Militar por uma causa

Vivemos em uma era em que as pessoas tem cada vez menos tempo a perder. Por consequência, observamos a um fenómeno curioso: cada vez mais, as pessoas “curtem” ou “compartilham” um artigo, sem sequer ter lido o artigo!

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Acontece com todos nós, e justificamos esse gesto pelo simples fato de todos estarmos com pressa! No entanto, quem acredita mesmo em uma causa, não sente estar perdendo seu tempo ao lutar por esta.

No crowdfunding por exemplo, muitas vezes o responsável por um projeto não deseja divulgar seu projeto por ter vergonha de estar pedindo ajuda financeira (vergonha que ele não teria ao pedir apoio governamental). Outras vezes, os responsáveis simplesmente acreditam que não é trabalho deles divulgar e sim da plataforma de crowdfunding. Nestes casos, não precisamos nem estudar as razões desses projetos não atingirem suas metas financeiras.

Mas quando os responsáveis pelo projeto e a própria plataforma de Crowdfunding trabalham de forma constante para divulgar o projeto,  e que ainda assim o projeto avança a passos de formiga, surgem algumas dúvidas.

É o caso do projeto Morte Súbita que está neste momento em busca de apoio financeiro para que o teatro independente não morra definitivamente em Portugal e no Brasil.

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O projeto deles está no site lusófono de Crowdfunding, Zarpante!

Tanto Zarpante quanto os responsáveis pelo projeto, tem divulgado bastante e neste fim de semana por exemplo contactamos mais de 800 pessoas para que conheçam o projeto e claro, para que participem deste. No entanto, até agora, apesar das mais de 500 visitas ao vídeo do projeto no Youtube, e dos mais de 600 compartilhamentos no Facebook, foram atingidos apenas 10% da meta financeira, graças a ajuda de 9 pessoas que contribuíram até agora! Se com 9 pessoas (número baixo), foram atingidos 10% da meta, quantas pessoas seriam necessárias para chegar aos 100%?

O nosso post de hoje vai para todas essas pessoas que curtem, mas não compartilham ou que contribuem mas não compartilham, bem como para as pessoas que sequer curtem, compartilham, ou contribuem.

O fato é que ao participar de um projeto de Crowdfunding, a pessoa não pode se dar por satisfeita. É muito importante que logo após fazer uma contribuição para um projeto, o mecenas divulgue nas redes sociais e entre seus amigos (mail, etc), que contribuiu para esse projeto e que conta com a participação de seus amigos para levar adiante o projeto! Da mesma forma, compartilhar é muito importante, e se pudéssemos, nós agradeceríamos pessoalmente cada uma das pessoas que compartilha os projetos em redes sociais e por mailing lists. No entanto, compartilhar somente, e não contribuir, pode acabar sendo não suficiente.

Agora pensemos o seguinte: as pessoas vivem falando de solidariedade, de união, de políticas e de sistemas económicos e governamentais alternativos. No entanto, é sempre na hora de passar ao ato, que uma boa parte dessa pessoas desaparece! Se realmente a natureza humana é solidária, se de fato acreditamos em frases como “o povo unido, jamais será vencido”, e que queremos mostrar que podemos mudar as coisas pouco a pouco, será necessário que deixemos de novas palavras para antigos conceitos!

Sim por que o Crowdfunding nada mais é que o famoso e milenar mutirão. Em outros termos, o Crowdfunding existe desde sempre e apenas foram mais organizados, e ganharam visibilidade graças a internet.

Por outro lado, é preciso que todos nós passemos a entender que para realmente mudar as coisas e ter uma voz que seja levada em conta pela sociedade, é preciso ter fundos para auto-sustentar as mudanças que desejamos. Nesse sentido o poder económico que temos ao juntar nossas forcas, pode e deve cada vez mais se tornar em uma alternativa aos preços elevados impostos pelo mercado, e a utilização inadequada e um tanto quanto elitizada dos fundos públicos. No sector cultural por exemplo nós realmente acreditamos que quando o povo passar a participar financeiramente de projetos nos quais acredita, passaremos a ter uma maior diversidade cultural e não seremos obrigados a ver ou rever os mesmos artistas geralmente contemplados e re-contemplados pelas poucas subvenções que estados como Brasil e principalmente Portugal, reservam à cultura.

Bem vocês entenderam: participar de um projeto de Crowdfunding é um gesto que deve ser encarado como militar por uma ideia! Poderemos realmente mudar as coisas quando as pessoas acreditarem em suas convicções e passarem a agir financeiramente para mostrar ao mundo que quando desejamos, podemos nós mesmos criar e sustentar nossos projetos independentes juntos e sem depender das grandes multinacionais ou dos governos

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