nomes são recorrentes e aparecem mais que outros: porque precisamos valorizar e divulgar o trabalho qualitativo desses músicos com os quais trabalhamos diretamente ou indiretamente! É o caso do artista brasileiro Aleh Ferreira (que já teve músicas suas divulgadas em duas de nossas playlists), do angolano Bob Da Rage e de seu comparça Sir Scratch, de Heloise Baylão, residente na holanda e compositora brasileira!

No que diz respeito a playlist de número 07, que está atualmente no site dos parceiros, gostaríamos de compartilhar com todos os ouvintes e leitores o que nos induziu a escolher as músicas que a constituem.

– Começamos com um Hip-hop brasileiro que acaba de sair do forno: Lurdez da Luz sempre bem acompanhada canta Ela é Favela. Para continuar, ficamos no mesmo país mas passamos ao Rock com Fones cantando La Paz.

– Ainda no Rock, a terceira música nos vem de Portugal e é do Grupo Agua Forte que assim como Aleh Ferreira e Heloise Bailão, pode ser contratado por meio de Zarpante para Shows e festivais! Para quem tiver interesse em contratar algum dos artistas em questão, basta enviar um email para zarpante@gmail.com sob o tema “Agenciamento”

– Voltamos em seguida ao Brasil com tema novo de Otto e com o saudoso Quarteto Sambacana.

– A música número 6 é  dedicada aos parceiros da Bué fixe e a todos os que lutam por uma melhor educação sexual para nossos jovens! Escola do Amor de Guti.

– Damos um pulo e vamos a música de número 09 que é do grupo Negócio da China! Um grupo que também pode ser contratado por meio de Zarpante!

A lista completa você escuta aqui: Conexão Lusófona

Agora só vos resta saborear!

Caso você deseje ter suas músicas divulgadas nas próximas playlists ou em um de nossos podcasts por favor envie email para zarpante@gmail.com sob o tema “Playlist e Podcast”.

Se é músico e deseja saber mais sobre nossos termos de agenciamento basta nos escrever para contacto@zarpante.com quem sabe possamos ajudar a encontrar shows nacionais ou internacionais para seu grupo musical ou seu trabalho solo!

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Eventos pelo mundo

Para quem está em Paris!

Mário Laginha toca em Paris em novembro

“O pianista Mário Laginha vai atuar em Paris, no dia 14 de novembro, no Jazzycolors, o festival dos institutos culturais estrangeiros na capital francesa, que pretende “dar a conhecer ao público francês os melhores grupos de jazz”.

 O Jazzycolors define-se com “um conceito simples”. Diz-se um palco para “fazer descobrir ao público francês, os melhores grupos de jazz de cada país participante, com três palavras-chave em mente – qualidade, originalidade, inovação”.

 “O festival acolhe artistas de renome e músicos emergentes, e artistas de diferentes universos. Do jazz folclórico aos ‘standards’ clássicos revisitados, passando pelo jazz-rock psicadélico”, escreve a organização.

 O pianista de origem sérvia Bojan Z e o saxofonista francês Julien Lourau abrem o festival.

 Mário Laginha atua no dia 14, às 20:00, no Goethe Institut de Paris. O concerto é organizado pelo Instituto Camões – Centro Cultural Português de Paris.

A 10.ª edição do Festival Jazzycolors decorre de 06 a 30 de novembro, e tem previstos 18 concertos, em oito centros culturais, na capital francesa.

Os bilhetes custam entre 7 e 10 euros.”

 noticia do Sapo Música

Ou na Tunísia:

“Portugal participa de 2 a 11 de novembro na Feira Internacional do Livro de Tunis, integrado numa participação conjunta dos países do polo EUNIC (rede dos institutos nacionais de cultura da União Europeia) da capital da Tunísia, a qual tem como objetivo dinamizar o lema ‘unidade na diversidade’ aplicada ao caso das línguas.

Foram selecionadas várias atividades que visaram promover autores e aspetos linguísticos inerentes a cada país / língua, dando conta de como parte da riqueza do património europeu passa pela diversidade de registos a vários níveis.

Não há venda de produtos, dadas as dificuldades alfandegárias e técnicas. A exceção foi o caso da França, com um stand próprio, dado o caráter de língua segunda que o francês tem na Tunísia.

Portugal apresenta obras de autores portugueses traduzidas em francês, constantes do acervo do Centro de Língua Portuguesa/Camões IP de Tunis, assim como de algumas bibliotecas privadas, passíveis de aquisição, sob encomenda, em algumas livrarias tunisinas devidamente identificadas.”

Fonte: Instituto Camões

 

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Ajudando quem te ajuda!

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, reconheceu este domingo que os emigrantes ainda são “o grande factor de animação” da economia nacional.

“Ao longo da nossa história, desde que eu me lembro de ser gente, sempre me recordei de eles serem o grande factor de animação da nossa economia, particularmente, nas nossas zonas rurais”, declarou o governante à agência Lusa.

José Cesário falava na fronteira de Vilar Formoso, onde participou na campanha de segurança rodoviária “Sécur’été” dirigida aos milhares de emigrantes que estão a chegar a Portugal, promovida pela associação de jovens lusodescendentes Cap Magellan.

Sobre a importância dos emigrantes, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas também recordou que até há poucos anos, “50 por cento” dos compradores de “qualquer empreendimento imobiliário que era construído no centro ou no norte do país” eram “não residentes”.

Acrescentou que na actualidade essa percentagem “mudou”, mas os emigrantes “foram sempre indispensáveis”.

O governante contou que tem amigos empresários nas áreas da restauração e da hotelaria, que “fazem mais negócio com eles [emigrantes], normalmente em agosto, na Páscoa e no Natal, do que, às vezes, no ano todo”.

José Cesário disse que esta realidade foi “sempre assim”, embora os portugueses tenham tendência para se lembrarem mais destas situações “em períodos de crise”, como o actual.

“Esta quantidade enorme de pessoas que temos pelo mundo, foi sempre um factor extraordinário de desenvolvimento da nossa economia a todos os níveis”, reconheceu o governante.

O secretário de Estado também comentou os dados do Banco de Portugal que dão conta que as remessas dos emigrantes cresceram 17,7 por cento nos primeiros cinco meses deste ano relativamente ao período homólogo de 2011, atingindo os 1.049,3 milhões de euros.

“Estamos a registar um aumento da entrada de capitais e sabemos bem o que representam também nas estatísticas dos números do turismo todas estas pessoas que estão aqui a entrar e os muitos mais que entram todos os dias de avião”, disse.

José Cesário também observou que, devido à situação económica de Portugal, continua a sair gente do país, reconhecendo que “quanto mais desemprego há, mais gente sai”.

As saídas têm sido para os destinos tradicionais – França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha e Reino Unido – mas também para Angola, Brasil e Moçambique.

Aos que procuram emprego no estrangeiro recomenda que “tenham cautela e que não saiam sem terem a certeza de emprego”. Fonte: Jornal Público

Agora Zarpante quer saber: que tal nos ajudar a fazer um filme sobre todas essas comunidades que alimentam a economia portuguesa? Eles ajudam Portugal e nós os ajudamos todos juntos! Não vos parece justo?

Acessem o link seguinte para saber mais sobre o projeto e contribuir com o que puderem:

Lisboa Mestiça.

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A crise mundial e o ano do Brasil em Portugal…

“O Ano do Brasil em Portugal teve início no dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, e segue até o dia 10 de junho do próximo ano, quando é comemorado o Dia Nacional de Portugal. O intercâmbio cultural entre os dois países segue a vertente de eventos como o Ano do Brasil na França, entre 2005 e 2006, o Momento Itália-Brasil, entre 2011 e 2012, e o ano Alemanha + Brasil 2013-2014, que terá início em maio de 2013.

Para o comissário-geral do Ano do Brasil em Portugal e presidente da Funarte, Antônio Grassi, tais eventos representam o reconhecimento da atual inserção brasileira no cenário internacional. “Este ano, a diferença em relação aos anteriores é a língua. É muito importante que a gente consiga trabalhar as ações do Brasil em Portugal nesse sentido e do ponto de vista da cultura como ferramenta para chegarmos a outras parcerias, como em ciência e tecnologia”, disse.

Para Grassi, o intercâmbio da cultura brasileira em Portugal é uma importante porta não só para a Europa como para o próprio mercado português. “Portugal tem sido um mercado muito fértil para a produção artística brasileira. A cultura brasileira já está muito presente em Portugal, as telenovelas já estão lá há muito tempo e, por a língua não ser um empecilho, é uma oportunidade também para o teatro e a literatura. Na maioria das vezes, os autores brasileiros são menos conhecidos em Portugal do que os autores portugueses no Brasil”, observou.

Muito da produção cultural contemporânea brasileira ainda é bastante desconhecida em Portugal, e o inverso também é verdade. Tela Leão, produtora cultural nascida no Brasil, que há 21 anos vive em Portugal, conta como anúncios de apresentações de grupos brasileiros são recebidos com admiração e certa surpresa. “Às vezes, vemos anunciado um grupo de dança brasileiro com uma exclamação de admiração: como é que se produz dança contemporânea no sertão do Brasil… Mas o inverso é, com certeza, igualmente surpreendente. Lembro de levar comigo para exibir no Brasil vídeos de criações de dança contemporânea portuguesa e de ter ouvido as mesmas exclamações de surpresa. Desconhecemos mutuamente as nossas produções culturais contemporâneas”, disse.

A Cultura em meio à crise

O setor cultural português foi duramente atingido pela crise econômica que o país atravessa. Com o Ministério da Cultura extinto, passou a existir apenas uma Secretaria de Estado sem poder decisório para tratar das políticas públicas portuguesas para a cultura. “Neste momento, não existe qualquer política de incentivo à cultura em Portugal. Os poucos financiamentos públicos que aparecem, ou têm verbas insignificantes ou vão sendo adiados pelo Ministério das Finanças”, disse Tiago Mota Saraiva, arquiteto do ateliermob, uma plataforma multidisciplinar de desenvolvimento nas áreas de arquitetura, design e urbanismo, sediada em Lisboa. A produtora cultural luso-brasileira, Tela Leão, concorda com o arquiteto português: “Não se pode dizer que exista uma política cultural. Aliás, em termos de política de médio e longo curso, em Portugal, neste momento, pouco se vê, ou nada. Em todas as áreas apenas existe a preocupação de efetuar cortes orçamentais. Nada mais parece importar. E a política, se é que se pode chamar assim, é ver quem vai sobreviver e, a esse conjunto de sobreviventes, intitular a cultura do país. Há muito pouca esperança”.

Leão conta que os agentes culturais portugueses enfrentam problemas muito graves com a falta de subsídios e apoios públicos. De simples ajustes de orçamento, com possível diminuição da programação para não afetar o nível de qualidade da oferta – que é o que declara a Fundação Serralves, quando se depara com um corte de 30% no subsídio anual que recebe do erário público –, até a morte total das estruturas de pequeno porte, de jovens artistas que sobreviviam de subsídios anuais da Direção Geral das Artes – que foram cortados na íntegra durante o ano de 2012 – ou de subsídios ou apoios das câmaras municipais, que também, na sua grande maioria, diminuíram radicalmente ou cortaram totalmente seus apoios. Em muitos casos, a situação é de quase indigência”, disse a produtora.

Ao corte dos subsídios públicos, soma-se a diminuição do investimento privado, modalidade pouco explorada em Portugal. Segundo Jorge Cerveira Pinto, diretor-geral da Agência INOVA e coordenador do Programa Criatividade Portugal, o país jamais teve uma verdadeira tradição de investimento privado em cultura. “Claro que sabemos que, em momentos em que o rendimento disponível das empresas, das famílias e dos indivíduos diminui, isto repercute da mesma forma nos valores de patrocínio e mecenato cultural. Por isso, neste momentos, o financiamento público é tão importante. Só que, agora, tudo desapareceu ou reduziu”, afirmou.

Fora tentativas inócuas de autofinanciamento, uma das atuais saídas para os profissionais da cultura, segundo Leão, tem sido tentar vender cursos e workshops nas áreas artísticas, técnicas ou de gestão. “Aproveitar o tempo de baixa capacidade de produção para refletir e ganhar experiência, mas também, e parece-me que principalmente, tentar fazer render nossa capacidade de sobrevivência, tentando vender novos e não testados mas muito esperançosos conceitos, que vamos aprendendo através de nossos pares, via internet, ou mesmo via cursos no exterior, para os mais afortunados”, contou.

As indústrias cultural e criativa

A crise tem afetado de forma diferente os diversos subsetores das indústrias criativas e culturais portuguesas. Segundo Jorge Cerveira Pinto, os setores mais tradicionais e mais fortemente dependentes do financiamento público – tais como patrimônio, museus, artes plásticas e visuais e artes performativas – estão “apenas a gerir o dia-a-dia”. A incerteza econômica e as dificuldades em assumir compromissos financeiros futuros, de acordo com Cerveira Pinto, impedem o envolvimento em projetos de média/grande dimensão e de médio/ longo prazo. “Apesar do impacto da crise econômica ser generalizado, quando falamos das indústrias culturais e criativas, aqui existem fenômenos diversos, com subsetores fortemente penalizados – por exemplo, a edição, a publicidade e a arquitetura – e outros que até o momento não foram muito afetados – caso do software, do design de produto, do turismo cultural e criativo ou mesmo do cinema e vídeo”, disse.

Para Cerveira Pinto, a diferença se nota entre os setores dependentes do mercado interno e aqueles que já estavam desenvolvendo estratégias de internacionalização, com presença em mercados que estão em contra-ciclo ao português. “Claro que, num setor tão frágil, será preciso muitos anos para recuperar o retrocesso a que estamos a assistir, acompanhado por uma saída de recursos humanos qualificados que dificilmente regressarão ao país”, afirmou.

Segundo o especialista, a economia cultural e criativa, em Portugal, cruza, por mecanismos de cooperação interministerial, as áreas da economia, da cultura, do emprego e, em alguns casos, dos negócios estrangeiros. “Por outro lado, as regiões através das suas políticas de desenvolvimento abordam este assunto de diversas formas. A região Norte apostou fortemente nesta questão e financiou a formalização e implementação de um cluster de indústrias criativas. Lisboa possui uma agenda para a criatividade. Coimbra possui um programa de desenvolvimento das indústrias criativas. E existe mesmo um programa nacional denominado Criatividade Portugal, no qual as diversas entidades se encontram”, explicou o especialista. Em Portugal, foi implementada uma abordagem descentralizada, em um movimento a partir dos agentes culturais para os agentes da administração pública local, regional e nacional. “É, por isso, um processo um pouco mais caótico, às vezes confuso e mais lento, mas com a enorme vantagem de ser muito orgânico, muito próximo dos agentes culturais e ser informado por estes e outros agentes interessados. Por isso, de forma simples, podemos dizer que o Estado português, para além da retórica política, pouco fez até o momento. Mas penso que a crise também tem o seu lado positivo: veio mostrar que este setor pode ajudar na recuperação e que precisa de muito pouco para produzir resultados”, afirmou.”

Fonte: blog Acesso. Texto de Bernardo Vianna

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