Na Islândia, política rima com crowdsourcing!

Os islandeses aprovaram uma constituição elaborada graças ao crowdsourcing

From Reykjavik, Iceland

From Reykjavik, Iceland (Photo credit: Helgi Halldórsson/Freddi)

Os cidadãos islandeses foram convidados a ajudar na redação da nova constituição islandesa, por meio do Facebook e do Twitter. Consequentemente, não é uma surpresa que eles se sintam representados pela nova constituição. Agora está nas mãos dos políticos.

LEvando em conta que a constituição é uma das bases identitárias de qualquer nação, a decisão de permitir, a toda a população, participar na redação de uma nova constituição, por meio de redes sociais, é algo totalmente inovador!

Parece estar dando certo: O país lançou um referendum fazendo aos eleitores seis perguntas sobre a redação da nova constituição. Dois terços respondeu positivamente a pergunta seguinte: ” Você gostaria de seguir adiante e utilizar a constituição redigida coletivamente, como base para a nova constituição? “

Faz sentido: dê a chance ao povo de participar da redação, graças a uma democratização internética, e eles apoiarão os resultados.

Renascer das cinzas:

Para entender melhor, voltemos um pouco no tempo: assim que a crise financeira começou, o sistema bancário islandês sofreu um colapso, levando consigo o governo. O novo governo resolveu então trilhar novos caminhos.

Primeiro foi criada a “Modern Media Initiative” (hoje “International Modern Media Institute”), um site democrático dedicado a liberdade de expressão e inspirado no Wikileaks. A ideia é transformar a Islândia em um território de livre expressão, convidando organizações de  mídia do mundo todo a  hospedarem seus sites nos servidores islandeses, aproveitando assim das novas proteções do país aos jornalistas, blogs etc..

Em seguida foi organizada a redação da nova constituição por criação colaborativa (crowdsourcing). A antiga constituição islandesa era baseada na constituição dinamarquesa e estava ultrapassada. Foi assim que 25 cidadãos foram levados a um Conselho Constitucional para ajudar a criar  a nova constituição. O Conselho utilizou em seguida as ideias compartilhadas online por seus cidadãos e apresentou um primeiro rascunho, que foi em seguida legitimado gracas a um referendum em que o povo demonstrou apoiar a nova constituição.

235,000 eleitores participaram do Referendum ( em torno da metade da população do país), e 66% destes disse aprovar que a nova constituição fosse inspirada no rascunho elaborado graças ao crowdsourcing.

Cabe agora ao parlamento decidir se o rascunho será realmente a base da nova constituição.

Assim como no caso das leis finlandesas elaboradas por meio do crowdsourcing, os representantes eleitos tem a palavra final sobre as propostas feitas online. Em uma democracia representativa, é exatamente assim que as coisas deveriam acontecer: se elegemos pessoas para representar-nos, estamos delegando a eles exatamente essa responsabilidade.

Parliament Building in Reykjavík, Iceland

Parliament Building in Reykjavík, Iceland (Photo credit: Wikipedia)

O mais importante, seja no caso das leis finlandesas ou da constituição islandesa, é que a tecnologia está sendo utilizada para dar uma voz ao povo, ao mesmo tempo que garante que os políticos são obrigados a escutar e não podem simplesmente ignorar as propostas populares.

Porque a vantagem do crowdsourcing, é que as propostas são públicas e abertas, o que impossibilita que sejam ignoradas.

Agora cabe ao parlamento islandês mostrar que está levando a sério o processo…

Quanto a nós, ficamos curiosos: Sabemos que no Brasil por exemplo, iniciativas como esta ainda não existem mas que o Governo de Porto Alegre teve por um tempo um orçamento participativo, em que os cidadãos eram convidados a votar e participar de reuniões para decidir onde e como seriam gastas as verbas do governo.

Português: Por do sol no centro de Porto Alegr...

Português: Por do sol no centro de Porto Alegre, Brasil. (Photo credit: Wikipedia)

Gostaríamos de saber se vocês conhecem exemplos similares em países de língua portuguesa. Comentem e alimentemos este debate! Afinal, em tempos como estes, nos parece uma discussão muito atual!

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