Entrevista com o realizador Reza Hajipour

O Curta metragem “O Bebe”, realizado pelo iraniano Reza Hajipour, venceu o prémio de melhor curta escolhida pelo público do FESTin 2013!

O Bebe

O Bebe

Tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente o simpático realizador, na cidade onde reside, Lisboa, e aproveitamos para entrevistá-lo! Leia o resultado desse encontro logo abaixo!

  • Quem é Reza Hajipour?

– “Me Chamo Mohammad Reza Hajipour, um nome difícil de ser pronunciado pelas pessoas: por isso, me apresento aos luso-falantes como Reza Hajipour.

Nasci em Fouman, Irão, em 1977. Trabalhei como produtor de rádio e TV em meu país. Mais tarde me interessei pelo cinema e comecei a realizar curtas.

Em 2008 me mudei para Portugal onde continuo a fazer curtas.”

Reza Hajipour

Reza Hajipour

  • O que o levou a escolher Portugal como pais de residência?

– “Em 2007 meu primeiro curta “O primeiro Dia de trabalho” foi seleccionado no festival de curtas Fike em Évora. Durante minha curta estadia em Portugal, achei as pessoas muito calorosas.

Tinha amigos de vários países mas nunca tinha tido a chance de conhecer portugueses. Então decidi morar aqui porque para mim Portugal era como minha casa e durante os 5 anos que passei aqui, nunca senti falta do meu país.”

  • O que mais gosta em Lisboa?

– “Eu adoro os lugares históricos de Lisboa: Alfama, Belem, Largo do carmo, e claro, o chiado. Mas meu lugar preferido, é a Marginal. É uma parte impresionante de LisboaI. Me acontece de simplesmente pegar meu carro, ir de Lisboa a Cascais e voltar só porque adoro essa estrada.”

  • Pode nos falar um pouco de sua trajetória na rádio? Em que rádio trabalhou? Como foi a experiência para você? Isso lhe ajudou no setor audiovisual?

Eu estudava uma linguagem africana (Hausa) na faculdade e comecei a trabalhar como tradutor na rádio. Meu superior na rádio me incentivou a fazer um curso de produção radialística. Um ano depois, depois de ter completado o curso com sucesso comecei a trabalhar na Rádio Hausa como produtor.

Era um trabalho muito difícil no começo, porque eu precisava dirigir os apresentadores do programa e ter a certeza de que falassem sempre na língua “Hausa” de maneira correta. Aprendi tudo sobre rádio produção na época em que o sistema de rádio estava passando de analógico a digital. Nesse sentido, como produtor de rádio, tive que actualizar meus conhecimentos à essa nova tecnologia. Trabalhar na rádio me fez prestar mais atenção nos sons que me rodeiam. Meu programa de rádio ganhou dois prémios em um festival de Rádio e TV no Irã.

  • Qual foi o seu primeiro contato com o cinema? Quando você decidiu que queria trabalhar com o cinema?

– “Quando eu era garoto, não existia aparelho algum para ler vídeos no Irão, apenas um antigo projetor de filmes, cuja  venda ou aluguer eram proibidos. Meus tios e eu éramos fãs de Bruce lee mas não podíamos assistir a seus filmes no cinema, então a única solução era alugar filmes com um projector muito caro e ilegal, e precisávamos ver 4 filmes virando a noite em nossa casa. Esse foi o meu primeiro contacto com o cinema aos 7 anos de vida.

Mais tarde, ao trabalhar na rádio e na TV, eu fazia diferentes programas por semana, mas não gostava tanto porque eram programas básicos. Eu tinha muitas ideias e histórias surgindo em minha cabeça mas não sabia o que fazer com elas. Por isso fui estudar cinema e aprender como escrever minhas histórias  em uma linguagem cinemática. Um ano depois, terminei a escola de cinema e realizei meu primeiro curta.”

  • Quais são suas influencias artísticas?

Existem diferentes tipos de arte que me influenciam como director.

A literatura persa e russa me influenciaram bastante: as histórias de  Sadegh Hedayat, os poemas de  Ahmad Shamlou no que diz respeito aos persas,  e, do lado russo, as histórias curtas de Anton Chekhov ou as de Nikolai Gogol, como por exemplo “The Overcoat” que me marcou fortemente.

No cinema é mais complicado porque é impossível  dizer que eu goste de todos os filmes de um director. Geralmente eu prefiro filmes que mostrem a natureza humana e nossos comportamentos. Um bom exemplo é o do personagem “Travis”no filme “Taxi Driver”de Martin Scorsese. Ao assistir esse filme, podemos ver como cidadão comuns podem revelar assassinos. No filme “The Mist”de Frank Darabont, as criaturas extravagantes e assustadoras que se encontram ao longo de todo o filme, não me impressionam, o que me parece interessante, é como as pessoas reagem nesse tipo de situação e como mudam. Existem muitos exemplos mas isso fica para outra hora. De maneira geral, eu fui influenciado por alguns diretores como Giuseppe Tornatore, Stanley Kubrick, Frank Darabont, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Roman Polanski e Quentin Tarantino.

  • Onde vai buscar a fonte de inspiração para escrever seus roteiros?

– “A ideia original de cada história que escrevi até agora, foi sempre produto da observação das pessoas e do que está ao redor de mim. Quando eu tenho uma ideia, eu  a trabalho e desenvolvo. Tenho respeito por todo tipo de história ou de filmes, mas para mim, as melhores histórias são aquelas em que os personagens são credíveis e em que o público cria uma simpatia pelo personagem.”

  • Poderia nos resumir em uma frase o que é o cinema para você?

– “O cinema é imaginação e criação 24 vezes por segundo.”

  • Historia curiosa ou melhor lembrança de filmagem ou produção?

– “Estávamos fazendo um longa metragem no Irão, eu era o primeiro assistente do director do filme. Estávamos no meio do deserto filmando uma cena de tiros entre policiais e traficantes. A esposa do produtor executivo se sentiu mal e precisava voltar para Tehran. No entanto, não podíamos parar as filmagens por causa disso, mas tampouco conseguíamos encontrar quem quer que seja para substituí-lo. O produtor me pediu que ocupasse esse cargo. Por consequência, eu trabalhava como produtor executivo durante o dia e, na parte da noite, fazia meu trabalho como assistente de direcção na cena. Pela primeira vez na minha vida, eu fiquei acordado durante 72 horas!”

  • Queremos descobrir bons filmes iranianos. Que realizadores recomendaria?

– “Meus realizadores iranianos favoritos são:  Bahram beyzaie, Dariush Mehrjui, Naser taghvai, Ali Hatami and Asghar Farhadi.”

  • O seu curta “O Bebe” foi escolhido pelo público como o melhor curta do FESTin 2013. O que esse prémio representa para você e quais são as portas que poderiam ser abertas graças a essa menção honrosa?

-“É uma honra para mim fazer filmes em português! Hoje me sinto como parte integrante da comunidade portuguesa.

Ano passado,  o Sapporo Film Festival seleccionou 4 directores de curtas de diferentes partes do mundo, e fui um dos escolhidos,

quando me perguntaram que país eu representava, Irã ou Portugal, respondi sem pestanejar: Portugal.

O Euro Channel selecciona um curta por país europeu por ano para representar o cinema do velho continente. Foi um grande momento para mim, quando escolheram meu filme, entre vários outros curtas portugueses, para ser transmitido no canal deles.

Agora, com a preferência do público pelo meu curta “O Bébé”, e o reconhecimento deste, como o curta preferido do público no FESTin 2013, pensei: “Agora minha responsabilidade é maior que anteriormente, porque eu represento realmente o cinema português”. Essa menção honrosa me dá mais energia para continuar meu trabalho.”

  • Quais são os seus projetos (curtas, filmes, programa TV…) para o futuro?

– “No momento, estou trabalhando em um script para um curta metragem chamado “Os Olhos”. Escrevi essa história faz uns 7 anos e reescrevi várias vezes corrigindo até chegar ao ponto desejado. Acredito que seja a melhor história que escrevi até hoje.

Produzi todos os meus filmes até agora mas este curta tem muitas despesas previstas e por isso procuro investidores e produtores para meu próximo filme.”

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Um pensamento sobre “Entrevista com o realizador Reza Hajipour

  1. carlos charcape disse:

    Parabens, Reza Hajipour!!!

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