Vai uma farofa?

Que tal começar a semana com uma farofa lusófona? De tudo um pouco, para quem que vive a procura de novos sabores! A receita é a seguinte:

– Esquente a frigideira e enquanto isso, separe um belo Rui Veloso recém saído da geladeira!

MR DOW JONES

ANDAM NO AR UNS RUMORES
O MEU FAX ANDA ALARMADO
DIZ-SE QUE O CHORO DA LADY DI
AGITA MUITO O MERCADO
A CADILLAC TEM O MONOPÓLIO
DAS BICICLETAS EM PEQUIM
BERLUSCONI DISTRIBUI PIZZAS
PELAS RUAS DE BOMBAIM

DESCE O MARCO NA SIBÉRIA
SOBE O DÓLAR NA LAPÓNIA
E OS ÍNDIOS DA AMAZÓNIA
COMPRAM GRUPOS FINANCEIROS
POR UM PUNHADO DE CONCHAS
A IMPORTANTES BANQUEIROS

MR. DOW-JONES, MR. DOW-JONES

VOCÊ ESPIRRA EM NOVA YORK
E LANÇA EM CRISE O PLANETA
NA MINHA CAMA SINTO A ONDA DE CHOQUE
É O EFEITO BORBOLETA
O TARÔT DIZ QUE O SOL VAI CAIR
NAS MALHAS DA RECESSÃO
É A TREVA DO MILÉNIO
É A GRANDE DEPRESSÃO

OS PIGMEUS DO GABÃO
COMPRAM ACÇÕES DA DUREX
OS TUAREGUES DO SAHARA
ASPERGEM-SE COM LACA-FLEX
E OS LAMAS DO TIBETE
TÊM NO PULSO UM ROLLEX

MR. DOW-JONES, MR. DOW-JONES

QUANDO NASCEM OS BÉBÉS
EM VEZ DE DADDY DIZEM MONEY
O SEU MEDO É A CASA BRANCA
QUE VAI CAIR NAS MÃOS DA SONY
A NOVA ORDEM MUNDIAL ASSENTA
EM TV AMOR E SILICONE
E SE HOUVER GUERRA O BILL CLINTON
VARRE TUDO A SAXOFONE

O RIO GANGES E O NILO
SÃO VIGIADOS PELA CIA
MADRE TERESA EM MALIBU
VAI PREGANDO O SEU ESTILO
PARA QUE VOCÊ SEJA SEMPRE
UM AMERICANO TRANQUILO

MR. DOW-JONES, MR. DOW-JONES

Este é um dos temas do novo álbum, “Rui Veloso e Amigos” que será editado na segunda quinzena de Novembro.
Acompanhe o Rui Veloso no Facebook: www.facebook.com/rui.veloso.oficial

– Em seguida adicione um pouco da melancolia de Tiago Bettencourt e sua música “O lugar”

– Depois disso já pode descascar carinhosamente o texto “Toda arte é atual” do brasileiro Ferreira Gullar:

“O realismo não é chato só nas artes plásticas; não se faz arte para imitar a vida, mas sim para inventá-la.

Peço que o leitor me desculpe se ando escrevendo demais sobre artes plásticas. É que, ligado a elas como sou, de vez em quando me pego refletindo sobre o assunto. Foi o que ocorreu há pouco, quando visitei a exposição de Eliseu Visconti, no Museu Nacional de Belas Artes.
Estava apenas esperando uma oportunidade para ir vê-la, desde que recebi o convite para o vernissage: ele trazia a reprodução de um retrato pintado pelo artista, que sempre me fascina quando o vejo. Assim que, logo que pude, fui ao
MNBA e não me arrependi. Pelo contrário, vi confirmada minha convicção de que Visconti, embora nascido na Itália, é um dos maiores pintores brasileiros.
A exposição reuniu obras do acervo do museu, da Pinacoteca do Estado de São Paulo e de coleções particulares. Embora esteja longe de ser completa, nos deu uma visão bastante ampla da obra do artista em suas diferentes fases. Nas pinturas mais antigas, do final do século 19, ele se mostra um pintor realista, que é a fase menos interessante de sua obra.
Não por culpa sua, pois já ali se mostra um excelente pintor, pela composição, a qualidade do desenho e domínio da linguagem pictórica propriamente dita. O defeito está no caráter realista das obras. Pode ser apenas, no que me diz respeito, uma questão de gosto, mas o que ocorre é que a preocupação com a cópia fiel das figuras torna a pintura menos fascinante, ao trocar a imaginação criativa e poética pela fidelidade ao real.
A verdade é que há muitos tipos de realismo pictórico e que, também aí, pesam certas qualidades do artista. Velásquez, por exemplo, era um barroco realista e, em algumas obras, não alcançou a transcendência poética. Não é o caso, obviamente, da obra-prima “As Meninas”, porque, nesse quadro, apesar do realismo das figuras, a relação espaço-tempo que ele estabeleceu ali supera a imitação realista: é que ele nos mostra, a um só tempo, as figuras que pintara, como se fossem os modelos do que ainda estaria pintando na tela, cujo avesso nos é mostrado ali.
Mas o realismo não é chato apenas nas artes plásticas; ele o é também na literatura. Pelo menos para mim, pois acho que não se faz arte para imitar a vida, e sim para inventá-la. A realidade é pouca.
Por isso mesmo, a pintura de Eliseu Visconti ganha qualidade à medida em que abandona o procedimento acadêmico -iminentemente imitativo- para abrir-se ao impressionismo, que em seus quadros adquire uma poética própria. Inicialmente, há uma fase de passagem do estilo realista, que busca a imitação da realidade, a uma linguagem pré-impressionista, em que, aos poucos, um uso novo da cor e da luz se manifesta.
Como se sabe, o impressionismo nasce quando o pintor deixa de pintar dentro de casa -ou no ateliê- para pintar “à pleine aire”, ou seja, à luz do dia. A relação de sombra e luz é substituída pela cor irradiante, nascida da vibração da luz solar sobre a superfície das coisas. Isso durante etapa desse movimento pictórico, porque, no final, algumas das obras de Monet (como “Nenúfares”) já estão impregnadas da subjetividade simbolista.
Pois bem, a esse simbolismo se vinculará a pintura de Visconti na etapa áurea de sua obra, que se estenderá até 1944, ano de sua morte. Nesta última fase, o pontilhismo impressionista se muda em pinceladas mais amplas. Visconti é quem faz a transição, na pintura brasileira, do academicismo do final do século 19 ao modernismo, que nasce, historicamente, com Anita Malfatti na exposição que fez em 1919, em São Paulo.
Não quero terminar este registro sem mencionar uma observação que fiz, alguns anos atrás, quando reuniram obras de pintores brasileiros do modernismo e da etapa imediatamente anterior. Ali estava uma obra de Eliseu Visconti e o conhecido autorretrato de Tarsila do Amaral. Embora seja eu fã de nossa pintora modernista, não pude deixar de reconhecer a diferença de qualidade artística entre as duas obras. O quadro de Visconti ali exposto, comparado ao de Tarsila, era indiscutivelmente melhor.
Não se trata aqui de diminuir a importância de Tarsila que, naquele momento, abria um caminho novo para nossa pintura. Mas não se deve confundir o papel histórico com valor estético. Como disse Picasso, toda arte é atual.”

– Uma pitada de esquizofrenia com Pródigo:

– Misture tudo e adicione poesia angolana a gosto:

25
pretos e brancos vão na mesma pista.
alguns até conversam e discutem,
porque o trabalho e o pão não são racistas.
 
26
há um sabor gostoso de manhã
nesta marcha da gente que procura
animar a cidade que a não vê.
a cidade que pensa que a cidade
é só daqueles que nunca acordam cedo
e alugando um polícia para cada medo
conseguem saturar esta cidade imensa
sa sua vadiagem tola e vã.
 
Cochat Osório

– Abaixe o fogo e deixe cozinhar por alguns minutos enquanto escuta os portugueses Max Suba & the Flying Pets:

– Verifique o sal, a pimenta, e adicione Otto sem moderação:

The Moon 1111 from Camila Valença on Vimeo.

– Adicione um pedaço de música do Vitorino, sem deixar cair o ritmo, e pode servir:

Ficou com fome?

Alcântara 50 – Sabores Genuínos

É já no dia 26 de Outubro que será inaugurado um novo espaço Lisboeta, em Alcântara.
As empreendedoras e amigas, Conceição Sereno e Carla Santos prometem uma casa com história e muitas histórias para contar.
Para isso contam com o Chef Filomeno Nogueira a reinventar pratos tipicamente portugueses, o que por si só já promete e deixa agua na boca…
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