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Poemas anti-salazaristas de Fernando Pessoa

António de Oliveira Salazar, Portugal

António de Oliveira Salazar, Portugal (Photo credit: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian)

Pessoa escreveu diversos poemas e textos anti-Salazar. Conheçam alguns abaixo:

COITADINHO DO TIRANINHO
Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho,
Nem sequer sozinho…
Bebe a verdade
E a liberdade,
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné,
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.
( poema de Fernando Pessoa)

Mata os piolhos maiores (Pessoa)

Mata os piolhos maiores
Essa droga que tu dizes.
Mas inda há bichos piores.
Vê lá se arranjas veneno
(Ou grande, ou médio e pequeno)
Para matar directrizes.

O rei reside em segredo

O rei reside em segredo
No governar da Nação,
Que é um realismo com medo
Chama-se nação ao Rei
E tudo isto é Rei-Nação.

A República pragmática
Que hoje temos já não é
A meretriz democrática.
Como deixou de ser pública
Agora é somente Ré.

Fernando Pessoa, 1935
E o Salazar, artefacto

E o Salazar, artefacto
De um deus de régua e caneta,
Um materialão abstracto
Que crê que a ordem é alma
E que uma estrada a completa.

Não há poesia nele

Ai, nosso Sidónio Pais,
Tu é que eras português!

Um materialão abstracto,

Vive na orgia do exacto

Manda o país penhorado
Por uma estrada melhor.

Dizem que o Jardim Zoológico

Dizem que o Jardim Zoológico
Tem sido mais concorrido
Por prolongada assistência
Atenta a cada animal.
Mas isso que é senão lógico
Se acabou
A concorrência
Porque fechou
A Assembleia Nacional?

Se você é anti-salazarista como nós e como Fernando Pessoa, clique aqui e participe do projeto Morte Súbita!

Vejam também:

– A poesia do Marinheiro

– Ainda existem pessoas que defendem Salazar

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Tão Longe, Tão Perto com Amélia Muge e o Grupo Música Surda

Zarpante convida todos os amantes da música erudita, assim como os apreciadores de música popular, a comparecer a este evento que apoiamos!

Convocamos desde já todos os cariocas, portugueses e gregos que morem no Rio de Janeiro, curiosos, estudantes de música, músicos, poetas, fãs de Fernando Pessoa…

O Grupo Música Surda, estará representando a UERJ, a UFRJ e principalmente o lado brasileiro deste encontro entre povos e culturas! Além de se apresentar no palco, Andréia Pedroso, vocalista do Música Surda, é também uma das responsáveis pela produção (e todas as dores de cabeça envolvidas) do evento. Para captar parte dos fundos necessários para a realização do evento, ela confiou na inovação e lançou um projeto de Crowdfunding na plataforma Zarpante! Foram 15 dias de captação pela plataforma e um resultado de 650 Euros captados sob forma de permuta!

Vinda de Portugal, estará presente especialmente para a ocasião,  a cantora, instrumentista, compositora e escritora de letras para canções portuguesas ,Amélia Muge (nascida em Moçambique em 1952).

“A sua música junta tradição e inovação. Partindo da música tradicional portuguesa e africana para alcançar uma grande modernidade. Recorrendo tanto a instrumentos tradicionais como a “novas tecnologias” nessa busca de inovação. A música da Amélia Muge destaca-se também pela beleza das letras das suas canções. Ela tem musicado tanto poemas da sua própria autoria como poemas de vários poetas da língua portuguesa, onde se destacam Fernando Pessoa e Grabato Dias, sem esquecer os poemas de origem tradicional.” Fonte:Wiki

Amélia-Muge-Michales-Loukovikas

Amélia-Muge-Michales-Loukovikas

Mas como se não bastasse, o Festival conta ainda com a presença do grego Michales Loukovikas!

Vocês seriam completamente “Loukos”de não prestigiar esse senhor músico e essa carismática cantora que atravessaram mares e oceanos para estar no Rio de Janeiro cantando e tocando para os brasileiros!

Saiba mais no site oficial do Música Surda!

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Fernando Pessoa, Flip, Casimiro de Abreu e candidaturas ao Prémio Literário José Luís Peixoto 2013

O post de hoje vai para quem gosta de ler e de escrever!

Português: Fernando Pessoa

Português: Fernando Pessoa (Photo credit: Wikipedia)

A edição de 2013  da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) decorrerá de 3 a 7 de julho e terá uma mesa de debate que irá homenagear o poeta português Fernando Pessoa. Embora ainda sem data, o debate contará com a presença da cantora Maria Bethânia, segundo a “Folha de S. Paulo”.

Do outro lado do oceano, as candidaturas ao Prémio Literário José Luís Peixoto 2013 estão abertas até dia 30 de abril!

Este ano, na sétima edição do concurso, a modalidade será a prosa e o concurso estará aberto a jovens de nacionalidade portuguesa e ainda a naturais e/ou residentes em países de língua oficial portuguesa.

Ao concurso, de âmbito internacional, podem candidatar-se com textos inéditos cidadãos que completem 25 anos de idade até 31 de dezembro de 2013.

Premiação:
I)  1.000 € para o melhor de Ponte de Sor e 1.000 € para o melhor autor de fora
II) Publicação das obras selecionadas (50 exemplares para os autores)

Prazo: 30 de Abril de 2013

Organização:
Câmara Municipal de Ponte de Sor

Contato e Dúvidas:
bibliotecapontesor@gmail.com

Regulamento:
Regulamento do Prémio Literário “José Luís Peixoto”

Introdução

A ideia de criar este prémio literário que irá ser atribuído anualmente pela Câmara Municipal de Ponte de Sor teve, fundamentalmente, dois objectivos específicos que são, por um lado, a vontade de homenagear o autor que deu o nome ao prémio, José Luís Peixoto, natural do concelho de Ponte de Sor e, por outro, a necessidade de incentivar a criatividade literária entre os jovens, bem como o gosto pela escrita, que consideramos serem actividades essenciais para um bom desenvolvimento intelectual.

A aprovação do presente regulamento tem em vista fixar um conjunto de regras, por forma a garantir uma correcta avaliação dos trabalhos que serão apresentados no âmbito desta iniciativa.

Assim, nos termos do disposto no artigo 241.º da Constituição da República Portuguesa, tendo em vista o exercício da competência que à Câmara Municipal é conferida pela alínea b) do n.º 4 do artigo 64.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro, é aprovado o presente Regulamento para vigorar na área de jurisdição do município de Ponte de Sor.

Artigo 1.º
O município de Ponte de Sor institui o Prémio Literário «José Luís Peixoto» no intuito de promover e incentivar a criação literária e o gosto pela leitura e homenagear o autor natural deste concelho.

Artigo 2.º
O Prémio Literário «José Luís Peixoto» será atribuído anualmente, até deliberação em contrário da Câmara Municipal de Ponte de Sor.

Artigo 3.º
O Prémio Literário «José Luís Peixoto» é aberto a cidadãos de nacionalidade portuguesa, e ainda a cidadãos naturais e ou residentes em países de língua oficial portuguesa.

Artigo 4.º
O Prémio Literário «José Luís Peixoto» destina-se a premiar trabalhos inéditos na(s) modalidade(s) de conto e poesia.
§ único. Os prémios serão atribuídos nos anos ímpares a conto e nos anos pares a poesia.

Artigo 5.º
Podem concorrer jovens que completem 25 anos de idade até ao dia 31 de Dezembro do ano a que respeita o prémio.

Artigo 6.º
Cada concorrente poderá apresentar um máximo de dois trabalhos.

Artigo 7.º
Os trabalhos a apresentar serão subordinados às seguintes normas:
a) O texto, ou conjunto de textos, obrigatoriamente redigido em língua portuguesa, deverá ter até 20 páginas A4, com espaçamento duplo entre as linhas e tipo de letra Times New Roman, tamanho 12, devendo ser entregues 4 cópias de cada trabalho;
b) Os originais deverão ser remetidos, sob pseudónimo, por correio registado, para a sede do município de Ponte de Sor, sita no Largo de 25 de Abril, 7400-228 Ponte de Sor, podendo, ainda, ser entregues pessoalmente na área sócio-cultural do mesmo município;
c) Juntamente com os originais, deverá ser enviado ou entregue um sobrescrito, fechado de forma a garantir a respectiva inviolabilidade, contendo no interior os dados de identificação e de residência do concorrente e ostentando, no exterior, o pseudónimo escolhido e o título do trabalho apresentado;
d) Em caso de entrega pessoal, só serão aceites os trabalhos recebidos na Câmara Municipal de Ponte de Sor até o dia 30 de Abril de 2013;
e) Em caso de envio pelo correio, só serão aceites os trabalhos expedidos até à data referida da alínea anterior, sendo a expedição comprovada pela aposição do carimbo dos serviços postais.

Artigo 8.º
Ao trabalho que, pela sua qualidade literária, mais se distinga entre os autores naturais e ou residentes no concelho de Ponte de Sor será atribuído um prémio pecuniário de 1000,00 euros.
§ único. Igual montante será atribuído ao trabalho que, nos mesmos moldes, mais se distinga, entre os autores que não sejam residentes no concelho de Ponte de Sor, nem dele naturais.

Artigo 9.º
Caberão ao município de Ponte de Sor todos os direitos sobre a primeira edição dos trabalhos premiados, comprometendo-se este a oferecer aos respectivos autores 50 exemplares, considerando-se os direitos de autor regularizados desta forma.

Artigo 10.º
Caso haja interesse por parte do município de Ponte de Sor e dos autores dos trabalhos premiados, poderão ser promovidas reedições, em condições a acordar.

Artigo 11.º
Poderão, ainda, ser editados, mediante condições a acordar, caso haja interesse por parte do município de Ponte de Sor e dos respectivos autores, os trabalhos agraciados com menções honrosas.

Artigo 12.º
A entrega dos prémios será feita em sessão pública a determinar pela Câmara Municipal de Ponte de Sor de acordo com as disponibilidades do escritor José Luís Peixoto que deverá, sempre que possível, estar presente na cerimónia.

Artigo 13.º
Os originais de trabalhos não premiados nem agraciados com menções honrosas, serão devolvidos aos respectivos autores, desde que estes solicitem a devolução no prazo de dois meses contado a partir da data da decisão final do júri.

Artigo 14.º
É obrigatória a identificação da naturalidade do participante no exterior do envelope que contém os trabalhos a concurso.
Só serão abertos os subscritos para a identificação dos autores premiados e agraciados.
Os restantes sobrescritos só serão abertos por solicitação dos autores interessados na devolução dos trabalhos, devendo, na ocasião, fazer prova da sua identidade.

Artigo 15.º
O júri terá a seguinte composição:
a) José Luís Peixoto, que presidirá;
b) Um representante da Câmara Municipal de Ponte de Sor, designado por deliberação desta;
c) Uma personalidade de reconhecida competência e idoneidade intelectual, proposta pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, mediante deliberação desta.

Artigo 16.º
A decisão do júri será tomada no prazo de 120 dias úteis, contados a partir da data fixada para a entrega dos trabalhos.

Artigo 17.º
O júri poderá não atribuir qualquer prémio, caso considere que os trabalhos apresentados não reúnem condições de qualidade que o justifiquem.

Artigo 18.º
O júri, para além dos prémios atribuídos aos trabalhos que considerar de maior qualidade, poderá atribuir menções honrosas que, no entanto, não vincularão o município à respectiva publicação.
O júri poderá, ainda, se entender que o respectivo valor literário o justifica, atribuir prémios ex aequo.

Artigo 19.º
Os casos omissos ou as divergências na interpretação do presente regulamento serão solucionados pelo júri.

Artigo 20.º
Das decisões do júri não haverá recurso.

Artigo 21º
Vigência

A presente alteração produz os seus efeitos a partir do primeiro dia útil após a sua publicitação

Aprovado em Reunião da Câmara Municipal de Ponte de Sor a 13 de setembro de 2006 e pela Assembleia Municipal na sessão de 23 de setembro de 2006 e alterado e aprovado em Reunião da Câmara Municipal de Ponte de Sor a 29 de agosto de 2012 e pela Assembleia Municipal na sessão de 14 de dezembro de 2012.

Para terminar, que tal alguns poemas de Casimiro de Abreu disponíveis gratuitamente para download?

Baixe os arquivos em PDF e confira a lista de títulos neste link. Boa leitura.

 

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Mulheres sempre mulheres

“O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial.

Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.” (fonte Wikipédia)

Para Zarpante todo dia é dia de mulher! Mas ainda assim, aproveitamos o Dia Internacional da Mulher para homenageá-las:

Primeiro algumas músicas:

Em seguida alguns poemas:

Em Horas inda Louras, Lindas Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas,
Brincam no tempo das berlindas,
As vindas vendo das varandas,
De onde ouvem vir a rir as vindas
Fitam a fio as frias bandas.

Mas em torno à tarde se entorna
A atordoar o ar que arde
Que a eterna tarde já não torna!
E o tom de atoarda todo o alarde
Do adornado ardor transtorna
No ar de torpor da tarda tarde.

E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos….
Prantos de intentos, lentos, tantos
Que encantam os atentos ventos.

Fernando Pessoa,  “Cancioneiro”

A Negra- Tarsila do Amaral

A Negra- Tarsila do Amaral

MULHER

Para entender uma mulher
é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa
que se possa prever nossa vã pretensão…

Para possuir uma mulher
é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase
numa cama, em uma seda, com toda viril possibilidade… Há de se conseguir
fazê-la sorrir antes do próximo encontro

Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que
amante perfeito…
Há de se ter o jeito certo ao sair, e
fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso…

– O potente, o amante, o homem viril, são homens bons… bons homens de
abraços e passos firmes…
bons homens pra se contar histórias… Há, porém, o homem certo, de todo
instante: O de depois!

Para conquistar uma mulher,
mais que ser este amante, há de se querer o amanhã,
e depois do amor um silêncio de cumplicidade…
e mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder.

É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café… Há que ser mulher,
por um triz e, então, ser feliz!

Para amar uma mulher, mais que entendê-la,
mais que conhecê-la, mais que possuí-la,
é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido, e também
ser possuído e, ainda assim, também ser viril…

Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la,
há de ser conquistado… todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser
amado!”

Carlos Drumond de Andrade

Mulheres,Flores e Araras - Di Cavalcanti

Mulheres,Flores e Araras – Di Cavalcanti

Mulheres
Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido…
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! Fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas…
És linda como uma história da carochinha…
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro atrás de casa e tinham cara de pau)

Manuel Bandeira

 

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Top 20!

Nosso blog entrou na rede em julho de 2011, e começamos a trabalhar nele a partir de Janeiro de 2012! Pouco mais de um ano depois da criação, e apenas 9 meses depois do começo das atividades no blog, temos o orgulho de anunciar que estamos chegando a 24.000 visitas!

Assim como fizemos ao atingir nossas 10.000 visitas, disponibilizamos agora o top dos nossos posts mais acessados até o dia de hoje!

Prontos para o top 20?

Basta clicar nos links abaixo para acessar cada um dos posts!

  1. São Jorge
  2. Cabo Verde
  3. Podcast Zarpante 03 (carnaval)
  4. Podcasts Zarpante (todos)
  5. Trabalho criativo
  6. Quadrinhos de Fernando Pessoa
  7. Sobre Zarpante
  8. Portugal
  9. Porque hoje é sábado
  10. Por mares de Fernando Pessoa
  11. Casa em Leiria
  12. Projetos Zarpante
  13. Moçambique
  14. Podcast Zarpante 08
  15. Guiné-Bissau
  16. Libertando poesia
  17. Que tal um pouco mais de rock?
  18. A (r)evolução não será televisionada!
  19. Darcy Ribeiro 3
  20. Barreras
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O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa (Completo)

Neste episódio número 8  da série Grandes Livros, o livro em questão é “O Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa!

“Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.

 

É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um “legado da língua portuguesa ao mundo”.

 

Por ter sido educado na África do Sul, para onde foi aos seis anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu perfeitamente o inglês, língua em que escreveu poesia e prosa desde a adolescência. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras inglesas para português e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto e Almada Negreiros) para inglês.

 

Ao longo da vida trabalhou em várias firmas comerciais de Lisboa como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária em verso e em prosa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um “drama em gente”. Fonte

Para baixar o livro clique aqui

 

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Podcast poético!

É com imenso prazer que disponibilizamos hoje o quinto podcast Zarpante! Muita poesia e algumas músicas neste episódio dedicado a poesia lusófona! Presente de Páscoa!

Logo após a introdução, sejam guiados por Caetano Veloso e Chico Buarque, pelos mares de  Fernando Pessoa! Prosseguimos em terras portuguesas com duas músicas bastante experimentais: O Tempo Passa do grupo Social Smokers e o Rato Roi Roi do grupo Poesia e Percussão!

Passaremos por terras caipiras com Rolando Boldrin , e lembraremos de poemas do norte brasileiro com O funeral de um lavrador.

De Vinicius a Boss Ac passando por Camões e Noémia de Sousa, da cidade ao campo passando por um lindo texto em P do rapper brasileiro, GOG.

Poetas e amantes da musica lusófona ! Venham escutar este episódio dedicado a palavra! Acompanhem logo abaixo, os textos dos poemas apresentados no podcast e a playlist das músicas selecionadas! O play está abaixo da lista completa!

01– Chico Buarque e Caetano Veloso ao vivo – OS Argonautas
02– Fernando Pessoa por Pedro Paulo Colin Gill- Palavras do Pórtico

Palavras de Pórtico

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso.”

Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que sou: Viver não é preciso; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) e lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça

03– Social Smokers – O tempo Passa
04– Poesia e percussão – Rato roi roi (interludio)
05–                               – Sou poeta sim
06– Rolando Boldrin – Cabocla teresa.mp3
07– Poema de João Cabral de Melo Neto musicado por Chico Buarque – Funeral de um lavrador.

“Funeral de um lavrador”
(de Morte e Vida Severina)

Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio

Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo

É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca

É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.

João Cabral de Melo Neto
(com alterações de Chico Buarque)

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto (Photo credit: Wikipedia)

08– Poema de Fernando Pessoa recitado – Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

27/11/1930

09– Tom Jobim canta “Autopsicografia”
10– De Francisco José Tenreiro- Canção do mestiço (São Tomé e  Príncipe)

Mestiço!

Nasci do negro e do branco
e quem olhar para mim
é como que se olhasse
para um tabuleiro de xadrez:
a vista passando depressa
fica baralhando cor
no olho alumbrado de quem me vê.

Mestiço!

E tenho no peito uma alma grande
uma alma feita de adição

Foi isso que um dia
o branco cheio de raiva
cantou os dedos das mãos
fez uma tabuada e falou grosso:
– mestiço!
a tua conta está errada.
Teu lugar é ao pé do negro.

Ah! Mas eu me danei…
e muito calminho
arrepanhei o meu cabelo para trás
fiz saltar fumo do meu cigarro
cantei do alto
a minha gargalhada livre
que encheu o branco de calor!…

Mestiço!

Quando amo a branca
sou branco…
Quando amo a negra
sou negro.

Pois é…

Francisco José Tenreiro (São Tomé, 1921-1963)
Poeta, ensaísta, contista, colaborador de diversas publicações, integrou a Casa dos Estudantes do Império, foi co-fundador do Centro de Estudos Africanos, professor universitário, doutorado em Ciências Geográficas (FLUL) e em Ciências Sociais (Inglaterra,1961).


11
– Cartola e Nelson cantam “Pranto de Poeta”
12
– Paulo Cesar Pinheiro – Recado de Poeta
13– Vinicius de Moraes – Monologo de Orfeu (Orfeu da Conceição)

Mulher mais adorada!
Agora que não estás,
deixa que rompa o meu peito em soluços
Te enrustiste em minha vida,
e cada hora que passa
É mais por que te amar
a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada.

E sabes de uma coisa?
Cada vez que o sofrimento vem,
essa vontade de estar perto, se longe
ou estar mais perto se perto
Que é que eu sei?
Este sentir-se fraco,
o peito extravasado
o mel correndo,
essa incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu;
Tudo isso que é bem capaz
de confundir o espírito de um homem.

Nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga,
esse contentamento, esse corpo
E me dizes essas coisas
que me dão essa força, esse orgulho de rei.

Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música.
Nunca fujas de mim.
Sem ti, sou nada.
Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada.
Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível!
A existência sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos.
Tu és a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo,
minha amiga mais querida!

Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura!
Quem poderia pensar que Orfeu,
Orfeu cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres –
que ele, Orfeu,
Ficasse assim rendido aos teus encantos?

Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho
que eu vou te seguindo no pensamento
e aqui me deixo rente quando voltares,
pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo

Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo.

14– Poema de Cecília Meireles interpretado por Música Surda- Cantar
15– Manuela Rodrigues – Vende-se poema
16– Cordel do Fogo Encantado – Quando o Sono Não Chegar
17– Poema de Noémia de Sousa – Deixa passar o meu povo (Moçambique)

DEIXA PASSAR O MEU POVO
Noite morna de Moçambique
e sons longínquos de marimba chegam até mim
— certos e constantes —
vindos nem eu sei donde.
Em minha casa de madeira e zinco,
abro o rádio e deixo-me embalar…
Mas as vozes da América remexem-me a alma e os nervos.
E Robeson e Marian cantam para mim
spirituals negros de Harlem.
«Let my people go»
— oh deixa passar o meu povo,
deixa passar o meu povo —,
dizem.
E eu abro os olhos e já não posso dormir.
Dentro de mim soam-me Anderson e Paul
e não são doces vozes de embalo.
«Let my people go».

Nervosamente,
sento-me à mesa e escrevo…
(Dentro de mim,
deixa passar o meu povo,
«oh let my people go…»)
E já não sou mais que instrumento
do meu sangue em turbilhão
com Marian me ajudando
com sua voz profunda — minha Irmã.

Escrevo…
Na minha mesa, vultos familiares se vêm debruçar.
Minha Mãe de mãos rudes e rosto cansado
e revoltas, dores, humilhações,
tatuando de negro o virgem papel branco.
E Paulo, que não conheço
mas é do mesmo sangue da mesma seiva amada de Moçambique,
e misérias, janelas gradeadas, adeuses de magaíças,
algodoais, e meu inesquecível companheiro branco,
e Zé — meu irmão — e Saul,
e tu, Amigo de doce olhar azul,
pegando na minha mão e me obrigando a escrever
com o fel que me vem da revolta.
Todos se vêm debruçar sobre o meu ombro,
enquanto escrevo, noite adiante,
com Marian e Robeson vigiando pelo olho luminoso do rádio
— «let my people go».
Oh let my people go.

E enquanto me vierem de Harlem
vozes de lamentação
e os meus vultos familiares me visitarem
em longas noites de insónia,
não poderei deixar-me embalar pela música fútil
das valsas de Strauss.
Escreverei, escreverei,
com Robeson e Marian gritando comigo:
Let my people go
OH DEIXA PASSAR O MEU POVO.

Noémia de Sousa (1926-2002), poetisa de Moçambique

18– António Soares Júnior – Anti-Racismo (Guiné)

Vou desfiar
a palavra
e fiar
que atrás
desse rosto
sem cor
lavado pela chuva miúda
a verdade
saltite gulosa
sem o abstracto da reticência
ou a exclamação teimosa
da negra noite
pasmada
com a ternura mansa
do sol vermelho
acariciando a madrugada indistinta

vou subir com a noite
devassa
explodir em cada minuto
da hora que passa
e viver a lucidez
da minha loucura
sem o arco-íris da imaginação

não quero o amargo da cor
porque traz a dor em fatias rácicas
com lascas de ódio
e eu. Assumindo-me
pleito. Todo em mim
recusarei a força da cor
distinguindo homens
diferenciando gentes
ó cor vaidosa
és mentirosa

e vou ordenar
que o vermelho
o preto
o branco
mais
a cor de burro quando foge
só sirvam
sem magoar
na tela imaginária
do poeta
todo ele
trepadeira sem fronteira

Bissau, 1985

19– Sam teh Kid – “thos”. (Sampleando Amália)
20– Boss Ac- Um Brinde À Amizade Feat Gabriel O Pensador
21– Oswaldo Alcântara – Ressaca (Cabo Verde)

Venham todas as vozes, todos os ruídos e todos os gritos
venham os silêncios compadecidos e também os silêncios satisfeitos;  venham todas as coisas que não consigo ver na superfície da sociedade dos homens;venham todas as areias, lodos, fragmentos de rocha
que a sonda recolhe nos oceanos navegáveis;
venham os sermões daqueles que não têm medo do destino das suas palavras venha a resposta captada por aqueles que dispõem de aparelhos detetores                                                                 apropriados;
volte tudo ao ponto de partida,
e venham as odes dos poetas,
casem-se os poetas com a respiração do mundo;
venham todos de braço dado na ronda dos pecadores,
que as criaturas se façam criadores
venha tudo o que sinto que é verdade
além do círculo embaciado da vidraça…
Eu estarei de mãos postas, à espera do tesouro que me vem na onda do mar…
A minha principal certeza é o chão em que se amachucam os meus joelhos doloridos,
mas todos os que vierem me encontrarão agitando a minha lanterna de todas as cores
na linha de todas as batalhas.

22– Camões – Enquanto quis fortuna que tivesse…

Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co tormento,
Pera que seus enganos não dissesse.

Ó vos que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos;
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos

23– Expensive Soul – Contador de historias
24– Fernando Sylvan – Mensagem do terceiro mundo

Não tenhas medo de confessar que me sugaste o sangue
E engravataste chagas no meu corpo
E me tiraste o mar do peixe e o sal do mar
E a água pura e a terra boa
E levantaste a cruz contra os meus deuses
E me calasse nas palavras que eu pensava.

Não tenhas medo de confessar que te inventasse mau
Nas torturas em milhões de mim
E que me cavas só o chão que recusavas
E o fruto que te amargava
E o trabalho que não querias
E menos da metade do alfabeto.

Não tenhas medo de confessar o esforço
De silenciar os meus batuques
E de apagar as queimadas e as fogueiras
E desvendar os segredos e os mistérios
E destruir todos os meus jogos
E também os cantares dos meus avós.

Não tenhas medo, amigo, que te não odeio.
Foi essa a minha história e a tua história.
E eu sobrevivi
Para construir estradas e cidades a teu lado
E inventar fábricas e Ciência,
Que o mundo não pode ser feito só por ti.

Fernando Sylvan
Em POEMAS DO TIMOR LORO SA’E
(Fernando Sylvan nasceu em 1917, na capital, Dili. Faleceu em 1993 na cidade de Cascais, Portugal, onde morou por grande parte da sua vida.)

25– Ed Motta – Samba Azul
26– Manuel Bandeira – Vou me embora pra Passargada

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro “
Bandeira a Vida Inteira“, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

27– Poesia e percussão – Poeta errante
28– Gog – Brasil com p

Pesquisa publicada prova
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender
Pare pense por quê?
Prossigo
Pelas periferias praticam perversidades parceiros
Pm’s
Pelos palanques políticos prometem prometem
Pura palhaçada
Proveito próprio
Praias programas piscinas palmas
Pra periferia
Pânico pólvora pa pa pa
Primeira página
Preço pago
Pescoço peitos pulmões perfurados
Parece pouco
Pedro Paulo
Profissão pedreiro
Passatempo predileto, pandeiro
Pandeiro parceiro
Preso portando pó passou pelos piores pesadelos
Presídio porões problemas pessoais
Psicológicos perdeu parceiros passado presente
Pais parentes principais pertences
Pc
Político privilegiado preso
parecia piada (3x)
Pagou propina pro plantão policial
Passou pelo porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões
Pecado!
Pena prisão perpétua
Palavras pronunciadas
Pelo poeta Periferia
Pelo presente pronunciamento pedimos punição para peixes pequenos poderosos
pesos pesados
Pedimos principalmente paixão pela pátria prostituída pelos portugueses
Prevenimos!
Posição parcial poderá provocar
protesto paralisações piquetes
pressão popular
Preocupados?
Promovemos passeatas pacificas
Palestra panfletamos
Passamos perseguições
Perigos por praças palcos
Protestávamos por que privatizaram portos pedágios
Proibido!
Policiais petulantes pressionavam
Pancadas pauladas pontapés
Pangarés pisoteando postulavam premios
Pura pilantragem !
Padres pastores promoveram procissões pedindo piedade paciência Pra população
Parábolas profecias prometiam pétalas paraíso
Predominou o predador
Paramos pensamos profundamente
Por que pobre pesa plástico papel papelão pelo pingado pela passagem pelo pão?
Por que proliferam pragas pelo pais?
Por que presidente por que?
Predominou o predador
Por que?
29– Fernando Vilella canta uma composiçnao do Penna Firme inpirada na obra do Bocage – Tema de Ana Maria
30– Beth Carvalho canta uma composição de Vinicius de Moraes – O nosso amor
31– Viriato da Cruz – Makezu

- "Kuakié!... Makèzú..."
...............................................
O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.

Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia...

Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.

Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das "venidas de alcatrão"
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.

- "Kuakié!... Makèzú, Makèzú..."
- "Antão, véia, hoje nada?"
- "Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado..."

- "Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tá fazendo isso?"

- "Não sabe?! Todo esse povo
Pegô num costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...

E diz ainda pru cima
(Hum... mbundu Kene muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra véios como tu."

- "Eles não sabe o que diz...
Pru qué Qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?"

- "É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!..." 

	(No reino de Caliban II -  antologia
	panorâmica de poesia africana de ex-
	pressão portuguesa)




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O público e suas preferências!

Com pouco mais de 5 meses de vida na rede e com 75 posts feitos em nosso Blog, achamos interessante compartilhar com vocês nossos 10 posts mais acessados! Uma lista variada e totalmente baseada em suas reações a nossas matérias! Vejam logo abaixo a lista de traz para frente e descubram os gosto do povo:

10: Nossa entrevista na RTP! Para todos aqueles que querem conhecer os rostos dos membros e fundadores de Zarpante e um pouco mais de nossas ideias! Assistir aqui!

09: Os Mensageiros! Post sobre o projeto envolvendo poesias e músicas inspiradas na obra de Fernando Pessoa! O projeto está em nosso site e conta com sua ajuda, restam apenas 11 dias para o termino do projeto!

 08: O projeto Barreras,(sem i), acabou de entrar em nosso site e já está no top 10 dos posts mais lidos! Não é por nada! Trata-se de um projeto com alto valor de conscientização cidadã e que conta com o apoio de todos para realizar um passo a mais nessa luta em busca de uma sociedade mais justa e menos violenta! Clique aqui e descubra como ajudar e ganhar recompensas!

07: Em sétimo lugar temos um post que disponibiliza livros de Fernando Pessoa e um calendário poético gratuitamente e legalmente! 


06:A (r)evolução não será televisionada” fica com a sexta posição e merece realmente todo esse interesse! Um documentário sobre a musica lusófona, sobre seus representantes e sobre a forma como interagem entre si! Para quem gosta de música o filme é imperdível!

05: Sempre navegando para encontrar poemas, músicas, vídeos, e outras coisas interessantes para vocês, a nau Zarpante compartilhou alguns poemas de Fernando Pessoa que nos sensibilizam particularmente. Acessar aqui!

04: Com três posts entres os dez mais lidos do blog, o assunto Fernando Pessoa parece realmente agradar a todos! Neste post, descubra o trabalho do mestre sob forma de quadrinhos!

03: Proposta de trabalho criativo fica com o terceiro lugar e nos mostra que o publico realmente tem interesse em nossas atividades! Muitas pessoas participaram do concurso e em breve poderemos conhecer o resultado final do trabalho da vencedora que já foi escolhida pela empresa que encomendou o concurso!

02: O poeta Vinicius de Moraes e seu poema, tão lido nos dias de sábado, ficam com um merecido segundo lugar! Para nós, todo dia é “Dia da Criação“!

01: O Podcast Zarpante 03! Episódio de carnaval de nosso podcast que fez pular vários foliões ficou com o primeiro lugar! Ficamos orgulhosos e contentes pois percebemos que nosso trabalho e nossa dedicação na hora de produzir o programa, tem dado resultados! Já escutou?



 

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Entenda e imagine!

Se não percebes bem o que vem a ser o financiamento coletivo (crowdfunding) e/ou a lógica de funcionamento de nossa plataforma, este post é para ti! Entenda noções como financiamento coletivo e mecenato e logo imagine com o exemplo do projeto Os Mensageiros, inscrito atualmente em nosso site,o que se pode fazer com pequenas contribuições vindas de vários lados!

Para entendermos melhor o que é um mecenas precisamos saber quem foi Caio Cílnio Mecenas (Gaius Cilnius Mecenas)!

”Cidadão romano da época imperial. Foi um grande político, estadista e patrono das letras. Administrou a fortuna da sua rica família (entre 74 a.C. e 64 a.C.) e foi um conselheiro hábil e de confiança do imperador César Octaviano, o qual se fez muitas vezes representar por Mecenas como seu tribuno, orador, patrono e amigo pessoal para várias missões políticas. Mais tarde aposentou-se e devotou todos os seus esforços a seu círculo literário famoso, que incluía Horácio, Virgilio, e Propertius, patrocinando-os com amizade, bens materiais e proteção política. Aos seus protegidos provou ser um amigo e um patrono eficiente e generoso.

Na atualidade seu nome é o símbolo do patronato rico, generoso das artes. Assim o nome Mecenas tornou-se de nome próprio em nome comum. Assim hoje em dia um mecenas é uma pessoa que patrocina as artes, a ciência ou o ensino, muitas vezes com benefícios fiscais.

O comportamento de Mecenas tornou-se um modelo e vários governos valeram-se de artistas e intelectuais para melhorar a própria imagem. O termo mecenas, nos países de línguas neolatinas, indica uma pessoa dotada de poder ou dinheiro que fomenta concretamente a produção de certos literatos e artistas. Num sentido mais amplo, fala-se de mecenato para designar o incentivo financeiro de atividades culturais, como exposições de arte, feiras de livros, peças de teatro, produções cinematográficas, restauro de obras de arte e monumentos.

Esse tipo de incentivo à arte tornou-se prática comum no período renascentista, que buscava inspiração na Antiguidade grega e romana, e vivenciava um momento de pujança econômica com o surgimento da burguesia.”

Definição da palavra Mecenas encontrada no Wikipédia!

Hoje em dia, acreditamos que qualquer um possa ser uma mecenas e que o importante é participar e contribuir como podemos! uma contribuição de 1000 euros sendo assim tão importante quanto uma de 1 euro! E desta forma podemos ajudar, cada qual  com nossos próprios meios, a realizar projetos que nos interessem!

Definição de financiamento coletivo encontrada no Wikipédia

“Crowdfunding, traduzido para o português como Financiamento coletivo ou Financiamento colaborativo, [1] é a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa. O termo é muitas vezes usado para descrever especificamente ações na Internet com o objetivo de arrecadar dinheiro para artistas, jornalismo cidadão[2], pequenos negócios e start-ups, campanhas políticas, iniciativas de software livre, filantropia e ajuda a regiões atingidas por desastres, entre outros.”

No caso de Zarpante aplicamos este método na captação de fundos para projetos relacionados a arte, cultura, e património! Projetos que representem de uma maneira ou de outra as diferentes culturas que abraçaram a  língua portuguesa!

Imaginemos agora um exemplo com o projeto em nosso site do LIVRO/CD “Os Mensageiros” !

“Sob a égide dos 125 anos do nascimento de Fernando Pessoa que se celebra em 2013, a SevenMuses MusicBooks com o apoio da Casa Fernando Pessoa, tem em curso a produção desta antologia poética e musical de Fernando Pessoa!
Trata-se de uma edição original que tem um livro de capa dura a cores com 200 páginas, sendo a introdução e seleção poética de Luís Filipe Sarmento que revisita o essencial da obra do ortónimo Fernando Pessoa e dos seus mais importantes heterónimos; Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares.
Esta edição acompanha ainda com um CD que contém 15 composições originais inspiradas na poesia de Fernando Pessoa de vários autores com créditos firmados, gravadas por músicos de excepção, estando já confirmadas e gravadas as interpretações de Dulce Pontes, Ruy de Carvalho, Oswaldo Montenegro, Ana Laíns, Fernanda Porto, Joaquim de Almeida entre outros, estando o desafio estendido também a Maria Bethânia.
Esta edição está prevista para a Primavera de 2012 e terá lançamento na Casa Fernando Pessoa com o apoio da Antena 1.”

Duas pessoas já contribuíram para o projeto que tinha como meta financeira inicial 21230 euros! Após receber 57 euros em contribuição, faltam hoje 21173 para que o projeto aconteça!

Se uma única pessoa tivesse que financiar este projeto, o custo hoje seria de 21173 euros! (A menos que fosse um grande mecenas, seria difícil uma única pessoa contribuir com tanto)!

Agora imaginemos juntos o que é possível ser feito graças ao financiamento coletivo, as redes sociais, e as tecnologias inexistentes na época em que nasceu o mecenato:

Para a meta financeira restante de 21173 euros, do projeto Os Mensageiros:

Se mil pessoas contribuíssem cada uma com 22 euros o projeto ultrapassaria a meta financeira!

Se duas mil pessoas contribuíssem cada uma com 10 euros e cinquenta centavos o projeto atingiria sua meta financeira tranquilamente

Se cinco mil e quinhentas pessoas contribuíssem cada uma com 4 euros atingiríamos a meta financeira tranquilamente!

Por isso é importante que todos entendam a importância e o valor que damos a cada pequena contribuição para os projetos em nosso site!

Para Zarpante, para os responsáveis pelo projeto, mas também para quem se sentir interessado pelo projeto, se trata realmente de união e de mobilização por um interesse comum: Fazer o projeto acontecer! Com a ajuda de cada um de vocês navegando pela rede, acompanhando e divulgando nosso trabalho, podemos chegar lá!

Se os tempos estão duros contribuam com dois euros e motivem parentes, amigos, colegas,etc, a fazerem o mesmo! Quem não pode sequer contribuir com dois euros talvez  possa ajudar divulgando o projeto? Vamos juntos e convidamos todos a participarem!

Para participar do projeto de Fernando Pessoa cliquem aqui!

Vejam também:

– A poesia do Marinheiro

– Paz no Futebol

E se gostam de Cinema!

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Quadrinhos de Fernando Pessoa?!

Simplesmente genial o que encontramos navegando por essas aguas! A lusofonia se reinventa sem parar e sempre descobrimos coisas boas! É impressionante a criatividade não só dos portugueses más de todos os povos falantes dessa língua! Fernando Pessoa em uma linguagem diferente! Desenhos muito bem feitos e quadrinhos bem bolados! Tudo isso e mais o prazer de divulgar a fonte do post de hoje : PESSOA a revista que fala sua língua!

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