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Cabo Verde, Portugal, Brasil

Um passeio musical entre 3 países:

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Farofa lusófona!

Com o Rio+20 chegando, a farofa de hoje não podia deixar de conter um ingrediente ecológico!

Por isso preparem suas frigideiras e mãos a obra: para começar pegue uma dose de

 Diego Stocco,músico com  um trabalho artístico onde faz sons com os mais diversos objetos! Para comemorar o Dia da Terra deste ano ele criou o vídeo “Música da Natureza”.

Nesse vídeo ele faz música com elementos como mel, amêndoas, cocos, casca de laranja, arroz e até uma árvore!

Em seguida junte uma dose de Estrela Leminski e Téo Ruiz: destaques recentes da cena musical brasileira. Com dois discos  na praça – “Música de Ruiz” (2011)  e “São Sons” (2006) –

E uma pitada do tradicional tempero brasileiro com Coração Tranquilo de Walter Franco! Música do álbum “Respire Fundo” (1978)  Walter Franco que foi “CONSIDERADO UM COMPOSITOR “MALDITO”, DEVIDO A SEU GOSTO PELO EXPERIMENTALISMO”.

Para dar um gostinho africano a esta nossa farofa, vamos adicionar sabores de Angola o MCK !

“6 Meses depois do Lançamento do seu Álbum, MCK regressa as nossas vidas com tema inédito “Talatona” produzida por Conductor, é uma homenagem a Gabriel Pensador.

Português: O cantor brasileiro Gabriel, O Pens...

Português: O cantor brasileiro Gabriel, O Pensador. (Photo credit: Wikipedia)

O tema surge como uma ferramenta da sua estratégia de comunicação e marketing, estimulando assim os seus admiradores a estarem presentes na sua temporada no Espaço Bahia a partir do Mês de Julho do corrente ano!”

Os Somsom são uma dupla formada pelos experientes músicos e produtores, Fred (baterista em múltiplos projectos) e João Barbosa (J-Wow, Lil’John e Buraka Som Sistema). Para este “Vamos Lá”, a dupla convidou Mel do Monte, voz já conhecida do projecto Miúda.

“Vamos Lá” é o desafio que os Somsom e a TMN lançam aos portugueses.
A história de uma música que não ficou na gaveta, da dupla Fred e João Barbosa (J-Wow/Lil’John), dois dos mais experientes e conceituados músicos e produtores da atualidade, à qual juntaram a jovem e talentosa voz de Mel do Monte.
E para terminar essa farofa tão sonora, vamos de B-Negão e os seletores de frequência!
Sintoniza Lá, última música do álbum, faixa-título do segundo disco da banda que saiu depois de (quase) longos nove anos.

 

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Mais uma farofa lusófona!

Continuando a saga das farofas de língua portuguesa, eis a nossa segunda receita! Misture uma dose de Carlos Drummond  De Andrade com uma pitada de Clarice Lispector, adicione um pouco de Tom Zé picadinho e uma colher de Vulgo Fanho com seu som periférico. Esquente tudo com em uma frigideira com palavras de Jorge Humberto e tempere com Rodrigo Costa Félix a gosto! Agora basta saborear!

Quadrilha. De Carlos Drummond De Andrade.
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Sinto Saudades…
Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades…
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro…
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências…
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…
não sei onde…
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês…
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados…
para contar dinheiro… fazer amor…
declarar sentimentos fortes…
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
“I miss you”
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência…
Clarice Lispector

Clique no link abaixo para baixar um podcast muito legal sobre Tom Zé!

http://brnuggets.blogspot.fr/2012/05/para-quem-perdeu-segue-para-download-o.html

 

‘Mindel nha bêrce, nha terra mãe’, de Jorge Humberto

Mindel nha bêrce nha terra mãe
Spêra dxame bêm sabê dêss dor
Dor d’quem mi ê
E sodad d’quem nunca m’ fui
Carrêgàme el sima Crist carrêga cruz

Na simplicidad dum criatura
Mi ê mais um nêss univêrse grande e infinito

Dum jota grande tra um jutinha
Mi d’criancinha
Na variêdad scrivid nha nome
Pa nha fantasia

Mindel nha bêrce nha terra mãe
Dzêm na mund casta d’dor ê êss
Dor d’quem mi ê
E sodad d’quem nunca m’fui
Carrêgàme el sima Crist carrêga cruz

 

Dum cara grande tra um carinha
Mi d’criancinha
Na variêdad sô scrivid nha nome
Pa nha fantasia

Mas enquanto terra for terra
M’ta sabê tambê paga nha dor
Paga nha dor, paga nha dor

Jorge Humberto

 

 

 

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Farofa lusófona!

Procurando a definição da palavra “farofa” na internet, eis o que encontramos no wikipédia:

“A farofa é um prato culinário salgado de acompanhamento da cozinha brasileira cujo ingrediente principal é a farinha de mandioca ou a farinha de milho, geralmente passada na gordura à qual podem ser acrescentados inúmeros outros ingredientes, tais como: miúdos, milho, bacon torrado, lingüiça frita, ovos, salsa, cebola, banana, couve entre outros.

É um prato bastante popular no Brasil, tendo sua origem registrada no período colonial, em várias cozinhas regionais, servindo de acompanhamento a assados de carne, ave ou peixe. Por ser um alimento de baixo custo e fácil de preparar, é muito comum entre os trabalhadores.

No Nordeste, principalmente na Bahia, usa-se como gordura o azeite-de-dendê, que dá coloração e sabor característicos à farofa. É frequente, nos assados de aves, recheá-las com uma farofa feita com os miúdos da ave.”

Acreditamos que este prato seja realmente a cara do povo brasileiro! Afinal quando pensamos em farofa, pensamos em mistura!

Por isso hoje inauguramos esta categoria intitulada Farofa lusófona em nosso blog. Uma categoria que vamos alimentar misturando elementos das diversas culturas lusófonas que apreciamos. Por aqui  poderão encontrar um vídeo sobre fado ao lado de outro sobre funk carioca, danças apimentadas do nordeste brasileiro e ao mesmo tempo um passeios pelas águas do Tejo e pelas terras de Angola, Moçambique  e tantos outros. Tudo junto e misturado!

Farofa

Farofa (Photo credit: beedieu)

Ingredientes de nossa primeira Farofa lusófona:

Uma  colherada de rap underground carioca mostrando que é possível fazer parte do universo alternativo e ao mesmo tempo ter um clipe de qualidade! Gastando menos e criando mais!

Uma pitada de audiovisual com um clipe de um grupo carioca oriundo do underground e apadrinhado por vários rappers brasileiros com um nome forte na praça!

Um suspiro eletrónico de terras portuguesas! Som preocupante com um leve gosto de David Lynch!

Uma porção de Angola com o rap de Ikonoklasta!

Vamos a receita! Misturem os ingredientes na ordem seguinte e degustem:

1-Mafia Roots!

Produzido e filmado de forma independente, Mafia Roots crítica os padrões do Rap, usando a metalinguagem. Silabas ao contrario, palavras internacionais com sotaque brasileiro e muitos outros métodos linguísticos a serem decifrados!
“Mafia Roots – O Clipe” traz uma nova visão em cinematografia, toda elaborada pelos próprios artistas, que criaram este tema para quebrar os padrões ostensivos e consumistas presentes também no meio do Rap. Um clipe filmado no Rio e na Baia, por esses representantes da nova cena independente do rap carioca! Qualidade e profissionalismo sem esquecer as raízes underground! Produção caseira  para ser vista por todo mundo!
2- Toddy Ivon & Cone Crew Diretoria!
“O filho da empregada, que quer ir mais longe que o filho do patrão”

Assim se define Toddy Ivon – Motion Designer e Film Maker. Toddy produziu e dirigiu diversos clipes para artistas independentes do atual cenário do rap e da música negra, nomes como Rashid, Rosana Bronks, Terra Preta, AXL, Carol Conka.

A Cone Crew surgiu do underground do rap carioca mas o som deles está cada vez mais difundido e produzido! Nada contra! Bola pra frente que não importa se são ou não underground: o que importa é que o som é bom e o clipe dirigido por Toddy Ivon ficou saboroso!

O vídeo “Chama os Mulekes” entrou no ar no dia 03 de Abril de 2012 e em apenas 8 dias online ultrapassou a marca de um milhão de visualizações. Tem feedback melhor?

3- Purple!
“De Berlim para o Porto, num interessante regresso aos discos.
Chama-se “Violence” e é o álbum de estreia de Purple, projecto que Luís Dourado vem animando desde 2011. Este é um regresso amparado por um prometedor álbum composto por nove faixas, histórias de violência, atmosferas que Cronenberg e Lynch não desdenhariam. Ainda na nota de imprensa, lê-se que são nove faixas a saudar o medo, a insegurança e a própria escuridão. Podem tirar as vossas conclusões já que o disco está inteiramente disponível para audição.
Tal como o homónimo EP de estreia, “Violence” é uma edição da Terrain Ahead Records.”

4- Nós e os Outros!
Esse som do rapper Ikonoklasta, é de Angola para o mundo! Vejam abaixo as palavras do próprio artista sobre essa música: ” Farto da conversa dos meus contemporâneos que usam todo o tipo de pretextos para não se envolverem num problema que não é só “dos outros”, compus esta música a pensar na elite de Angola, a classe média e alta. É um apelo às suas consciências para que juntem as suas vozes ao coro que exclama justiça, água, luz, saúde e educação, pois nenhuma mudança no mundo se operou sem a intervenção das supra-citadas classes. Não peço atos heróicos, como os dos vídeos que escolhi para servir de base para ilustrar o meu apelo, mas o mais singelo dos vossos atos terá uma repercussão imensa na psique coletiva, revigorando as certezas de quem arrisca mais do que o emprego que o seu caminho é justo e, estreitando um sentimento de irmandade que transcende as classes e que até agora é praticamente inexistente pois há um défice gritante de comunicação. Riscos todos corremos, mas estar vivo em si é um risco, porquê não imbuir-nos da missão de deixar algo feito que seja maior do que a realização dos nossos sonhos e ambições pessoais? Não se fazem omeletes sem partir ovos. UBUNTU!”

 

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