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Repensando o crowdfunding

Se você é daqueles que acredita que o objetivo principal de toda campanha de crowdfunding, seja captar fundos, está na hora de rever seus conceitos:

Vivemos uma revolução onde multidões “auto-organizadas” acendem a chama das mudanças sociais no mundo, por meio da  deslocalização dos poderes estabelecidos. A novidade é que as pessoas tem, graças à internet e às ferramentas de redes sociais, muito mais facilidade para encontrar outras pessoas que defendam a mesma causa, e comunicar. Dessa forma a palavra colaborar ganha novas dimensões.

 

O crowdfunding atrai cada vez mais artistas e criativos em busca de uma interação direta com seus próprios fãs, para que possam convidá-los a participar, de seus projetos, e juntos, tornando-os bem sucedidos. O elemento mais visível nesse processo, é o dinheiro, que sob forma de contribuição, troca de mãos. No entanto, é preciso prestar atenção em alguns elementos bem mais interessantes e potencialmente transformadores, em torno de uma campanha de crowdfunding.

O que é crowdfunding?

crowdfunding

O crowdfunding é um processo de comunicação e interação entre uma pessoa física ou jurídica que precise de fundos para criar algo novo, e uma massa de fãs que estejam prontos a participar de maneira ativa e construtiva. Trata-se principalmente de uma forma de colaboração aberta entre os participantes sob forma de:

  1. Um convite para fazer parte de um projeto bem sucedido; seguido de,
  2. Uma campanha para criar uma comunidade de pessoas que se mobilize em um esforço coletivo; culminando em,
  3. Um evento ou alguma forma de celebrar o que TODOS CRIARAM JUNTOS.

Agora mais detalhadamente:

Um convite para fazer parte de um projeto bem sucedido

Ao doar fundos para uma ONG, ou algum projeto caritativo, o doador permanece relativamente passivo. No crowdfunding, não basta contribuir: é necessário participar do esforço de divulgação, para que o projeto possa se espalhar pela rede. Quanto mais os fãs compartilharem e publicarem seu projeto, mais chances vocês terão, de juntos, atingirem a meta do projeto. Nesse sentido o crowdfunding se assemelha a campanhas e movimentos políticos que se organizam para encontrar cada vez mais pessoas dispostas a se esforçar pela causa. Não se trata apenas de contribuir financeiramente para uma causa, mas principalmente, de encontrar o máximo de pessoas que queira se engajar por sua causa.

Convide todos seus amigos, e peça para que eles convidem todos os amigos deles e peçam aos amigos que convidem todos os amigos, etc…

 

Uma campanha para criar uma comunidade de pessoas que se mobilize

Quanto mais pessoas contribuírem para seu projeto, mais visibilidade ele irá obter. Faça com que todas as pessoas que você conhece participem ao menos com um valor simbólico, e se realmente, algumas pessoas sequer puderem fazer isso, convide-as a espalhar a noticia e convocar pessoas a participarem, seja pela net, ou seja offline. Quanto maior for a comunidade de pessoas divulgando seu projeto, mais chances ele terá de atingir a meta financeira estabelecida.

 

Compartilhe recompensas:

Comemorar uma campanha bem sucedida com as pessoas que apoiaram seu projeto é uma ótima oportunidade para realmente criar um laço a mais com seus fãs. Celebrem o que vocês realizaram juntos! Esse é também o momento de entregar as recompensas prometidas para cada pessoa que contribuiu. Mantenha as pessoas que contribuíram para seu projeto constantemente atualizadas. É muito importante que cada pessoa que contribuiu para seu projeto, saiba da evolução do processo criativo, e que tanto as recompensas prometidas, quanto o próprio resultado final (objetivo do projto) sejam entregues nos prazos pré-definidos. Dessa forma, os fãs sentirão que fazem realmente parte do projeto e de seu resultado final, porque foram eles que fizeram que o projeto se tornasse possível por meio de suas contribuições..

Perceba que nenhuma das etapas do processo é realmente em torno do dinheiro. Claro, é necessário que os fãs contribuam monetariamente, e o total de fundos captado precisa ser suficiente para atingir as metas estabelecidas. Mas é necessário focalizar na busca de pessoas engajadas que se juntam e aumentam a massa mobilizada em torno de seu projeto para criar algo novo. É por isso que o crowdfunding tem tanto potencial para quem quer mudar a realidade social na qual vivemos. É um processo de deslocalização do poder, que leva pessoas a se engajarem em ações construtivas.

Em outros termos, o crowdfunding serve principalmente para aumentar a sua rede social, e sua base de fãs engajados (aqueles que comprariam um CD ou quadro seu mesmo que estivesse todo estragado e viajariam quilômetros sob chuva para ver uma apresentação sua).

Nada mal se considerarmos que o mesmo processo serve para captar fundos que permitirão a realização de projetos criativos e inovadores! Não acha?

O crowdfunding pode abrir a porta para um real engajamento

Quem trabalha na área das mudanças sociais pode utilizar o crowdfunding como uma ferramenta de organização, já que reúne engajamento e resultados concretos. Muitas pessoas estão insatisfeitas com  as organizações tradicionais porque seus métodos de financiar, baseados  em uma comunicação unilateral, são cada vez mais irresponsáveis, além de não propiciarem interação. As mídias sociais e suas ferramentas, facilitam a formação orgânica de redes conectadas diretamente entre si e capazes de determinar agendas e compartilhar conhecimentos, somando forças para atingir objetivos comuns.

Se o crowdfunding tem atraído cada vez mais adeptos, é porque vem provando ser uma maneira eficaz de democratizar o financiamento, tornando-o mais transparente e por consequência dando mais poder às ações e aos movimentos sociais. Tudo começou como uma simples maneira de ajudar uma banda local a gravar seu primeiro CD graças aos seus fãs (o que já era genial), e evoluiu até chegar a ser uma ferramenta reconhecida para contornar a burocracia das instituições e levar a ação diretamente à massa.

“Power to the people” como diriam alguns…

Para saber mais sobre crowdfunding ,ou lançar seu próprio projeto, visite nosso site: clique aqui.

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Utilizar o crowdsourcing para trazer felicidade às nossas cidades

O que faz uma cidade feliz? E se recorrermos ao crowdsourcing para encontrarmos juntos respostas pertinentes?

Esse local lhe evoca beleza, paz, ou felicidade?

Esse local lhe evoca beleza, paz, ou felicidade?

Depois de vermos como uma estrela Pop foi criada graças ao crowdsourcing, vamos agora mostrar uma aplicação totalmente diferente do crowdsourcing.

Pesquisadores da Cambridge University, lançaram um projeto de crowdsourcing em torno da cidade de Londres. O objetivo é definir os lugares da capital inglesa que mais evocam paz, felicidade ou beleza.

O site urbangems irá pedir às pessoas que comparem duas vistas de Londres e definam qual representa melhor uma dessas três qualidades: felicidade, tranquilidade ou beleza.

Os resultados serão utilizados para criar um ranking dos lugares mais “alegres” de Londres. Isso poderia em seguida ser utilizado para um melhor planejamento urbano.

Virtudes estéticas:

Ao selecionar o que cada local lhe evoca, os utilizadores são convidados a adivinhar a percentagem de outras pessoas que pensam da mesma maneira.

Terão também a possibilidade de adicionar palavras chave e outras informações que ajudarão a explicar as razões de suas escolhas mais detalhadamente.

“Tendo em mãos uma lista compreensível das virtudes estéticas, teremos mais chances de entender e sistematicamente recriar espaços públicos que amaremos de maneira intuitiva,” explica o líder dos pesquisadores, Daniel Quercia, do laboratório de computação da universidade de Cambridge.

Para não influenciar a decisão de cada participante, as fotos utilizadas serão fotos disponibilizadas publicamente por serviços como o Google’s StreetView, e terão todas a mesma qualidade de imagem.
800px-London_Thames_Sunset_panorama_-_Feb_2008Planejamento urbano:

A longo prazo, o plano é que o site possa oferecer recomendações personalizadas dos lugares da cidade. Os utilizadores também poderão colocar fotos e tags de seus lugares preferidos no site, criando assim o que os pesquisadores descrevem como um “site de encontros graças ao qual uma pessoa poderia encontrar sua alma gêmea de acordo com critérios em comum, relacionados às sensações que a cidade evoca em cada um”.

Sociólogos poderiam utilizar os resultados para entender porque alguns bairros despertam mais atração que outros e aproveitar para melhorar o aspecto visual dos bairros que despertarem menos sensações positivas nos participantes do projeto.
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A pop star do futuro

Descubra como uma artista virtual vem conquistando o Japão

Os shows de Hatsune Miku começam como a maioria dos shows de estrelas da música pop: uma multidão de jovens fãs grita freneticamente emitindo sons com frequências assustadoras! Mas quando a cantora aparece, percebemos rapidamente que há algo diferente. Miku não é humana. Trata-se  de um ídolo virtual, uma estrela holográfica.

Os Gorillaz já utilizavam os hologramas e as ilusões de óptica, mas agora a coisa vai além:

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Miku nasceu graças ao crowdsourcing e é um programa que evolui constantemente. Sequer seus fãs sabem como definir o trabalho da cantora. A banda é composta por músicos reais tocando verdadeiros instrumentos, mas Miku é projetada no palco, cantando (se é que podemos falar de cantar) trilhas robóticas. Mas ela foi programada para fazer isso meses antes, a milhares de quilômetros de distancia.

Mas não se enganem, isso não diminui nem um pouco a adoração que seus fãs tem por ela. Bem pelo contrário, Miku é atualmente uma das maiores estrelas na Asia. Tão popular em seus país natal quanto o Sonic (da Sega). Mas ela tem fãs fora do Japão também: em novembro ela se apresentou em Singapura, onde 3,000 fãs cantaram músicas em japonês (sendo que muitos sequer falam japonês). Algumas fãs vieram vestidas de Miku, outras tinham bonecas de Miku, e uma garota assistia um vídeo de Miku em seu telefone, enquanto a própria Miku digitalizada se apresentava em sua frente.

A verdade é que Miku é imortal e não fica bêbada ou drogada antes dos shows.

Pouca gente conhece as verdadeiras origens de Miku e esse é exatamente o desejo de seus criadores.

Miku nasceu como uma estratégia de marketing. Praticamente todas as corporações e organizações japonesas contam com um mascote, inclusive a polícia. Miku foi concebida como um mascote para Crypton Future Media, uma empresa que fabrica instrumentos virtuais.

A empresa precisava de um ídolo que ajudasse a atrair jovens criativos a utilizar um programa virtual para vozes (Vocaloid)

Assim surgiu Miku (futuro) Hatsune (primeiro som).

Os criadores de Miku sabiam que se ela atraísse a atenção, os próprios fãs escreveriam sua história. Esses “fãs nerds” amam personagens ficticios e não celebridades de carne e osso como imaginaríamos.  Artistas humanos desaparecem rapidamente no Japão, mas os personagens de desenhos duram anos. Quando um personagem de um “manga”, de uma animação, de um videogame, uma linha de brinquedos, ou até mesmo de um desenho porno, cai na boca do povo, os fãs entram em interação com o personagem criando variações deste. Vídeos caseiros, desenhos, “hentais”, etc… Os japoneses chamam isso de “niji sousaku”,ou seja, “criatividade secundária.”

O crítico cultural Hiroki Azuma fala de um modelo de criação, dirigido por redes de “consumidores-produtores” para quem a autenticidade e a propriedade intelectual são menos importantes que os detalhes e a invenção. O público não faz realmente a diferença entre quem escreveu as canções (o autor) e quem as canta ( no caso, a interprete virtual).

Ian Condry, um professor da MIT, que dá cursos sobre a cultura pop japonesa, diz que Miku serve como “ uma plataforma na qual as pessoas podem construir coletivamente. Ela se transforma assim em uma ferramenta de conexão que, por meio da participação das pessoas, ganha vida.”

Lembremos agora o caso de Gundam, o famoso personagem robô japonês: nos anos 70, um produtor de brinquedos japonês (Clover) criou Gundam e patrocinou uma série de animação para fazer o marketing do personagem. A experiência falhou, e a série foi cancelada. Porém, foi o suficiente para que que um culto dos fãs se estabelecesse. Foi assim que os próprios fãs começaram a produzir quadrinhos com o personagem, e a se vestir com camisetas caseiras em homenagem ao personagem. Ao perceber isso, Bandai, uma firma especializada em bonecos, comprou os direitos autorais do personagem. Hoje, a Clover está falida e não tem mais atividade alguma. Quanto a Bandai, que mais tarde participou da febre dos Power Rangers, é hoje em dia a terceira maior empresa de fabricação de brinquedos do mundo.

No Japão, essa reação do público, que acaba se transformando também em produtor, existe desde antes da internet, porém é inimaginável como a internet facilitou esse processo, de uma forma impensável há alguns anos. Faça uma pesquisa no Google com as palavras seguintes: “Hatsune Miku”. 22 milhões de resultados irão aparecer, e a maioria irá lhe dar acesso a  páginas ou sites criados por fãs e não pela empresa que criou o personagem.

Miku  “nasceu” dia 31 de agosto de 2007, com o lançamento do programa. Um programa que atingiria o sucesso rapidamente, mas não sem a ajuda criativa dos fãs atraídos por Miku desde sua primeira aparição. A empresa Crypton criou então um site em que os fãs poderiam divulgar suas criações. No primeiro dia do site online, foram recebidos milhares de ilustrações e desenhos de Miku. Os sites de fãs foram se proliferando, e uma equipe de profissionais de diversas áreas e de “nerds da net”, começou a trabalhar em torno de Miku. Algumas pessoas compuseram músicas para que Miku as interpretasse, outras sugeriam coreografias e assim por diante…

Hoje, a “massa” cria material em uma vasta escala. Cerca de 3,000 músicas compostas por fãs graças ao Vocaloid (o produto que deu razão de exisitir a Miku), encontram-se no iTunes japonês e na Amazon. É estimado que mais de centenas de milhares de vídeos relacionados a Miku já foram colocados no Youtube. Sem contar que, no país do karaoke, as músicas de Miku estão entre as regularmente mais pedidas nas casas de karaoke japonesas.

Para muitos fãs masculinos, fica claro que a mini saia, que fica constantemente revelando a sensualidade da cantora virtual, é uma das principais razões de gostarem de Miku.

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Não é uma surpresa que muitos dos “remixes de Miku, obtidos graças à criatividade do crowdsourcing, tenham um carácter sexual. No Japão sempr houve um mercado para desenhos sexuais. Isso é um pouco incomodo para a empresas responsável por Miku, mas eles não recriminam. O erotismo e a sensualidade fazem parte do marketing de Miku e do que o público busca em Miku.

Mas Miku ajudou a deslanchar a carreira de Djs, produtores, e animadores. Alguns fãs viram um vídeo caseiro em que a cantora toca um instrumento fictício. Um tipo de citara com uma interface digital. Eles fizeram uma captura de tela, e em seguida construíram o instrumento que agora é real.

E até aqui falamos apenas de como as pessoas reagiram online: em Tokyo, basta ir ao distrito Akihabara para ver como Miku se enraizou na realidade física. Foi em Akihabara que tudo começou, e lá que o carisma e o poder econômico de Miku ficam ainda mais perceptíveis.

São centenas de prédios em que cada andar é dedicado unicamente a lojas que vendem produtos Miku. Ela está por toda parte: bonecas, revistas, mulheres vestidas de Miku, souvenires de todos os tipos, comidas, doces, etc. Inclusive livros escritos por fãs, com poemas ou simplesmente partituras de músicas.

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Ela é uma “wiki-celebridade,” suficientemente pessoas interagem em torno dela para que ela tenha uma “vida real”, mas nunca autônoma, ela vive a vida dos outros.

Agora, comparando esse modelo de produção com o modelo conservador e protetor da Disney, que teria processado qualquer pessoa que copiasse um desenho deles, parece-nos evidente que o futuro está no “open source”.

No caso de Miku, os shows ao vivo em que canta as músicas escritas por seus fãs, nada mais são do que o resultado de um crowdsourcing baseado no “open source” ou melhor dizendo, um sistema produtivo em que compartilhar conhecimentos e ideias é mais importante do ter o direito autoral disso ou daquilo.

O primeiro show de Miku em solo, aconteceu em Tokyo em 2010, e casa lotou. Desde então foram mais 6 shows incluindo um no vernao de 2011 no Nokia Theater em Los Angeles, onde umas 3,000 pessoas prestigiaram a apresentação virtual.

O melhor dos shows da cantora Miku, é a possibilidade que os fás tem de se conhecer e trocar ideias. Porque afinal, eles já conhecem Miku e sabem que ela é mais carismática em um vídeo que ao vivo.

Estaríamos entrando na era dos artistas virtuais?

No Coachella, foi um Tupac Shakur virtual que cantou com Dr. Dre e Snoop Dog. No Brasil foi o Renato Russo virtual que encantou. Em breve, nos prometem um Elvis virtual…

– Outros artigos sobre crowdsourcing:

– Utilizar o crowdsourcing para trazer felicidade às nossas cidades.

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Na Islândia, política rima com crowdsourcing!

Os islandeses aprovaram uma constituição elaborada graças ao crowdsourcing

From Reykjavik, Iceland

From Reykjavik, Iceland (Photo credit: Helgi Halldórsson/Freddi)

Os cidadãos islandeses foram convidados a ajudar na redação da nova constituição islandesa, por meio do Facebook e do Twitter. Consequentemente, não é uma surpresa que eles se sintam representados pela nova constituição. Agora está nas mãos dos políticos.

LEvando em conta que a constituição é uma das bases identitárias de qualquer nação, a decisão de permitir, a toda a população, participar na redação de uma nova constituição, por meio de redes sociais, é algo totalmente inovador!

Parece estar dando certo: O país lançou um referendum fazendo aos eleitores seis perguntas sobre a redação da nova constituição. Dois terços respondeu positivamente a pergunta seguinte: ” Você gostaria de seguir adiante e utilizar a constituição redigida coletivamente, como base para a nova constituição? “

Faz sentido: dê a chance ao povo de participar da redação, graças a uma democratização internética, e eles apoiarão os resultados.

Renascer das cinzas:

Para entender melhor, voltemos um pouco no tempo: assim que a crise financeira começou, o sistema bancário islandês sofreu um colapso, levando consigo o governo. O novo governo resolveu então trilhar novos caminhos.

Primeiro foi criada a “Modern Media Initiative” (hoje “International Modern Media Institute”), um site democrático dedicado a liberdade de expressão e inspirado no Wikileaks. A ideia é transformar a Islândia em um território de livre expressão, convidando organizações de  mídia do mundo todo a  hospedarem seus sites nos servidores islandeses, aproveitando assim das novas proteções do país aos jornalistas, blogs etc..

Em seguida foi organizada a redação da nova constituição por criação colaborativa (crowdsourcing). A antiga constituição islandesa era baseada na constituição dinamarquesa e estava ultrapassada. Foi assim que 25 cidadãos foram levados a um Conselho Constitucional para ajudar a criar  a nova constituição. O Conselho utilizou em seguida as ideias compartilhadas online por seus cidadãos e apresentou um primeiro rascunho, que foi em seguida legitimado gracas a um referendum em que o povo demonstrou apoiar a nova constituição.

235,000 eleitores participaram do Referendum ( em torno da metade da população do país), e 66% destes disse aprovar que a nova constituição fosse inspirada no rascunho elaborado graças ao crowdsourcing.

Cabe agora ao parlamento decidir se o rascunho será realmente a base da nova constituição.

Assim como no caso das leis finlandesas elaboradas por meio do crowdsourcing, os representantes eleitos tem a palavra final sobre as propostas feitas online. Em uma democracia representativa, é exatamente assim que as coisas deveriam acontecer: se elegemos pessoas para representar-nos, estamos delegando a eles exatamente essa responsabilidade.

Parliament Building in Reykjavík, Iceland

Parliament Building in Reykjavík, Iceland (Photo credit: Wikipedia)

O mais importante, seja no caso das leis finlandesas ou da constituição islandesa, é que a tecnologia está sendo utilizada para dar uma voz ao povo, ao mesmo tempo que garante que os políticos são obrigados a escutar e não podem simplesmente ignorar as propostas populares.

Porque a vantagem do crowdsourcing, é que as propostas são públicas e abertas, o que impossibilita que sejam ignoradas.

Agora cabe ao parlamento islandês mostrar que está levando a sério o processo…

Quanto a nós, ficamos curiosos: Sabemos que no Brasil por exemplo, iniciativas como esta ainda não existem mas que o Governo de Porto Alegre teve por um tempo um orçamento participativo, em que os cidadãos eram convidados a votar e participar de reuniões para decidir onde e como seriam gastas as verbas do governo.

Português: Por do sol no centro de Porto Alegr...

Português: Por do sol no centro de Porto Alegre, Brasil. (Photo credit: Wikipedia)

Gostaríamos de saber se vocês conhecem exemplos similares em países de língua portuguesa. Comentem e alimentemos este debate! Afinal, em tempos como estes, nos parece uma discussão muito atual!

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