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Portugal precisa de uma farmácia Democrática?

Continuando com o polêmico tema do ditador Salazar, encontramos um texto que não poderíamos deixar de compartilhar com todos esses Salazaristas enrustidos e mascarados que vem nos enviando comentários com “contas spam não identificadas”.

Fomos até designados como “marxistas culturais” por um inculto anônimo (vejam abaixo alguns dos exemplos menos agressivos dos ataques recebidos sob forma de comentários aos nossos artigos)!

Por isso, este belo texto de Andrade da Silva publicado pelo blog avenidadaliberdade vai para todos aqueles que pensam que Salazar, de algum modo, possa ter sido positivo para Portugal!

“Salazar nunca foi moda…”

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“SALAZAR NUNCA FOI MODA….

FOI SIM MODO DE SOFRER, REGREDIR E MORRER


O jornalista Manuel dos Santos, do Expresso, conclui que Salazar, apesar de algum ruído, não está na moda, para desencanto dos saudosistas, e tem toda a razão, porque Salazar foi sempre passado.

Salazar nunca foi moda, nunca esteve à frente do seu tempo, esteve sempre atrás.

Salazar foi o modo de sofrermos, regredirmos e morrermos, isto é, de nos subdesenvolvermos, e ser escravos esmagados por um poder totalitário, fascista.

Salazar, a tortura, o desprezo pela vida e pela inteligência foram o nosso triste e desgraçado fado, que se descreve com a música do corridinho e a seguinte letra: quando a Europa se libertou do fascismo, ele, perpetuou-o, em Portugal; quando no pós guerra a Europa se industrializava, Salazar, fazia de Portugal um país de camponeses com um quintal com 1/2 ha de terreno, e, no meio do qual, ainda, havia pedras e rochas dispersas; quando se devia investir em infra-estruturas ele aferrolhava as tais barras de oiro; quando no mundo se fazia tudo para que as mentes desabrochassem Salazar mandava os intelectuais e os artistas para Caxias, para levarem cacetada da Pide, a ver se à força de pancada metiam juizinho naquelas brilhantes monas; enquanto a Europa e o Mundo descolonizavam, o Portugal de Salazar, orgulhosamente só, fazia uma guerra de 13 anos em África, e, finalmente, deixava como herança uma guerra, um país quase analfabeto, mas cheio de água benta, bons costumes e muito futebol, isto é, legou-nos o maior atraso da Europa e muitos tiques de autoritarismo que, ainda, por aí, andam.

Salazar nunca foi uma moda, foi um modo de sofrer e de “ não ser” que castrou este país, muito para além dos anos em que governou. O nosso modo de ser e viver, ainda, continuam impregnados daquela matriz, mas nunca serão moda. Ninguém se atreverá a dizer, por mais gente que o cancro mate que é uma doença da moda. Será tão só uma doença cruel e mortal, e foi isto o que Salazar foi.

A moléstia fascista produzida pelo vírus/bactéria Salazar/Caetano/ Tenreiro/ Santos Costa/ Rapazote/ Albino dos Reis/Silva Pais/Américo Tomás/…. só não foi mortal, porque a cirurgia do 25 de Abril 74 salvou Portugal, como outras cirurgias têm salvo doentes cancerosos.

Todavia o mal, de tão impregnado, traz muito doente a nossa democracia que precisa de profundo e prolongado tratamento. Só que agora o médico, o cirurgião, o remédio está no POVO e nos seus Lideres que ou usam bem a farmácia de que dispõem, ou o doente continuará a adoecer cada vez mais, e podem em desespero de causa aplicar-lhe daqui 10, 15 anos, quando a efectiva crise chegar (ELA, ACRISE, AINDA NÃO ESTÁ AQUI), se este rumo de regressão não for superado, uma mezinha mais sofisticada, é certo, mas com as essências em Santa Comba descobertas há quase um século, e os resultados não serão muito diferentes.

Será sempre bom reflectir que a União Europeia tem uma grande plasticidade, basta recordar que até há bem pouco tempo a Polónia era governada por um governo excepcionalmente autoritário. Neste caso o povo usou bem a farmácia Democrática, como também o fizeram, os Australianos.

Que outros conheçam bem a farmácia Democrática, e a usem!?…”

Andrade da Silva
Fonte: avenidadaliberdade.org
Agora voltando a Zarpante, a única razão que nos leva a falar de Salazar é a de termos um projeto de teatro relacionado ao tema! Achamos evidente que um ditador sempre mereça ser criticado mas temos recebido inúmeros ataques verbais, provenientes de pessoas virtuais, que sequer se identificam, por terem vergonha de suas próprias formas de pensar.
Por isso agora, apesar de sermos uma empresa cultural que não precisa e não deve ficar a falar de política, sentimos que a omissão neste caso seria uma certa forma de aceitar que Portugal ainda é um país fascista e retrógrado.

Por não aceitarmos essa ideia, compartilhamos o texto acima e levantamos bem alto nossa bandeira anti-Salazar!

Convocamos desde já todas as pessoas conscientes desse lindo país a se unirem a nós nesta marcha que, pode não parecer, mas nunca foi tão atual: acessem já o projeto Morte Súbita, contribuam, e descubram porque estamos avançado rumo a uma nova era de regime ditatorial em Portugal e no mundo…  

A Participação de cada um de vocês (onde quer que estejam no mundo), seja divulgando, seja contribuindo, faz uma real diferença para o teatro independente luso-brasileiro e para ajudar a explicar, elucidar e, por consequência, diminuir o número de pessoas incultas que, nos dia de hoje, ainda conseguem encontrar motivos e razões para defender o antigo ditador português.


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Ainda existem pessoas que defendem Salazar

Iremos compartilhar abaixo um belo artigo encontrado no blog Kumkaneco, e que critica ironicamente o ditador português. Mas compartilharemos também o triste comentário feito por um leitor (obviamente anônimo):

“Salazar Anti-Salazarista”

 

  “Após Salazar ter ganho aquele concurso organizado pela RTP do homem mais importante da História de Portugal, um grupo de estudiosos tentou descobrir a razão que motivou o voto dos portugueses em Salazar.”

  “Este senhor que foi Presidente do Conselho e que dirigiu os destinos do nosso país, criou um sistema conhecido por Estado Novo que aprisionou durante quase meio século gente inocente por delito de opinião e que nos afundou de forma irremediável no desenvolvimento humano que ainda hoje e durante muitos anos vamos ainda ter de recuperar face aos outros países europeus onde Portugal actualmente se integra. E foi este senhor que ganhou o prémio para o homem mais importante de Portugal.”

Apesar de nos ter deixado um triste legado com práticas de tortura e morte, arrastando o país de forma irresponsável para uma guerra que já se sabia ser impossível de ganhar e que consumiu os parcos recursos da nação, Salazar venceu…

  Porquê?!… Qual a razão para este resultado?!

  Eis a pergunta a que este grupo de homens e mulheres se propôs dar resposta.”

 “Ao que parece e segundo um relatório preliminar das conclusões que foi entretanto divulgado, muito provavelmente a razão reside no facto de a maioria do povo português achar que Salazar era na verdade um antifascista.”

  “Fantástica conclusão esta, que de facto a ser assim, explica de forma categórica a razão pela qual os portugueses votantes não associaram a Salazar, essa imponente figura histórica do nosso passado, as práticas e factos referidos anteriormente.

  E vendo bem as coisas, sou obrigado a concordar com este grupo de estudiosos.

  Salazar era realmente anti-fascista.

  Ele era tão anti-fascista, tão antifascista que na realidade, ele não caiu da cadeira…

. Atirou-se!…”

Fonte: blog Kumkaneco

Agora vejam abaixo um print screen com o triste comentário!

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Para todos os que são e sempre serão Anti-Salazaristas existe um projeto que ainda vai arrancar muitos aplausos das plateias portuguesas! O projeto Morte Súbita é uma realização lusobrasileira que alerta p/ os malefícios das ditaduras no séc. 20 em Portugal e no Brasil

O mais importante agora é participar do projeto para que o teatro independente possa seguir em frente e para que  a voz dos anti-salazaristas ecoe cada vez mais forte!

Zarpante apoia o projeto e já fizemos nossa contribuição! E vocês? Compartilhem e contribuam!

Vejam também: Poemas anti-salazaristas de Fernando Pessoa

 

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Poemas anti-salazaristas de Fernando Pessoa

António de Oliveira Salazar, Portugal

António de Oliveira Salazar, Portugal (Photo credit: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian)

Pessoa escreveu diversos poemas e textos anti-Salazar. Conheçam alguns abaixo:

COITADINHO DO TIRANINHO
Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho,
Nem sequer sozinho…
Bebe a verdade
E a liberdade,
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné,
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.
( poema de Fernando Pessoa)

Mata os piolhos maiores (Pessoa)

Mata os piolhos maiores
Essa droga que tu dizes.
Mas inda há bichos piores.
Vê lá se arranjas veneno
(Ou grande, ou médio e pequeno)
Para matar directrizes.

O rei reside em segredo

O rei reside em segredo
No governar da Nação,
Que é um realismo com medo
Chama-se nação ao Rei
E tudo isto é Rei-Nação.

A República pragmática
Que hoje temos já não é
A meretriz democrática.
Como deixou de ser pública
Agora é somente Ré.

Fernando Pessoa, 1935
E o Salazar, artefacto

E o Salazar, artefacto
De um deus de régua e caneta,
Um materialão abstracto
Que crê que a ordem é alma
E que uma estrada a completa.

Não há poesia nele

Ai, nosso Sidónio Pais,
Tu é que eras português!

Um materialão abstracto,

Vive na orgia do exacto

Manda o país penhorado
Por uma estrada melhor.

Dizem que o Jardim Zoológico

Dizem que o Jardim Zoológico
Tem sido mais concorrido
Por prolongada assistência
Atenta a cada animal.
Mas isso que é senão lógico
Se acabou
A concorrência
Porque fechou
A Assembleia Nacional?

Se você é anti-salazarista como nós e como Fernando Pessoa, clique aqui e participe do projeto Morte Súbita!

Vejam também:

– A poesia do Marinheiro

– Ainda existem pessoas que defendem Salazar

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