Conhece Tarrafal?

“O Concelho do Tarrafal é um concelho/município na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Tem cerca de 20.000 habitantes e ocupa uma superfície de 112,4 km².

A sede do concelho é a vila do Tarrafal.

A própria vila do Tarrafal tem das poucas praias de areia branca da ilha, e certamente das mais paradisíacas do arquipélago, numa baía rodeada de coqueiros.

Mas engana-se quem pensa que esta é a única de todo o concelho, pois bastam alguns minutos e estamos noutras praias, estas já menos concorridas pelos turistas mas igualmente lindas, nas aldeias de Chão Bom e Ribeira da Prata.

Esta zona, da maior ilha de Cabo Verde, é famosa pela chamada Colónia Penal do Tarrafal ou Campo de Concentração do Tarrafal, construída entre as décadas 20 e 30 do século passado, para albergar os opositores ao regime português. É também famosa por ser o concelho de Cabo Verde onde vive a comunidade dos rabelados.

Quem chega a este concelho fica deliciado, não só pela sua beleza natural, como pela simpatia do seu povo, que vive principalmente do comércio, construção e serviços para a colectividade, e que conserva os valores tradicionais das suas gentes, destacando-se a olaria, a tecelagem, a utilização da cimboa e a música, uma vez que, ninguém lá passa sem dançar um funaná ou ver alguém a dar ku tornu, numa roda de batuque.

O Dia do Município é 15 de janeiro, data que coincide com a celebração de Santo Amaro.

Desde 2008, o município do Tarrafal é governado pelo Movimento para a Democracia.”

Fonte: Wykipédia

Português: Campo de Concentração do Tarrafal, ...

Português: Campo de Concentração do Tarrafal, muro de vedação, ilha de Santiago, Cabo Verde (Photo credit: Wikipedia)

 Campo do Tarrafal

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A Colónia Penal do Tarrafal, situada no lugar de Chão Bom do concelho do Tarrafal, na ilha de Santiago (Cabo Verde), foi criada pelo Governo português do Estado Novo ao abrigo do Decreto-Lei n.º 26 539, de 23 de Abril de 1936[1].

Em 18 de Outubro de 1936 partiram de Lisboa os primeiros 152 detidos, entre os quais se contavam participantes do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande (37) e alguns dos marinheiros que tinham participado na Revolta dos Marinheiros ocorrida a bordo de navios de guerra no Tejo em 8 de Setembro daquele ano de 1936.

O Campo do Tarrafal, ou Campo de Concentração do Tarrafal, como ficou conhecido, começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936, com a chegada dos primeiros prisioneiros.

Objectivos

O Estado Novo, sob a capa da reorganização dos estabelecimentos prisionais, ao criar este campo pretende atingir dois objectivos ligados entre si: afastar da metrópole presos problemáticos, e, através das deliberadas más condições de encarceramento, enviar um sinal de que a repressão dos contestatários será levada ao extremo.

Esta visão está claramente definida nos primeiros parágrafos do Decreto-Lei n.º 26 539, ao afirmar que serve para receber os presos políticos e sociais, sobre quem recai o dever de cumprir o desterro, aqueles que internados em outros estabelecimentos prisionais se mostram refractários à disciplina e ainda os elementos perniciosos para outros reclusos. Este diploma abrange também os condenados a pena maior por crimes praticados com fins políticos, os presos preventivos, e, por fim, os presos por crime de rebelião.

Mortos no Tarrafal

Foram 37 os prisioneiros políticos que morreram no Tarrafal; os seus corpos só depois do 25 de Abril puderam voltar à pátria:

  • Francisco José Pereira: Marinheiro, 28 anos (Lisboa, 1909 – Tarrafal 20 de Setembro de 1937)
  • Pedro de Matos Filipe: Descarregador, 32 anos (Almada, 19 de Junho de 1905 – Tarrafal, 20 de Setembro de 1937)
  • Francisco Domingues Quintas: Industrial, 48 anos (Grijó, Porto, Abril de 1889 – Tarrafal, 22 de Setembro de 1937)
  • Rafael Tobias Pinto da Silva: Relojoeiro, 26 anos (Lisboa, 1911 – Tarrafal 22 de Setembro de 1937)
  • Augusto Costa: Operário vidreiro (Leiria, ? – Tarrafal, 22 de Setembro de 1937)
  • Cândido Alves Barja: Marinheiro, 27 anos (Castro Verde, Abril de 1910 – Tarrafal, 29 (24?) de Setembro de 1937)
  • Abílio Augusto Belchior: Marmorista, 40 anos (?, 1897 – Tarrafal, 29 de Outubro de 1937)
  • Francisco do Nascimento Esteves: Torneiro mecânico, 24 anos (Lisboa, 1914 – Tarrafal, 21 (29?) de Janeiro de 1938)
  • Arnaldo Simões Januário: Barbeiro, 41 anos (Coimbra, 1897 – Tarrafal, 27 de Março de 1938)
  • Alfredo Caldeira: Pintor decorador, 30 anos (Lisboa, 1908 – Tarrafal, 1 de Dezembro de 1938)
  • Fernando Alcobia: Vendedor de jornais, 24 anos (Lisboa, 1915 – Tarrafal, 19 de Dezembro de 1939)
  • Jaime da Fonseca e Sousa: Impressor, 38 anos (Tondela, 1902 – Tarrafal, 7 de Julho de 1940)
  • Albino António de Oliveira Coelho: Motorista, 43 anos (?, 1897 – Tarrafal, 11 de Agosto de 1940)
  • Mário dos Santos Castelhano: Empregado de escritório, 44 anos (Lisboa, Maio de 1896 – Tarrafal, 12 de Outubro de 1936)
  • Jacinto de Melo Faria Vilaça: Marinheiro, 26 anos (?, Maio de 1914 – Tarrafal, 3 de Janeiro de 1941)
  • Casimiro Júlio Ferreira: Funileiro, 32 anos (Lisboa, 4 de Fevereiro de 1909 – Tarrafal, 24 de Setembro de 1941)
  • Albino António de Oliveira de Carvalho: Comerciante, 57 anos (Póvoa do Lanhoso, 1884 – Tarrafal, 22 (23?) de Outubro de 1941)
  • António Guedes de Oliveira e Silva: Motorista, 40 anos (Vila Nova de Gaia, 1 de Maio de 1901 – Tarrafal, 3 de Novembro de 1941)
  • Ernesto José Ribeiro: Padeiro ou servente de pedreiro, 30 anos (Lisboa, Março de 1911 – Tarrafal, 8 de Dezembro de 1941)
  • João Lopes Dinis: Canteiro, 37 anos (Sintra, 1904 – Tarrafal, 12 de Dezembro de 1941)
  • Henrique Vale Domingues Fernandes: Marinheiro, 28 anos (?, Agosto de 1913 – Tarrafal, 7 de Janeiro (Julho?) de 1942)
  • Bento António Gonçalves: Torneiro mecânico, 40 anos (Fiães do Rio (Montalegre), 2 de Março de 1902 – Tarrafal, 11 de Setembro de 1942)
  • Damásio Martins Pereira: Operário (? – Tarrafal, 11 de Novembro de 1942)
  • António de Jesus Branco: Descarregador, 36 anos (Carregosa, 25 de Dezembro de 1906 – Tarrafal, 28 de Dezembro de 1942)
  • Paulo José Dias: Fogueiro marítimo, 39 anos (Lisboa, 24 de Janeiro de 1904 – Tarrafal, 13 de Janeiro de 1943)
  • Joaquim Montes: Operário corticeiro, 30 anos (Almada, 11 de Setembro de 1912 – Tarrafal, 14 de Fevereiro de 1943)
  • Manuel Alves dos Reis (? – Tarrafal, 11 de Junho de 1943)
  • Francisco Nascimento Gomes: Condutor, 34 anos (Vila Nova de Foz Côa, 28 de Agosto de 1909 – Tarrafal, 15 de Novembro de 1943)
  • Edmundo Gonçalves: 44 anos (Lisboa, Fevereiro de 1900 – Tarrafal, 13 de Junho de 1944)
  • Manuel Augusto da Costa: Pedreiro (? – Tarrafal, 3 de Junho de 1945)
  • Joaquim Marreiros: Marinheiro, 38 anos (Lagos, 1910 – Tarrafal, 3 de Novembro de 1948)
  • António Guerra: Empregado de comércio, 35 anos (Marinha Grande, 23 de Junho de 1913 – Tarrafal, 28 de Dezembro de 1948)

Encerramento e reactivação

O Campo do Tarrafal encerrou em 1954, tendo sido reactivado em 1961, sob a denominação de Campo de Trabalho do Chão Bom, para receber prisioneiros oriundos das colónias portuguesas[2].

Museu da Resistência

O Museu da Resistência integra-se no projecto de preservação e musealização do ex-Campo de Concentração do Tarrafal, com o objectivo, a longo prazo, da sua declaração como Património da Humanidade.

Campo de Concentração do Tarrafal

Campo de Concentração do Tarrafal (Photo credit: Wikipedia

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Um pensamento sobre “Conhece Tarrafal?

  1. […] – Saiba mais sobre Tarrafal. […]

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