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Vinícius de Moraes e o Dia da Consciência Negra

Como ele mesmo dizia ser o branco mais negro do Brasil, nada mais natural que relembrar o Dia da Consciência Negra em companhia do Poetinha e de alguns clássicos:

– Para começar, o filme completo, Orfeu Negro, do francês Marcel Camus, com trilha sonora composta por Vininha:

O filme foi filmado no morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, e não é uma coincidência se hoje, um projeto maravilhoso de crowdfunding para poder arrecadar os fundos necessários para pagar os direitos autorais do Poeta, viu nascer o dia no site Zarpante. Clique aqui para saber mais e participar do projeto Lamento no Morro.

– Continuamos com o Samba Da Benção:

“Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração”

“Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!”

Notam-se diversas palavras do vocabulário Afro – Xangô, ialorixá, Saravá, etc, que dão um ritmo e um estilo afro-samba à música e revelam a versatilidade de Vinícius, passando do léxico bossa-nova ao tipicamente usado pelos negros.

– Em seguida tem Zambi:

Compartilhamos em seguida, um podcast feito há alguns anos por nós, para que o público francês se familiarizasse com Zumbi e com o Dia da Consciência Negra. As músicas são todas em homenagem ao tema! Escutem abaixo enquanto leem este artigo:

– Para terminar tem um Poema interessante do Vininha:

Balada negra, Vinícius de Moraes

Éramos meu pai e eu
E um negro, negro cavalo
Ele montado na sela,
Eu na garupa enganchado.
Quando? eu nem sabia ler
Por quê? saber não me foi dado
Só sei que era o alto da serra
Nas cercanias de Barra.
Ao negro corpo paterno
Eu vinha muito abraçado
Enquanto o cavalo lerdo
Negramente caminhava.
Meus olhos escancarados
De medo e negra friagem
Eram buracos na treva
Totalmente impenetrável.
Às vezes sem dizer nada
O grupo eqüestre estacava
E havia um negro silêncio
Seguido de outros mais vastos.
O animal apavorado
Fremia as ancas molhadas
Do negro orvalho pendente
De negras, negras ramadas.
Eu ausente de mim mesmo
Pelo negrume em que estava
Recitava padre-nossos
Exorcizando os fantasmas.
As mãos da brisa silvestre
Vinham de luto enluvadas
Acarinhar-me os cabelos
Que se me punham eriçados.
As estrelas nessa noite
Dormiam num negro claustro
E a lua morta jazia
Envolta em negra mortalha.
Os pássaros da desgraça
Negros no escuro piavam
E a floresta crepitava
De um negror irremediável.
As vozes que me falavam
Eram vozes sepulcrais
E o corpo a que eu me abraçava
Era o de um morto a cavalo.
O cavalo era um fantasma
Condenado a caminhar
No negro bojo da noite
Sem destino e a nunca mais.
Era eu o negro infante
Condenado ao eterno báratro
Para expiar por todo o sempre
Os meus pecados da carne.
Uma coorte de padres
Para a treva me apontava
Murmurando vade-retros
Soletrando breviários.
Ah, que pavor negregado
Ah, que angústia desvairada
Naquele túnel sem termo
Cavalgando sem cavalo!

Foi quando meu pai me disse:
– Vem nascendo a madrugada…
E eu embora não a visse
Pressenti-a nas palavras
De meu pai ressuscitado
Pela luz da realidade.

E assim foi. Logo na mata
O seu rosa imponderável
Aos poucos se insinuava
Revelando coisas mágicas.
A sombra se desfazendo
Em entretons de cinza e opala
Abria um claro na treva
Para o mundo vegetal.
O cavalo pôs-se esperto
Como um cavalo de fato
Trotando de rédea curta
Pela úmida picada.
Ah, que doçura dolente
Naquela aurora raiada
Meu pai montando na frente
Eu na garupa enganchado!
Apertei-o fortemente
Cheio de amor e cansaço
Enquanto o bosque se abria
Sobre o luminoso vale…
E assim fui-me ao sono, certo
De que meu pai estava perto
E a manhã se anunciava.
Hoje que conheço a aurora
E sei onde caminhar
Hoje sem medo da treva
Sem medo de não me achar
Hoje que morto meu pai
Não tenho em quem me apoiar
Ah, quantas vezes com ele
Vou ao túmulo deitar
E ficamos cara a cara
Na mais doce intimidade
Certos que a morte não leva:
Certos de que toda treva
Tem a sua madrugada.

 

 

 

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A Unesco oferece

Unesco

Unesco (Photo credit: girolame)

Alguns estudos interessantes disponibilizados pela UNESCO!

– Coleção História Geral da África em português

– Debates e perspectivas para a institucionalização da lei 10.639/2003

“Os eventos contaram com a presença de expositores nacionais e internacionais, que potencializaram trocas de experiências e discutiram, de forma profunda, temas de história e cultura africana e afro-brasileira e da educação das relações étnicoraciais. Essas discussões possibilitaram um mapeamento de necessidades e perspectivas para a implementação das diretrizes curriculares nacionais para a educação sobre relações étnico-raciais, história e cultura africana e afro-brasileira no sistema da educação básica do país e, ainda, foram apresentadas possibilidades de uso da Coleção HGA como um subsídio para a sua efetivação.” Fonte: UNESCO

  1. Brasil-África: importância, reconhecimento e ressignificação; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Cachoeira, Bahia, 2 de abril de 2011.
  2. Brasil-África: herança cultural e interculturalidade; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Salvador, Bahia, 4 de abril de 2011.
  3. Brasil-África: história, historiografia e a produção de saberes na África e na Diáspora; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em São Paulo (SP), 6 de abril de 2011.
  4. Brasil-África: heranças históricas e perspectivas contemporâneas; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Belo Horizonte, Minas Gerais, 13 de abril de 2011.

– Educação preventiva para DST/HIV/Aids e hepatites virais entre os povos indígenas do Vale do Javari

© UNESCO

“A “Série Educação preventiva para DST/HIV/Aids e hepatites virais entre os povos indígenas do Vale do Javari” constitui-se em material didático-pedagógico multilíngue e intercultural, que tem como finalidade subsidiar os professores Marubo, Matis e Mayoruna (Matsés) em ações de prevenção às doenças nas escolas indígenas e nos contextos comunitários em que estão situadas. O material disponibiliza aos professores conteúdos para trabalharem com as diferentes faixas etárias, gêneros e escolaridade dos alunos.”

  • Marubo – is tëai vana Maruvo
  • Mayoruna (Matsés) –  nënaid dedenda quequin chiaid nec DST/Aids e hepatites virais
  • Matis – tximu bekte sinanek onkekin darawakid

– Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas:

Download gratuito: clique aqui

Mais educação, menos violência: caminhos inovadores do programa de abertura das escolas públicas nos fins de semana:

Download gratuito: clique aqui

– Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos em português:

O Programa Mundial, de autoria da UNESCO e do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), visa apresentar a gestores públicos e militantes de direitos humanos subsídios e orientações para a construção de programas educacionais baseados no respeito aos direitos humanos.

“O PMEDH é composto por duas “fases” de um “Plano de Ação”, assim chamadas como forma de melhor encadear e articular esforços governamentais e não governamentais ao redor de uma cultura de promoção e defesa dos direitos humanos. A chamada “Primeira Fase” do Programa Mundial (2005-2009) reúne recomendações, referências e metas concretas voltadas ao ensino primário e secundário. A “Segunda Fase” do Programa Mundial (2010-2014), por sua vez, confere prioridade ao ensino superior e à formação em direitos humanos para professores, servidores públicos, forças de segurança, agentes policiais e militares.” Fonte: UNESCO

Acesse os documentos clicando aqui.

– “Turismo de Portugal e UNESCO lançam manual para gestão sustentável do Património Mundial”:

disponível para download neste link: http://we.tl/gUlrTOWs8P)

Veja também:

– Relatório da ONU sobre economia criativa

– Conhece o programa Oncotô?, da TV Brasil?

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Para ler e aprender

O ROTEIRO DE MARTIM SOARES MORENO  conta a história de meio século de lutas pela restauração do Brasil, entre 1604 e 1654.

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Os franceses instalaram-se desde a Paraíba até ao Maranhão, depois de expulsos do Rio de Janeiro e os holandeses chegaram a ocupar metade da costa brasileira, onde controlavam a produção e o comércio do açúcar. Martim Soares Moreno chegou ao Brasil muito jovem e participou em todas as lutas contra franceses e holandeses; natural de Santiago do Cacém, faleceu na sua terra natal, depois de ter servido como militar desde a Bahia até ao Maranhão, durante 45 anos.

Ele foi um dos grandes heróis da recuperação do Brasil para o domínio português, combateu intrusos e corsários, em terra como no oceano, desfigurado e com uma mão decepada desde os 30 anos; faz parte da lenda, da tradição e da literatura, sobretudo no Ceará, capitania por ele fundada e onde é venerado. Um dos mais belos romances da literatura portuguesa intitula-se IRACEMA, da autoria de José de Alencar (1829-1877): o romance narra a história de um guerreiro português que se enamora da filha de um chefe índio com quem tem um filho e é uma metáfora da miscigenação própria à nação brasileira. A ficção de Alencar é decalcada sobre a vida real do militar cuja história verdadeira é narrada no livro do professor Abreu Freire.Martin-Soares-Moreno-1

O texto agora publicado resulta de investigações levadas a cabo durante muitos anos, já que a vida do militar se cruza em diversos momentos com a do padre António Vieira, a quem o autor dedicou vários livros e um filme. Martim comandava um batalhão de tropas acantonadas na Bahia pelos anos de 1638 a 1645, antes da investida decisiva contra os holandeses; por esses anos o jesuíta pregava os primeiros sermões patrióticos para animar os soldados.

Mais tarde o pregador foi incumbido de resolver na Holanda, pela via diplomática, a questão da presença holandesa no Brasil, sem sucesso, enquanto os soldados a quem ele pregara em Salvador da Bahia conseguiam derrotar os ocupantes em Pernambuco; em Agosto de 1648, o jesuíta regressava a Lisboa e o militar também: o padre tinha fracassado, o militar chegava como vencedor de uma grande batalha, mas faleceu pouco tempo depois.

Os contornos da luta pela restauração do Brasil são complexos e foram muitos os intervenientes na criação da nação brasileira; Martim Soares Moreno falava a língua Tupi e comandou por várias vezes batalhões de tropas indígenas. Na guerra pela restauração e unidade do Brasil combateram negros, índios e brancos, com interesses diferentes mas uma escolha comum que foi a de continuar a existir sob influência portuguesa. Este livro é a primeira biografia completa escrita em Portugal sobre um dos personagens fundamentais na formação de um dos países mais promissores do mundo, onde hoje vivem 194 milhões de pessoas.

Veja Também:

– Podcasts musicais do Zarpante

Essa o mestre Caymmi só pode ter feito para Zarpante!

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Quer dançar?

Para quem dança profissionalmente, ou para quem quer descobrir o dançarino que tem dentro de si, ficam aqui algumas dicas que recolhemos Zarpando por aí…

Espectáculo "Cruel" da Cia de Dança ...

Existem pessoas que movimentam timidamente os pés ao ritmo da bateria, outras que chacoalham o pescoço ao som do baixo, há também quem prefira pular para todos os lados, mas uma coisa é certa: dançar faz bem ao corpo e a alma!

Vamos às dicas:

– Vem ai:

1- Ano Brasil-Portugal

MOSTRA DE DANÇA DO BRASIL 2013 – ANO DO BRASIL EM PORTUGAL 2013

TATYANA – COMPANHIA DEBORAH COLKER

Dia 19, 20 E 21 abril, Teatro São Luiz

SALA PRINCIPAL Duração: 89 minutos
SEXTA E SÁBADO ÀS 21H, DOMINGO ÀS 17H30

Sinopse

Deborah Colker foi buscar inspiração para seu novo espetáculo num grande clássico da literatura universal.

Tatyana é baseado em “Evguêni Oniéguin”, o romance em versos, publicado em 1832 por Aleksandr Púchkin (1799-1837), o pai da literatura russa.

Em dois actos, a Companhia de Dança Deborah Colker leva ao palco o próprio Púchkin, interagindo com as acções, desejos, pensamentos e transformações psicológicas dos quatro protagonistas de sua obra-prima. A música de compositores como Rachmaninov, Tchaikovsky, Stravinsky e Prokofiev embala essa jornada atemporal ao âmago de uma história de duelos, desencontros, paixões e decepções.

Saiba mais sobre a peça e compre suas entradas clicando aqui.

Confira toda a programação da Mostra de Dança Ano Brasil Portugal.

2- O Dia Mundial da Dança celebra-se todos os anos dia 29 de Abril.

A data foi criada em 1982 pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO, que escolheu odia como o Dia Internacional da Dança.

A comemoração tem por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, que nasceu em 1727 e foi um dos grandes nomes da dança.

– Na rede:

Acervos online de pesquisa em dança
Uma análise da  dança europeia, norte-americana e brasileira a partir dos anos 60, em busca de critérios para auxiliar a pesquisa em dança e suas relações com o pensamento, a história e o corpo. Tudo isso e muito mais no site Temas de Dança.

– Em Campinas:

Clique aqui e contribua para que cada vez mais pessoas deficientes possam dançar livremente!

Projeto Deguste Tugudum
A partir do tema A diversidade corporal como investigação contemporânea – deficiência como potência, a Cia. Tugudum, de Campinas, retomou, no último sábado, 6 de abril, as atividades do projeto Deguste Tugudum. Estão programadas oficinas, espetáculos e exibições de filmes até o dia 26 de maio.
Clique aqui para mais informações!

– Inscrições abertas até 6 de maio!

Fundação Cultural da Bahia seleciona projetos de dança
A Fundação Cultural do Estado da Bahia – Funceb investirá R$ 194 mil em 21 trabalhos de dança, valor que será dividido entre dez propostas de espetáculos relacionadas a intervenções urbanas, à dança de rua e a processos de criação. Os selecionados irão compor a programação da Quarta que Dança 2013, entre os meses de julho e novembro, em Salvador e em cidades do interior da Bahia. Inscrições ficam abertas até o dia 6 de maio.
Clique aqui para mais informações!

– Inscrições abertas até 12 de maio!

Intercâmbio artístico em festival suíço
O Festival Internacional Belluard Bollwerk recebe, até o dia 12 de maio, inscrições para a residência artística watch & talk, em Friburgo, na Suíça. Os selecionados poderão aproveitar a programação do festival, que acontece entre 28 de junho e 6 de julho, e interagir criticamente com outros artistas.
Mais informações: http://ow.ly/jTKgy

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Parceiros com sotaques!

E Deus criou Salvador da Bahia …

Cidades com Sotaques  Bahia 
 
Deus está em todo o lado nesse milagre cultural e religioso que é Salvador da Bahia. Uma cidade pintada com todas as cores, todas as raças, todas crenças – aqui convivem o candomblé e o catolicismo em perfeita harmonia – todos os Continentes que a ela aportaram, tornando-a num viveiro humano,  representação  desse sincretismo excepcional   que tornou  o Brasil num país único e irrepetível.
A cidade de Salvador da Bahia foi fundada a mando de D. João II, através da atribuição, em 1536, de uma capitania hereditária a Francisco Pereira Coutinho. Mas passaria mais de uma década, mais concretamente no dia 29 de Março de 1549, para que chegasse de Portugal uma comitiva naval, capitaneada por Tomé de Sousa e constituída por seis embarcações, três naus, duas Caravelas e um Bergantim, com a missão de fundar uma cidade-fortaleza chamada São Salvador.
São Salvador foi capital e sede da Administração colonial do Brasil até 1763. Mas foi também epicentro de movimentos intelectuais como a Revolta dos Alfaiates em 1793 ou de importantes revoltas de escravos como a Revolta dos Malês em 1835.
A área metropolitana da Bahia é mais rica do Nordeste do Brasil e a região é conhecida pela sua imensa riqueza patrimonial e histórica – o Centro Histórico da cidade de Salvador é património mundial da UNESCO, pela sua gastronomia e pelas múltiplas religiões que coexistem no seu interior. A Bahia é conhecida, igualmente, como o centro da cultura afro-brasileira, com a maioria da população a ser composta por negros e mestiços.
Basta ler dois clássicos da Literatura baiana e brasileira, Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, para vislumbrar o maior património dos baianos. Uma cultura plural, rica em personalidades diversas, que se confunde com a alma mais profunda do próprio Brasil.
R. Marques
www.sotaques.pt – Cidades com Sotaques, Cidades com alma e coração
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