Poesias de Carnaval

O Carnaval passou e o mundo não acabou!

Aproveitando a volta ao normal pós-carnavalesca, que tal ler alguns poemas do mestre Carlos Drummond de Andrade sobre o assunto? Porque, afinal, existe, sim, cultura em torno do Carnaval: basta procurar…

Drummond

Drummond

O outro carnaval – Carlos Drummond de Andrade

Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?

Um homem e seu carnaval – Carlos Drummond de Andrade

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

Vejam também:

– Seleção musical para seu carnaval!

– Do mesmo poeta.

– Podcast Zarpante em homenagem ao Vinicius de Moraes!

– Poesias contra o fascismo.

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3 pensamentos sobre “Poesias de Carnaval

  1. […] – O Carnaval visto por Carlos Drummond de Andrade. […]

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